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Governo reativa Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura

Repro­du­ção: © Fabio Rodri­gues-Poz­ze­bom/ Agên­cia Bra­sil

Ministro defende diminuição da população carcerária no país


Publi­ca­do em 23/06/2023 — 20:36 Por Dani­el­la Almei­da – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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Super­lo­ta­ção de celas; prá­ti­cas sis­te­má­ti­cas de tor­tu­ras físi­cas e psi­co­ló­gi­cas de pre­sos; fome; insa­lu­bri­da­de; impe­di­men­to de visi­tas soci­ais; humi­lha­ções de paren­tes de pes­so­as em pri­va­ção de liber­da­de, sobre­tu­do mulhe­res; fal­ta de aces­so a ati­vi­da­des edu­ca­ci­o­nais; mor­te de deten­tos e meno­res apre­en­di­dos; pri­sões pro­vi­só­ri­as com exces­so de pra­zo; celas do tipo con­têi­ner; assé­dio; trans­fe­rên­cia de deten­tos a comar­cas afas­ta­das do seu meio soci­al e da famí­lia; deten­ções injus­tas de pes­so­as con­si­de­ra­das ino­cen­tes; uso e trá­fi­co de dro­gas, reten­ção de bene­fí­ci­os pagos por pro­gra­mas de trans­fe­rên­cia de ren­da.  

Estas foram algu­mas das vio­la­ções de direi­tos huma­nos den­tro do sis­te­ma pri­si­o­nal bra­si­lei­ro rela­ta­das duran­te a reu­nião de rea­ti­va­ção do Sis­te­ma Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra. O encon­tro foi coor­de­na­do pelo Minis­té­rio dos Direi­tos Huma­nos e da Cida­da­nia nes­ta sex­ta-fei­ra (23), em Bra­sí­lia.

O minis­tro dos Direi­tos Huma­nos e da Cida­da­nia, Sil­vio Almei­da, dis­se que as situ­a­ções rela­ta­das não o sur­pre­en­dem, mas cho­cam por serem des­res­pei­tos huma­ni­tá­ri­os e ile­gais. “Não há lei no Bra­sil que per­mi­ta que coi­sas como essas acon­te­çam”. O minis­tro apon­ta a res­pon­sa­bi­li­da­de do Esta­do bra­si­lei­ro: “uma pes­soa den­tro do sis­te­ma peni­ten­ciá­rio está sob a guar­da do Esta­do, por­tan­to, tem que ser tra­ta­da com dig­ni­da­de. Por mais que tenha come­ti­do um cri­me, ela tem que ser tra­ta­da nos ter­mos da lei. Então, dei­xar uma pes­soa pas­sar fome, esten­der a pena aos fami­li­a­res, isso se dá ao arre­pio da lei, vai con­tra as con­ven­ções inter­na­ci­o­nais das quais o Bra­sil é sig­na­tá­rio”, afir­mou Sil­vio Almei­da.

O minis­tro sali­en­tou que a aten­ção à polí­ti­ca peni­ten­ciá­ria foi reco­men­da­da pelo pró­prio pre­si­den­te Lula e dis­se que os temas fun­da­men­tais são repres­são às diver­sas for­mas de tor­tu­ra, o desen­car­ce­ra­men­to den­tro da legis­la­ção e melho­res con­di­ções de tra­ba­lho dos pro­fis­si­o­nais do sis­te­ma peni­ten­ciá­rio.

Prevenção à tortura

A sole­ni­da­de de rea­ti­va­ção do Sis­te­ma Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra repre­sen­tan­tes dos minis­té­ri­os dos Direi­tos Huma­nos, da Jus­ti­ça e Segu­ran­ça Públi­ca e das Rela­ções Exte­ri­o­res, além de mem­bros de comi­tês esta­du­ais e Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra; do Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça, minis­té­ri­os públi­cos, defen­so­res públi­cos, aca­dê­mi­cos e repre­sen­tan­tes de diver­sos seg­men­tos da soci­e­da­de civil.

