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Ibaneis: documento achado na casa de Torres revela intenção de golpe

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Governador passou 64 dias afastado do comando do DF


Publi­ca­do em 16/03/2023 — 14:45 Por Alex Rodri­gues — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O gover­na­dor do Dis­tri­to Fede­ral, Iba­neis Rocha, dis­se hoje (16) que o ras­cu­nho de um even­tu­al decre­to pre­si­den­ci­al apre­en­di­do na casa do ex-minis­tro da Jus­ti­ça e Segu­ran­ça Públi­ca do gover­no Bol­so­na­ro, Ander­son Tor­res, reve­la que “alguém” che­gou a pla­ne­jar um gol­pe de Esta­do.

“Inde­pen­den­te­men­te de não ter a assi­na­tu­ra de nin­guém, o docu­men­to reve­la que, em algum momen­to, alguém pen­sou em dar um gol­pe no Bra­sil. Reve­la que havia na cabe­ça de alguém a inten­ção de dar um gol­pe [de Esta­do]”, decla­rou Iba­neis em sua pri­mei­ra cole­ti­va de impren­sa depois que o minis­tro do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF) Ale­xan­dre de Mora­es o auto­ri­zou a reas­su­mir o car­go.

O gover­na­dor pas­sou 64 dias afas­ta­do do coman­do do Poder Exe­cu­ti­vo dis­tri­tal. O afas­ta­men­to foi deter­mi­na­do por Mora­es após o dia 8 de janei­ro, quan­do vân­da­los e gol­pis­tas inva­di­ram e depre­da­ram o Palá­cio do Pla­nal­to, o Con­gres­so Naci­o­nal e o pré­dio da Supre­ma Cor­te.

Ini­ci­al­men­te, Mora­es deter­mi­nou que Iba­neis per­ma­ne­ces­se 90 dias afas­ta­do do gover­no do Dis­tri­to Fede­ral para não atra­pa­lhar as inves­ti­ga­ções sobre as res­pon­sa­bi­li­da­des das auto­ri­da­des públi­cas quan­to aos atos anti­de­mo­crá­ti­cos de 8 de janei­ro. Ape­sar dis­so, ontem (15), o pró­prio Mora­es auto­ri­zou Iba­neis a reas­su­mir o car­go.

Já o ex-minis­tro Ander­son Tor­res, que assu­miu a Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca do Dis­tri­to Fede­ral no dia 2 de janei­ro, está pre­so des­de o dia 14 de janei­ro. Sua deten­ção tam­bém foi auto­ri­za­da por Mora­es, a pedi­do da Polí­cia Fede­ral (PF), que o acu­sou de, já na con­di­ção de secre­tá­rio dis­tri­tal, ter sido omis­so e faci­li­ta­do os atos anti­de­mo­crá­ti­cos de 8 de janei­ro. A minu­ta do decre­to cita­da por Iba­neis foi encon­tra­da na casa de Tor­res, por poli­ci­ais fede­rais que cum­pri­am um man­da­do de bus­ca e apre­en­são. Se colo­ca­da em prá­ti­ca, a medi­da pos­si­bi­li­ta­ria que o resul­ta­do das últi­mas elei­ções pre­si­den­ci­ais fos­se inva­li­da­do. Em depoi­men­to, Tor­res des­qua­li­fi­cou o docu­men­to, dizen­do que seu teor não tem “via­bi­li­da­de jurí­di­ca”. Ele tam­bém asse­gu­rou à PF que não sabe quem redi­giu o tex­to, que rece­beu quan­do minis­tro da Jus­ti­ça.

“O Ander­son Tor­res foi meu secre­tá­rio de Segu­ran­ça entre 2019 e 2021. É uma pes­soa que goza da minha con­fi­an­ça. Goza­va. E quan­do o [ex-]presidente Bol­so­na­ro per­deu a elei­ção, enten­di que ele seria uma boa pes­soa para vol­tar para o gover­no do Dis­tri­to Fede­ral”, dis­se Iba­neis, expli­can­do o moti­vo de ter con­vi­da­do Tor­res para reas­su­mir a Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca após a fim da ges­tão Bol­so­na­ro.

“Ago­ra, o que acon­te­ceu no 8 de janei­ro é uma coi­sa impre­vi­sí­vel. Até o dia 6 de janei­ro, não tínha­mos nenhu­ma pers­pec­ti­va de que ia acon­te­cer aqui­lo. Os ôni­bus come­ça­ram a che­gar ao DF nos dias 6 e 7 [de janei­ro]. Tive­mos aque­le pro­ble­ma todo, mas, na minha visão, não foi cul­pa do Ander­son. Acho que foi um con­jun­to”, acres­cen­tou o gover­na­dor, mini­mi­zan­do a res­pon­sa­bi­li­da­de do então secre­tá­rio dis­tri­tal de Segu­ran­ça que, na vés­pe­ra dos ata­que aos pré­di­os públi­cos, via­jou para os Esta­dos Uni­dos, de féri­as.

