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Impactos da pandemia: sobreviventes contam sobre a vida após a covid

Repro­dução: © 28/10/2021/Fernando Frazão/Agência Brasil

Veja os efeitos do vírus que parou o mundo na vida dos que ficaram


Pub­li­ca­do em 11/03/2023 — 13:51 Por Lud­mil­la Souza — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

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A pan­demia deixou muitos impactos nas vidas dos sobre­viventes da covid-19 e dos famil­iares que perder­am alguém para a doença. Para essas pes­soas, o pesade­lo ain­da não pas­sou. No caso da enfer­meira Heloísa Gar­cia Claro Fer­nan­des, por exem­p­lo, a doença assom­brou durante todo um ano.

Heloísa con­traiu covid-19 três vezes em 2022. Na primeira, esta­va no séti­mo mês de ges­tação de seu ter­ceiro fil­ho. “Fre­quen­ta­va muitos serviços de saúde por con­ta do pré-natal. Provavel­mente peguei enquan­to fazia ultra­ssom”. Por estar no grupo de risco, ela teve muito medo.

“No Brasil teve uma gravi­dade maior de letal­i­dade entre as ges­tantes. Obvi­a­mente, não foi fácil quan­do eu desco­bri que esta­va com covid. Ten­ho certeza que se eu não tivesse me vaci­na­do teria sido muito pior, porque a gente vê os dados. A vaci­na impediu os casos graves”.

Ela con­ta que, além da baixa sat­u­ração, teve out­ros sin­tomas mais pesa­dos de covid-19 na primeira vez que con­traiu no ano pas­sa­do. “Pas­sei a gravidez inteira evi­tan­do sair, de estar jun­to da família, pois era do grupo de risco. Então me privei de várias coisas e acabei pegan­do [covid-19] quase no final da ges­tação. E eu ten­ho sinusite e rinite alér­gi­ca, o que ficou bem ‘ata­ca­do’. Eu fiquei prati­ca­mente de janeiro até o final do ano pas­sa­do com tosse o tem­po todo”.

A enfer­meira, que tam­bém é pro­fes­so­ra de saúde men­tal na Uni­ver­si­dade Estad­ual de Camp­inas (Uni­camp), relem­bra tam­bém que os con­hec­i­men­tos de sua profis­são a aju­daram durante uma viagem. “A gente tin­ha ido a pas­seio numa cidade peque­na do litoral, mas tive os primeiros sin­tomas ain­da em São Paulo. Quan­do esta­va lá [no litoral], fiz o teste no segun­do dia, mas não tin­ha como ir para o pron­to-socor­ro ali, afas­ta­da de tudo. Como eu sou enfer­meira, pedi aju­da para os meus ami­gos que são profis­sion­ais da saúde, pois sei que nem toda med­icação pode ser toma­da na ges­tação. Então fiz a con­sul­ta por tele­fone, foi o que me aju­dou, pas­sar com um profis­sion­al para me ori­en­tar”.

Além de Heloísa, a família toda, o mari­do e os dois fil­hos, testou pos­i­ti­vo. “Depois ain­da tive [covid] em jun­ho, quan­do o meu bebê era pequenin­in­ho, e tam­bém em novem­bro, mes­mo depois de tomar todas as dos­es da vaci­na. Se eu tive alter­ação de sat­u­ração quan­do esta­va grávi­da, mes­mo vaci­na­da, imag­i­na se eu não tivesse toma­do?”.

Sequelas

O pres­i­dente do Con­sel­ho Estad­ual de Saúde do Rio Grande do Sul (CES-RS), Clau­dio Augus­tim, de 66 anos, já defendia pro­to­co­los mais efe­tivos de pro­teção à covid-19 quan­do ele mes­mo, em dezem­bro de 2020, pegou o vírus, mes­mo toman­do todas as pre­cauções. Entrou no hos­pi­tal com pneu­mo­nia bac­te­ri­ana e dias depois foi diag­nos­ti­ca­do com o coro­n­avírus. A par­tir de então, sua situ­ação de saúde só piorou.

