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Gravuras de sítio arqueológico são vistas durante seca em Manaus

Repro­du­ção: © Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

É a segunda vez que os desenhos rupestres podem ser observados


Publi­ca­do em 24/11/2023 — 08:08 Por Luci­a­no Nas­ci­men­to — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Manaus

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As gra­vu­ras rupes­tres que apa­re­ce­ram com a seca no Rio Negro são tes­te­mu­nhos do modo de vida dos povos que vivi­am na região de Manaus no perío­do pré-colo­ni­al, é o que afir­ma o arqueó­lo­go Jai­me Oli­vei­ra, do Ins­ti­tu­to do Patrimô­nio His­tó­ri­co e Artís­ti­co Naci­o­nal (Iphan). Esta é a segun­da vez que aflo­ram as gra­vu­ras do sítio arque­o­ló­gi­co Pon­ta das Lajes, com data esti­ma­da de 2 mil a mil anos. O pri­mei­ro regis­tro foi em 2010, duran­te seca simi­lar à que ocor­re este ano. Segun­do Oli­vei­ra, des­ta vez no entan­to foi pos­sí­vel obser­var quan­ti­da­de mai­or de figu­ras.

Loca­li­za­do às mar­gens do Rio Negro, o sítio tem área de apro­xi­ma­da­men­te 150 mil metros qua­dra­dos (m²), que com­por­ta uma praia cober­ta de lajes de pedra. No blo­co é pos­sí­vel obser­var gra­vu­ras que repro­du­zem ros­tos huma­nos, ima­gens de ani­mais, além de cor­tes nas rochas que mos­tram resul­ta­dos de ofi­ci­nas líti­cas, onde os povos indí­ge­nas fabri­ca­vam as fer­ra­men­tas que usa­vam, como macha­di­nhas.

À Agên­cia Bra­sil, Oli­vei­ra dis­se que além de ser um local onde as popu­la­ções pré-colo­ni­ais fabri­ca­vam arte­fa­tos líti­cos, uti­li­zan­do os amo­la­do­res, poli­do­res fixos, em depres­sões ou cavi­da­des e inci­sões, os sím­bo­los his­tó­ri­cos nas rochas tam­bém eram uti­li­za­dos pelos povos para regis­trar seus com­por­ta­men­tos soci­ais.

“Os locais que têm essas gra­vu­ras repre­sen­tam e são tes­te­mu­nho do modo de vida de popu­la­ções pré-colo­ni­ais. Nes­se sítio em espe­ci­al, Pon­ta das Lages, temos dois con­tex­tos bem dis­tin­tos — um onde há locais com ofi­ci­nas líti­cas, que são aque­les com mar­ca­do­res, amo­la­do­res, poli­do­res fixos, em que os gru­pos fabri­ca­vam suas fer­ra­men­tas, espe­ci­al­men­te a par­tir da téc­ni­ca de poli­men­to, e outro com as gra­vu­ras rupes­tres, que tinham mais a fun­ção de ser um meio de comu­ni­ca­ção soci­al entre os gru­pos. As gra­vu­ras per­mi­ti­am a comu­ni­ca­ção entre um gru­po e tam­bém, de for­ma exter­na, com outros”, com­ple­men­tou Oli­vei­ra.

Manaus (AM), 21/11/2023, Gravuras rupestres encontradas em pedras da Ponta das Lajes, na zona leste de Manaus, na maior seca em 121 anos que Manaus vem sofrendo. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Manaus — Gra­vu­ras rupes­tres encon­tra­das em pedras da Pon­ta das Lajes, na zona les­te de Manaus — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

Tam­bém já foram encon­tra­dos no bar­ran­co peda­ços de peças de cerâ­mi­cas. Segun­do Oli­vei­ra, a data delas é fei­ta com base na com­pa­ra­ção com outras peças e regis­tros encon­tra­dos em síti­os simi­la­res, como o Care­tas, no Rio Uru­bu, no muni­cí­pio de Ita­co­a­ti­a­ra, a 175 quilô­me­tros de Manaus, na Reser­va de Pre­ser­va­ção Per­ma­nen­te Natu­ral (RPPN) Dr. Dai­sa­ku Ike­da.

“Essas gra­vu­ras rupes­tres não são pos­sí­veis de serem data­das, no entan­to, a gen­te esta­be­le­ce uma cro­no­lo­gia e uma data­ção rela­ti­va, a par­tir da asso­ci­a­ção com as ocu­pa­ções em síti­os limí­tro­fes como Pon­ta das Lages. Ao lado des­se sítio temos mais três — O Lages, Dai­sa­ku Ike­da e o Por­to Encon­tro das Águas”, afir­mou o arqueó­lo­go. “Essas gra­vu­ras rupes­tres têm data­ção rela­ti­va de apro­xi­ma­da­men­te 2 mil a mil anos. Elas per­ten­cem aos gru­pos, aos povos ori­gi­ná­ri­os, aos povos nati­vos que vivi­am nes­sa região em um pas­sa­do bem dis­tan­te. Já temos um apro­fun­da­men­to das pes­qui­sas arque­o­ló­gi­cas, que con­se­guem demons­trar que essa região foi den­sa­men­te ocu­pa­da no perío­do pré-colo­ni­al. Tínha­mos orga­ni­za­ções de soci­e­da­des bem com­ple­xas e pode­mos veri­fi­car isso a par­tir tam­bém do sítio Pon­ta das Lajes, dada a com­ple­xi­da­de de pro­du­ção des­sas gra­vu­ras”, infor­mou.