Embo­ra esti­ves­se à fren­te da pas­ta havia ape­nas cin­co dias, Tor­res já tinham fei­to uma série de mudan­ças nos pos­tos de coman­do da segu­ran­ça públi­ca. Ape­sar dis­so, para Iba­neis, o que hou­ve naque­le dia em que milha­res de pes­so­as avan­ça­ram sobre os pré­di­os públi­cos dian­te de um núme­ro insu­fi­ci­en­te de agen­tes públi­cos foi um “apa­gão geral” que aco­me­teu inclu­si­ve tro­pas sob o coman­do do gover­no fede­ral.

Brasília (DF), 16/03/2023 - O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante entrevista coletiva para falar sobre seu retorno ao governo após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Repro­du­ção:> O gover­na­dor do DF, Iba­neis Rocha, duran­te entre­vis­ta cole­ti­va para falar sobre seu retor­no ao gover­no após deter­mi­na­ção do minis­tro Ale­xan­dre de Mora­es — Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

“O que acon­te­ceu foi um apa­gão geral. Eu mes­mo rece­bi men­sa­gens do secre­tá­rio de Segu­ran­ça Públi­ca em exer­cí­cio [Fer­nan­do de Sou­sa Oli­vei­ra] dizen­do que as coi­sas esta­vam extre­ma­men­te tran­qui­las. Hou­ve falhas da Polí­cia Mili­tar. No Palá­cio do Pla­nal­to, que tem um bata­lhão a sua dis­po­si­ção, hou­ve um rela­xa­men­to total. A For­ça Naci­o­nal de Segu­ran­ça Públi­ca tam­bém não atu­ou. Foram diver­sas falhas em con­jun­to, e as inves­ti­ga­ções em cur­so vão apu­rar tudo isso”, enfa­ti­zou Iba­neis.

O gover­na­dor ain­da lem­brou que, após o que­bra-que­bra ocor­ri­do em 12 de dezem­bro, quan­do mani­fes­tan­tes ten­ta­ram inva­dir o pré­dio-sede da Polí­cia Fede­ral, no cen­tro de Bra­sí­lia, o gover­no do Dis­tri­to Fede­ral ten­tou des­mo­bi­li­zar o acam­pa­men­to mon­ta­do em fren­te ao Quar­tel Gene­ral do Exér­ci­to, em Bra­sí­lia, onde par­te das pes­so­as que pos­te­ri­or­men­te par­ti­ci­pa­ram da depre­da­ção dos pré­di­os públi­cos esta­va con­cen­tra­da.

“Ao menos duas vezes ten­ta­mos tirar os mani­fes­tan­tes da por­ta do QG do Exér­ci­to. Como em 12 de dezem­bro já tinham quei­ma­do ôni­bus e fei­to o que fize­ram, sabía­mos que aqui­lo era um bar­ril de pól­vo­ra, mas nas duas vezes fomos impe­di­dos pelo Coman­do do Exér­ci­to”, garan­tiu Iba­neis. “Ain­da assim, no 8 de janei­ro, a infor­ma­ção que eu tinha era que as coi­sas esta­vam pací­fi­cas. Por isso eu não tinha como ter outra pos­tu­ra. Hoje, olhan­do para trás, é fácil ava­li­ar que algo dife­ren­te pode­ria ter sido fei­to, mas fiz aqui­lo que esta­va den­tro da minha com­pe­tên­cia, a par­tir das infor­ma­ções que eu tinha na oca­sião.”

Sobre seu afas­ta­men­to, Iba­neis afir­mou que foram dias mui­to difí­ceis, mas que enten­de terem sido neces­sá­ri­os. “É com mui­ta ale­gria que vol­to ao Palá­cio do Buri­ti. Rece­bi a deci­são de meu afas­ta­men­to com res­pei­to, paci­ên­cia e pas­sei por este perío­do com toda resi­li­ên­cia. Não tenho mágoa, ran­cor ou rai­va de nin­guém. E, embo­ra tenha toma­do um gran­de sus­to, enten­di a rea­ção do minis­tro Ale­xan­dre de Mora­es. O que ocor­reu em 8 de janei­ro foi mui­to gra­ve e [a deci­são de Mora­es] foi neces­sá­ria”.

Edi­ção: Juli­a­na Andra­de

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