“Fiquei muitas sem­anas entuba­do. Peguei 20 pneu­mo­nias no hos­pi­tal. Acordei da sedação em fevereiro, mas só me dei con­ta que esta­va vivo, que tin­ha con­sciên­cia, em abril. Vim para casa em agos­to [de 2021] e só me ali­men­ta­va por son­da, nem água podia tomar”, rela­ta.

O perío­do no hos­pi­tal foi pesa­do, ele con­ta. “Tomei mui­ta mor­fi­na para a dor. Como tive câncer no pul­mão, só ten­ho parte do pul­mão esquer­do, com isso eu não podia virar para o lado esquer­do, e com as pneu­mo­nias, meu pul­mão dire­ito tam­bém esta­va com­pro­meti­do”. Muitas vezes, ele pen­sou que ia mor­rer. “Min­ha fil­ha dizia: pai, você já pas­sou por tan­ta coisa e chegou até aqui, não é ago­ra que vai mor­rer. E eu seguia vivo!”.

“Mes­mo assim, depois de todos as vaci­nas, peguei nova­mente a covid”, relem­bra. Em novem­bro do ano pas­sa­do, foi infec­ta­do mais uma vez, em casa, ape­sar de todos os pro­to­co­los con­tin­uarem firmes na residên­cia: quem o visi­ta pre­cisa estar de más­cara, lavar as mãos e pas­sar álcool, além de man­ter a dis­tân­cia mín­i­ma.

Para Clau­dio, as infor­mações ofi­ci­ais com os números dos recu­per­a­dos da covid não sig­nifi­cam exata­mente um dado pos­i­ti­vo. “Recu­per­a­da é aque­la pes­soa que não está mais trans­mitin­do a doença. Mas tem muitas seque­las que atingem as pes­soas. Mui­ta gente, por exem­p­lo, desen­volveu dia­betes depois, prob­le­mas men­tais e out­ras doenças. São as seque­las da covid. Até em pes­soas que tiver­am a doença, mas ficaram ass­in­tomáti­cas, elas apare­ce­r­am”.

Ele man­tém as ativi­dades do con­sel­ho ain­da de casa. Faz tudo de for­ma vir­tu­al, não par­tic­i­pa de mais nada pres­en­cial­mente. Um das pro­postas foi o Comitê Estad­ual em Defe­sa das Víti­mas da covid, que tra­bal­ha nas reivin­di­cações e ampli­ação dos recur­sos públi­cos para atendi­men­to às víti­mas com seque­las da doença. O comitê entrou com uma ação, em 2021, jun­to aos dep­uta­dos, para aprovar uma emen­da garan­ti­n­do a apli­cação de 12% de arrecadação de impos­tos na área da saúde, como pre­vis­to na Con­sti­tu­ição Fed­er­al.

“O Esta­do deve des­ti­nar 12% para a área da saúde públi­ca, mas não esta­va des­ti­nan­do o per­centu­al. A emen­da não foi aprova­da. Este ano, vamos ten­tar nova­mente, para que ess­es recur­sos sejam usa­dos na recu­per­ação das pes­soas com seque­las da covid e para a atenção bási­ca, o que é muito impor­tante. Porque, se há atenção e pre­venção, as pes­soas não adoe­cem tan­to”, desta­ca.

Clau­dio con­ver­sa bem, ain­da que ten­ha uma tosse entre as falas, mas já pre­cisou faz­er sessões de fonoau­di­olo­gia quase diárias. Hoje, faz fisioter­apia cin­co vezes por sem­ana, acom­pan­hamen­to psi­cológi­co e o serviço de enfer­magem é 24 horas. A fil­ha, que é médi­ca neu­rol­o­gista, o visi­ta com fre­quên­cia para aval­iá-lo tam­bém e ele segue acom­pan­hado pelo médi­co que o assiste há 20 anos, onde mora, em Por­to Ale­gre (RS).

“Até hoje eu não con­si­go sair de casa soz­in­ho. A min­ha mão dire­i­ta está caí­da, sem força, e com isso eu não con­si­go escr­ev­er, pois sou destro. Nem sei se con­seguirei um dia”, lamen­ta. Out­ra sequela, ele diz, são as crises de ansiedade. “Tem hora que não con­si­go res­pi­rar, é mais uma sequela bas­tante ruim”, com­ple­ta Clau­dio.

