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“Grande tristeza”, diz viúva de Merlino após decisão do STJ

Repro­du­ção: © Mar­cel­lo Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Tribunal rejeitou condenação do ex-coronel Ustra por atos de tortura


Publi­ca­do em 01/12/2023 — 07:15 Por Andre Rich­ter — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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A viú­va do jor­na­lis­ta Luiz Edu­ar­do Mer­li­no, tor­tu­ra­do e assas­si­na­do pela dita­du­ra mili­tar, cri­ti­cou a deci­são do Supe­ri­or Tri­bu­nal de Jus­ti­ça (STJ) que rejei­tou a con­de­na­ção do ex-coro­nel do Exér­ci­to Car­los Alber­to Bri­lhan­te Ustra. Para Ânge­la Men­des de Almei­da, o enten­di­men­to é uma “gran­de tris­te­za” para a famí­lia..

Na quar­ta-fei­ra (29), a Quar­ta Tur­ma do STJ negou a ten­ta­ti­va dos fami­li­a­res de Mer­li­no de serem inde­ni­za­dos pelos atos de tor­tu­ra pra­ti­ca­dos por Ustra por enten­der que o pedi­do pres­cre­veu. O ex-coro­nel mor­reu em 2015, e a ação era movi­da con­tra seus fami­li­a­res.

Após o anún­cio do resul­ta­do do jul­ga­men­to, Ânge­la afir­mou à Agên­cia Bra­sil que a deci­são mos­tra que o Judi­ciá­rio bra­si­lei­ro é con­ser­va­dor.

“É uma gran­de tris­te­za para nós e para este país, que não revi­sa o seu pas­sa­do”, afir­mou.

A viú­va tam­bém dis­se que o tri­bu­nal des­car­tou a impres­cri­ti­bi­li­da­de de cri­mes con­tra a huma­ni­da­de.

“O argu­men­to ven­ce­dor apre­sen­ta­do pela juí­za Isa­bel Gal­lot­ti reco­nhe­ce o fato como cri­mes hor­ren­dos e repug­nan­tes, mas recor­re a um arti­fí­cio buro­crá­ti­co para defi­nir que não é à pes­soa, e sim ao Esta­do, a que se deve recor­rer”, com­ple­tou.

O advo­ga­do Joel­son Dias, repre­sen­tan­te da famí­lia Mer­li­no, dis­se à Agên­cia Bra­sil que vai ao Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF) para ten­tar der­ru­bar a deci­são.

Inte­gran­te do Par­ti­do Ope­rá­rio Comu­nis­ta na épo­ca da dita­du­ra mili­tar, Mer­li­no foi pre­so em 15 de julho de 1971, em San­tos, e leva­do para a sede do DOI-Codi, então che­fi­a­do por Ustra, onde foi tor­tu­ra­do por cer­ca de 24 horas e mor­to qua­tro dias depois.

Julgamento

O STJ ana­li­sou a lega­li­da­de da deci­são do Tri­bu­nal de Jus­ti­ça de São Pau­lo (TJSP) que der­ru­bou a con­de­na­ção dos her­dei­ros de Ustra a paga­rem R$ 100 mil para a viú­va e a irmã de Mer­li­no, além de reco­nhe­cer a par­ti­ci­pa­ção do então coro­nel nas ses­sões de tor­tu­ra que mata­ram o jor­na­lis­ta.

O jul­ga­men­to come­çou em agos­to des­te ano, quan­do o rela­tor, minis­tro Mar­co Buz­zi, votou pela anu­la­ção da deci­são do tri­bu­nal pau­lis­ta e deter­mi­nou que a pri­mei­ra ins­tân­cia jul­gue o caso nova­men­te.

O rela­tor enten­deu que os cri­mes atri­buí­dos a Ustra podem ser con­si­de­ra­dos con­tra a huma­ni­da­de. Des­sa for­ma, a pre­ten­são de repa­ra­ção às víti­mas e seus fami­li­a­res não pres­cre­ve.

“A qua­li­fi­ca­ção dos atos supos­ta­men­te pra­ti­ca­dos pelo agen­te do DOI-Codi como ilí­ci­to con­tra a huma­ni­da­de impe­de a uti­li­za­ção des­se ins­ti­tu­to, con­si­de­ra­das as gra­vís­si­mas vio­la­ções come­ti­das con­tra direi­tos fun­da­men­tais e a pro­te­ção jurí­di­ca con­tra a tor­tu­ra”, afir­mou.

O minis­tro acres­cen­tou que a Lei de Anis­tia, apro­va­da em 1979 para per­do­ar cri­mes come­ti­dos duran­te a dita­du­ra, não impe­de o anda­men­to das ações inde­ni­za­tó­ri­as, que são de maté­ria cível.

A diver­gên­cia foi aber­ta com o voto da minis­tra Maria Isa­bel Galot­ti. Ela repu­di­ou os atos de tor­tu­ra, mas votou para man­ter a deci­são da jus­ti­ça pau­lis­ta ao con­si­de­rar o caso pres­cri­to.

Após suces­si­vos adi­a­men­tos, na quar­ta-fei­ra (29) o jul­ga­men­to foi reto­ma­do e, por 3 votos a 2, pre­va­le­ceu o voto diver­gen­te de Isa­bel Galot­ti con­tra o pedi­do de inde­ni­za­ção. O posi­ci­o­na­men­to foi segui­do pelos minis­tros João Otá­vio de Noro­nha e Raul Araú­jo. O minis­tro Anto­nio Car­los Fer­rei­ra acom­pa­nhou o rela­tor e votou pela inde­ni­za­ção.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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