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Grupo yanomami vive às margens da BR-174 em Boa Vista

Repro­du­ção: © Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

Sem redes suficientes, parte da família dorme sobre papelão


Publi­ca­do em 13/02/2023 — 17:17 Por Vitor Abda­la — Envi­a­do espe­ci­al — Boa Vis­ta

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Um gru­po com cer­ca de 20 yano­ma­mi, a mai­o­ria cri­an­ças, tem vivi­do às mar­gens de um aces­so à BR-174, em Boa Vis­ta, capi­tal de Rorai­ma. A situ­a­ção de viver como um sem-teto em uma cida­de é mais um refle­xo da tra­gé­dia huma­ni­tá­ria que o povo indí­ge­na tem enfren­ta­do nos últi­mos anos.

Hugo Yano­ma­mi não sabe dizer sua ida­de, mas apa­ren­ta ser ido­so. Fala pou­co o por­tu­guês, o que difi­cul­ta a comu­ni­ca­ção com a repor­ta­gem, mas sua prin­ci­pal recla­ma­ção é que não há redes para que todos pos­sam dor­mir. Alguns pre­ci­sam dor­mir no chão, entre a cal­ça­da e um ter­re­no bal­dio, sobre cai­xas de pape­lão dobra­das. “Pre­ci­sa de rede. Tô dor­min­do no chão e dói as cos­tas”, recla­ma.

Ele con­ta que fugi­ram da ter­ra indí­ge­na por­que não tinham o que comer e por­que foram ata­ca­dos por homens de outra comu­ni­da­de. A cida­de pare­ceu uma opção para eles con­se­gui­rem se esta­be­le­cer e ten­tar con­se­guir comi­da.

Boa Vista (RR), 13-02-2023, Mulher yanomami alimenta o filho em rede no acampamento montado às margens da BR-174 onde vive a família. Eles contam que andaram mais de 10 dias para chegar em Boa Vista.

Repro­du­ção: Mulher yano­ma­mi ali­men­ta filho em rede no acam­pa­men­to mon­ta­do às mar­gens da BR-174 — Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

Na bus­ca por ali­men­tos, cri­an­ças e mulhe­res do gru­po se des­lo­cam até uma rua pró­xi­ma, Estre­la D’Alva, e se sen­tam em fren­te a uma pada­ria. Cláu­dia Yano­ma­mi segu­ra no colo um bebê, seu neto, que apa­ren­ta ter ape­nas alguns dias de vida.

Ela espe­ra que as pes­so­as os aju­dem com doa­ções em ali­men­to e dinhei­ro. Enquan­to ten­ta con­for­tar o bebê famin­to, Cláu­dia pede arroz, fari­nha, açú­car e sal. Tam­bém que­rem pei­xe. Alguém se pro­põe a aju­dar e, no mer­ca­do, as opções de pes­ca­do são matrin­xã e tam­ba­qui.

Naua Yano­ma­mi, outra mulher do gru­po, esco­lhe um tam­ba­qui. O pei­xe é gran­de, mas tama­nho é rela­ti­vo, quan­do se tem um gru­po famin­to de cer­ca de 20 pes­so­as. Cláu­dia pede taba­co. Se não tem no mer­ca­do, acei­ta dinhei­ro para com­prar em outro lugar. Mas­car taba­co é par­te da cul­tu­ra yano­ma­mi.

Boa Vista (RR), 13-02-2023, Cláudia Yanomami alimenta o neto recém nascido na calçada da rua Estrela D'Alva. Ela faz parte de um grupo de cerca de 20 yanomami sem teto que estão acampados às margens da BR-174.
Repro­du­ção: Cláu­dia Yano­ma­mi ali­men­ta neto recém-nas­ci­do na cal­ça­da da Rua Estre­la D’Al­va, em Boa Vis­ta — Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

Hugo tam­bém quer taba­co. Con­ver­san­do com a repor­ta­gem, ele apon­ta para a boca e simu­la uma mas­ti­ga­ção. “Taba­co é bom”.

Eles não sabem o que vão fazer no futu­ro, mas não pre­ten­dem ir para a Casa de Apoio à Saú­de do Índio (Casai). Por enquan­to, vivem como sem-teto na cida­de de Boa Vis­ta, dor­min­do sobre pape­lão e con­tan­do com a soli­da­ri­e­da­de de outras pes­so­as para sobre­vi­ver.

Edi­ção: Nádia Fran­co

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