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Legados perdidos

Lega­do pode ser definido como algo que fica para a pos­teri­dade após o fim de um ciclo, de uma vida, sejam obras mate­ri­ais ou não. Ou seja, como alguém será lem­bra­do pela história, ami­gos e famil­iares. Uma dessas víti­mas da covid-19 deixou um lega­do de estu­dos sobre os tubarões na cos­ta per­nam­bu­cana.

O pro­fes­sor e pesquisador Fábio Hissa Vieira Hazin mor­reu em 2021, víti­ma de covid-19, em Recife, aos 57 anos. Hazin era refer­ên­cia em pesquisa sobre a megafau­na mar­in­ha. Grad­u­a­do em Engen­haria de Pesca pela Uni­ver­si­dade Fed­er­al Rur­al do Per­nam­bu­co (UFRPE), o pro­fes­sor pos­suía mestra­do e doutora­do em Marine Sci­ence and Technology/ Fish­eries Oceanog­ra­phy na Tokyo Uni­ver­si­ty of Marine Sci­ence and Tech­nol­o­gy; e pós-doutora­do em Avali­ação de Esto­ques de Recur­sos Pesqueiros Pelági­cos Migratórios no South­east Fish­eries Sience Cen­ter, em Mia­mi (EUA).

Tam­bém obteve espe­cial­iza­ção em Dire­ito Inter­na­cional do Mar, pela Rhodes Acad­e­my (Cen­ter for Oceans Law and Policy/ Uni­ver­si­ty of Vir­ginia School of Law). Em 2015, exerceu o car­go de Secretário Nacional de Pesca do Min­istério da Pesca e Aqui­cul­tura e, interi­na­mente, de Min­istro de Esta­do da Pesca e da Aqui­cul­tura.

Sua atu­ação prin­ci­pal era em Oceanografia Pesqueira e Engen­haria de Pesca, com ênfase em grandes peix­es pelági­cos (atuns, agul­hões, tubarões), atuan­do prin­ci­pal­mente em biolo­gia repro­du­ti­va, dis­tribuição, com­por­ta­men­to, migração; Gestão Pesqueira e Dire­ito Inter­na­cional do Mar e exerceu diver­sos car­gos rel­e­vantes no Brasil e no mun­do.

Hazin foi pro­fes­sor asso­ci­a­do da UFRPE, no Cur­so de Engen­haria de Pesca e no Pro­gra­ma de Pós-grad­u­ação em Recur­sos Pesqueiros e Aqui­cul­tura, e na UFPE, no Pro­gra­ma de Pós-grad­u­ação em Oceanografia. Até adoe­cer, era coor­de­nador Ger­al Cien­tí­fi­co do Pro­gra­ma Arquipéla­go de São Pedro e São Paulo.

Brasília (DF) - Especial 3 anos de pandemia, Impactos da pandemia: sobreviventes contam como está a vida após a Covid, na foto os professores Paulo Oliveira (e) e Fábio Hissa Vieira Hazin (d). Foto: Divulgaçāo
Repro­dução: Sobre­viventes con­tam como está a vida após a Covid, na foto os pro­fes­sores Paulo Oliveira (e) e Fábio Hissa Vieira Hazin (d). Foto: Arqui­vo pes­soal

O cur­rícu­lo é ain­da mais exten­so, com diver­sas par­tic­i­pações em palestras, comitês e comis­sões. Mas, sua atu­ação como pro­fes­sor era sin­gu­lar, con­ta um de seus ex-alunos e atu­al pro­fes­sor e pesquisador do Depar­ta­men­to de Pesca e Aqui­cul­tura da UFRPE, Paulo Oliveira. “Ele era incrív­el em sala de aula! Extrema­mente didáti­co, usa­va exem­p­los e analo­gias sim­ples para explicar diver­sos proces­sos oceanográ­fi­cos. As aulas min­istradas por ele eram sem­pre riquís­si­mas e reple­tas de infor­mações, tan­to que era muito comum os alunos gravarem para não perder nen­hu­ma infor­mação”.