Preservação

Manaus (AM), 21/11/2023, Ponta das Lajes, na zona leste de Manaus, local onde gravuras rupestres foram encontradas devido a maior seca em 121 anos que Manaus vem sofrendo. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Manaus — Pon­ta das Lajes, onde gra­vu­ras rupes­tres foram encon­tra­das duran­te a mai­or seca em 121 anos — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

O sítio está situ­a­do na região do bair­ro Colô­nia Antô­nio Alei­xo e é fre­quen­ta­do por mora­do­res como opção de lazer, em razão do are­al que con­tor­na a laje de pedra. Ao redor, é pos­sí­vel ver lixo acu­mu­la­do pelos visi­tan­tes que vão à área em dias de lazer para banhar-se no rio e pes­car. Em nota, o Iphan infor­mou que já rea­li­zou ati­vi­da­des com volun­tá­ri­os para a reti­ra­da de lixo do local.

O ins­ti­tu­to dis­se ain­da que man­tém roti­na de vis­to­ria e fis­ca­li­za­ção em Pon­ta das Lajes e que já aci­o­nou os órgãos de segu­ran­ça para evi­tar pos­sí­veis danos aos bens arque­o­ló­gi­cos, espe­ci­al­men­te a Polí­cia Fede­ral e a Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca de Manaus.

De acor­do com o Iphan, a vazan­te do rio se apre­sen­ta como opor­tu­ni­da­de para iden­ti­fi­ca­ção, reco­nhe­ci­men­to e atu­a­li­za­ção para fins de pes­qui­sa e fomen­to do patrimô­nio arque­o­ló­gi­co da região. O ins­ti­tu­to lem­bra que a situ­a­ção tam­bém “deman­da total e irres­tri­ta soli­da­ri­e­da­de às/aos ama­zo­nen­ses atingidas/os pelos efei­tos da seve­ra esti­a­gem em cur­so.”

“Con­si­de­ra­mos o momen­to opor­tu­no para o for­ta­le­ci­men­to dos tra­ba­lhos de arque­o­lo­gia no Ama­zo­nas e na região, prin­ci­pal­men­te ali­an­do edu­ca­ção patri­mo­ni­al à ambi­en­tal, em vir­tu­de dos impac­tos que as mudan­ças cli­má­ti­cas podem ter no patrimô­nio arque­o­ló­gi­co, além de sem­pre valo­ri­zar o sig­ni­fi­ca­do que esses ter­ri­tó­ri­os têm para os povos ori­gi­ná­ri­os”, dis­se a supe­rin­ten­den­te do Iphan no Ama­zo­nas, Bea­triz Calhei­ro de Abreu Eva­no­vick.

Seca

O esta­do do Ama­zo­nas enfren­ta seca seve­ra. De acor­do com a Defe­sa Civil, todos os 62 muni­cí­pi­os do esta­do per­ma­ne­cem em situ­a­ção de emer­gên­cia. Divul­ga­do quar­ta-fei­ra (22), bole­tim infor­ma que são 598 mil pes­so­as e 150 mil famí­li­as afe­ta­das. No perío­do de 1º de janei­ro a 20 de novem­bro des­te ano, foram regis­tra­dos 19.404 focos de calor no esta­do, dos quais 2.805 na região metro­po­li­ta­na de Manaus.

Manaus (AM), 22/11/2023, Embarcações e Flutuantes encalhados na comunidade de Nossa Senhora de Fátima, devido ao nível baixo do rio Igarapé Tarumã-açu, na maior seca em 121 anos que Manaus vem sofrendo. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Manaus — Embar­ca­ções e flu­tu­an­tes enca­lha­dos na comu­ni­da­de de Nos­sa Senho­ra de Fáti­ma, devi­do ao nível bai­xo do Rio Iga­ra­pé Taru­mã-açu — Foto Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

Nes­sa quin­ta-fei­ra (23), a chu­va retor­nou à capi­tal ama­zo­nen­se, depois de a cida­de ficar, nos últi­mos dias, sob uma nuvem de fuma­ça cau­sa­da por incên­di­os. A pre­vi­são do Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Mete­o­ro­lo­gia (Inmet) é que as chu­vas se esten­dam até o fim de sema­na na capi­tal ama­zo­nen­se.

O Rio Negro, que em 27 de outu­bro atin­giu cota míni­ma his­tó­ri­ca na medi­ção do Por­to de Manaus, com 12,70 metros, vem subin­do aos pou­cos. Ontem, o nível esta­va em 13,47 metros.

O aumen­to no volu­me do lei­to do rio é aguar­da­do por pes­ca­do­res e ribei­ri­nhos que dese­jam reto­mar suas ati­vi­da­des. Eles enfren­tam difi­cul­da­des de loco­mo­ção e rela­tam sofrer “aban­do­no” por par­te do poder públi­co local e esta­du­al. Entre os pro­ble­mas enfren­ta­dos estão a fal­ta de ces­tas bási­cas, de aces­so à água potá­vel e ener­gia elé­tri­ca.

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