Sil­vio Almei­da esta­be­le­ceu qua­tro metas para ori­en­tar as reu­niões do gru­po e supe­rar os pro­ble­mas naci­o­nais: dis­cus­são de meto­do­lo­gia para os pro­to­co­los e for­mu­lá­ri­os de ins­pe­ção em ins­ti­tui­ções pri­si­o­nais; redu­ção do con­tin­gen­te pri­si­o­nal, por meio, por exem­plo, da comu­ta­ção da pena (subs­ti­tui­ção de uma sen­ten­ça mais gra­ve por uma mais bran­da) e da con­ces­são de indul­to;  estí­mu­lo à rea­li­za­ção de muti­rões mul­ti­pro­fis­si­o­nais; rea­li­za­ção de recen­se­a­men­to da popu­la­ção em situ­a­ção de pri­va­ção de liber­da­de e diag­nós­ti­co dos dados.

Os par­ti­ci­pan­tes do even­to dis­cu­ti­ram for­mas de pre­ven­ção e com­ba­te à tor­tu­ra e a outros tra­ta­men­tos cruéis, desu­ma­nos ou degra­dan­tes.

A inte­gran­te do Meca­nis­mo Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra Caro­li­na Bar­re­to falou sobre a exper­ti­se adqui­ri­da pela enti­da­de nos oito anos de atu­a­ção, com a rea­li­za­ção de 167 ins­pe­ções regu­la­res em todo o ter­ri­tó­rio naci­o­nal. “Que­re­mos cola­bo­rar para sair da situ­a­ção. Esta é nos­sa prin­ci­pal pre­o­cu­pa­ção, pois esta­mos lidan­do com pes­so­as.”

O juiz auxi­li­ar do Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça Tia­go Sulz­ba­ch infor­mou que a ins­ti­tui­ção rea­li­za, des­de 2008, muti­rões car­ce­rá­ri­os para garan­tir e pro­mo­ver os direi­tos fun­da­men­tais na área pri­si­o­nal e é par­cei­ro do gover­no fede­ral. E que as audi­ên­ci­as de cus­tó­dia, que ocor­rem 24 horas após a pri­são em fla­gran­te, estão con­tri­buin­do para redu­zir a popu­la­ção car­ce­rá­ria. “Segu­ra­men­te, a imple­men­ta­ção e a uni­ver­sa­li­za­ção das audi­ên­ci­as de cus­tó­dia no âmbi­to do poder judi­ciá­rio con­tri­buí­ram para esse cami­nho”.

O secre­tá­rio Naci­o­nal de Polí­ti­cas Penais do Minis­té­rio da Jus­ti­ça e Segu­ran­ça Públi­ca, Rafa­el Velas­co, dis­se que tem par­ti­ci­pa­do de reu­niões sobre o pro­gres­so dos regi­mes penais, com dife­ren­tes ato­res. Ele lem­brou que, na sema­na pas­sa­da, um semi­ná­rio na Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (USP) deba­teu o indul­to, a pro­gres­são de regi­mes e as alter­na­ti­vas. “Esta­mos dis­cu­tin­do com os poli­ci­ais, com o Minis­té­rio Públi­co, segui­mos fazen­do o deba­te públi­co e esta­mos aber­tos a rece­ber todas as con­tri­bui­ções neces­sá­ri­as para cons­truir esse indul­to.”

A defen­so­ra Públi­ca da União Caro­li­na Cas­tro des­ta­cou que rea­ti­va­ção do Sis­te­ma Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra é a refun­da­ção do Esta­do de Direi­to no país. Caro­li­na men­ci­o­nou expe­ri­ên­ci­as rela­ta­das pelos inter­nos e dis­se que estes não que­rem pri­vi­lé­gi­os. “Só [que­re­mos] a Lei de Exe­cu­ção Penal, a pau­ta lega­lis­ta sen­do cum­pri­da.”

Encaminhamentos

A reu­nião do Sis­te­ma Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra durou cer­ca de três horas e, com base nos rela­tos fei­tos sobre tor­tu­ras e vio­la­ções de dire­tos, o Minis­té­rio dos Direi­tos Huma­nos e da Cida­da­nia lis­tou uma série de enca­mi­nha­men­tos para ori­en­tar os tra­ba­lhos dos par­ti­ci­pan­tes.

A pró­xi­ma reu­nião do SNPCT foi con­vo­ca­da para 21 de agos­to des­te ano, data que mar­ca os dez anos da lei que cri­ou o Sis­te­ma Naci­o­nal de Pre­ven­ção e Com­ba­te à Tor­tu­ra. No pró­xi­mo encon­tro, serão sis­te­ma­ti­za­dos os eixos e o pla­no de tra­ba­lho e será esta­be­le­ci­da a inter­lo­cu­ção com todas as ins­ti­tui­ções pre­sen­tes.

Edi­ção: Nádia Fran­co

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