Na opinião do ex-aluno e cole­ga de profis­são, o oceanó­grafo foi um dos lega­dos per­di­dos para a covid. “Infe­liz­mente. Mes­mo sendo muito cuida­doso, o pro­fes­sor usa­va sem­pre duas más­caras, mes­mo assim foi infec­ta­do, testou pos­i­ti­vo cin­co dias antes da vaci­na ser lib­er­a­da para a sua faixa etária e ele esta­va con­sciente dis­so”, lamen­tou.

Para Paulo, a genial­i­dade de Hazin e sua ded­i­cação inces­sante à pesquisa ger­aram con­tribuições pre­ciosís­si­mas para a ciên­cia e gestão mar­in­ha no Brasil e no mun­do. Ele acred­i­ta que o tra­bal­ho do pesquisador for­t­ale­ceu a ciên­cia e abriu cam­in­hos para a pesquisa brasileira no cenário mundi­al. “Seu com­pro­me­ti­men­to com a trans­mis­são deste con­hec­i­men­to e capaci­dade extra­ordinária de trans­bor­dar o amor pela ciên­cia em sua oratória encan­tou e inspirou seus alunos e a todos que o ouvi­am”.

Hazin tam­bém ficou con­heci­do pelo tra­bal­ho de pesquisa sobre a pre­sença de tubarões no litoral per­nam­bu­cano e foi pres­i­dente do Comitê Estad­ual de Mon­i­tora­men­to de Inci­dentes com Tubarões (Cemit) entre 2004 e 2012.

“No litoral per­nam­bu­cano as pesquisas foram desen­volvi­das durante duas décadas, de 1994 até 2014. Quan­do as pesquisas começaram não sabíamos nem quais eram as espé­cies envolvi­das. Hoje, sabe­mos con­fir­mar quais as espé­cies envolvi­das nos ataques, o taman­ho, as áreas e perío­dos mais propí­cios para ocor­reram os inci­dentes, a existên­cia de um canal adja­cente à lin­ha de pra­ia”, expli­ca Paulo. As pesquisas em anda­men­to con­duzi­das por Hazin con­tin­u­am sendo desen­volvi­das pela equipe que tra­bal­hou com ele.

“O seu lega­do segue inspi­ran­do e ori­en­tan­do, e será sem­pre lem­bra­do como uma refer­ên­cia na for­mação de futuras ger­ações de pesquisadores. Esta­mos cer­tos de que sua ausên­cia será sem­pre ape­nas físi­ca. Ele per­manece vivo em tudo que enrique­ceu na pesquisa e gestão pesqueira e na vida de todos que com ele con­viver­am”, final­i­zou Paulo, que tam­bém teve Hazin como seu ori­en­ta­dor de mestra­do e doutora­do.

Órfãos da covid

As mortes cau­sadas pela pan­demia de covid-19 deixaram 40.830 cri­anças e ado­les­centes órfãos de mãe no Brasil, em 2020 e 2021, segun­do estu­do pub­li­ca­do por pesquisadores da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz) e da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de Minas Gerais (UFMG).

O estu­dante Lucas Luis Fer­reira da Sil­va, de 11 anos, é um dess­es. Ele perdeu a mãe para a doença em 2021. A edu­cado­ra social Clébia Kel­ly Fer­reira Pai­va mor­reu repenti­na­mente aos 37 anos, con­tou a avó do meni­no, a aux­il­iar de limpeza Nilza Fer­reira Hen­rique da Sil­va.

“Ela sen­tiu os sin­tomas e foi para ao hos­pi­tal. E a morte foi muito ráp­i­da, ela não chegou a ficar inter­na­da, a ficar ruim. Ela pas­sou mal na madru­ga­da, foi para o hos­pi­tal e não deu 20 min­u­tos, teve um infar­to e mor­reu”. Ela não tin­ha comor­bidades con­heci­das, disse Nilza, que está crian­do os netos. Clébia, que era sep­a­ra­da do mari­do, ain­da tin­ha out­ros dois fil­hos, Yas­min, de 18 anos e Pedro, de 7.

Brasília (DF) - Especial 3 anos de pandemia, Impactos da pandemia: sobreviventes contam como está a vida após a Covid, na foto Maria Enedina. Foto: Divulgaçāo
Repro­dução: Sobre­viventes con­tam como está a vida após a Covid, na foto, a avó Nilza Fer­reira com o neto, Lucas. Foto: Arqui­vo pes­soal

Nilza diz que durante o perío­do que Lucas fez acom­pan­hamen­to psi­cológi­co, ele “deu uma mel­ho­ra­da”, mas não apre­sen­ta mais pro­gres­sos. “De repente ele fica ansioso. Só no perío­do do trata­men­to que ele mudou um pouco. Mas, de sofri­men­to, ain­da con­tin­ua a mes­ma coisa”. A cri­ança descon­tin­u­ou o trata­men­to e para voltar tem que aguardar na fila.

Lucas pas­sou por atendi­men­to no Pro­gra­ma de Acol­hi­men­to ao Luto (Proalu). A ini­cia­ti­va faz atendi­men­tos pelo Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) para todo o país.

O medo da pan­demia ain­da ron­da a vida da cri­ança, con­ta Nilza. “Se ele for na esquina, ele colo­ca a más­cara. É um trau­ma que ele ficou e uma cul­pa, porque foi ele que primeiro [da família] que sen­tiu os sin­tomas, depois todos fize­mos testes e deu pos­i­ti­vo. Mas falo com ele que não é assim, que ele não tem cul­pa”.

A mãe, que perdeu a fil­ha, tam­bém sofre e se emo­ciona ao lem­brar da dor impos­ta pela morte pre­coce de Clébia. “É difí­cil, quero ten­tar nor­malizar, mas eu crio eles, que sem­pre dizem ‘estou com saudade da min­ha mãe’. Sofre­mos todos jun­tos, é uma dor que não pas­sa”.

Pessoas idosas

O risco de con­trair covid-19 é igual para todos, mas, para os idosos, por terem mais comor­bidades e a que­da da imu­nidade comum à faixa etária, a prob­a­bil­i­dade de desen­volver a for­ma grave da doença é maior.

Por essa razão, idosos e idosas são os primeiros a rece­berem a vaci­na biva­lente con­tra a covid-19, que mel­ho­ra a imu­nidade con­tra o vírus da cepa orig­i­nal, con­tra a vari­ante Ômi­cron e tem per­fil de segu­rança e eficá­cia semel­hante ao das vaci­nas mono­va­lentes, de acor­do com o Min­istério da Saúde.

No primeiro ano da pan­demia, em setem­bro de 2020, quan­do a vaci­na ain­da não esta­va disponív­el, a vende­do­ra aposen­ta­da Maria Ene­d­i­na da Sil­va, então com 80 anos, con­traiu covid-19 em For­t­aleza (CE). Sua fil­ha, a com­er­ciante Juliana Mara da Sil­va Morais, con­tou que a idosa ficou um mês inter­na­da em esta­do grave.

“Ela pegou covid logo na primeira eta­pa, no pesa­do mes­mo da pan­demia. Ficou muito mal mes­mo, foi inter­na­da em UTI, entuba­da, traque­ostomiza­da e tudo mais que você imag­i­nar”, detal­ha a fil­ha. “Além do mais, ela tin­ha pressão alta, dia­betes tipo 2, o kit com­ple­to”, brin­ca hoje, pas­sa­do o sus­to.

Brasília (DF) - Especial 3 anos de pandemia, Impactos da pandemia: sobreviventes contam como está a vida após a Covid, na foto Maria Enedina Foto: Divulgaçāo
Repro­dução: Sobre­viventes con­tam como está a vida após a Covid, na foto Maria Ene­d­i­na Foto: Arqui­vo pes­soal

Mas, ape­sar de ter pas­sa­do ven­ci­do a doença, Maria Ene­d­i­na ain­da sente seque­las deix­adas pela covid. “Nun­ca mais ela foi a mes­ma. É uma dor de cabeça que não pas­sa com med­icação nen­hu­ma, ela aman­hece o dia com dor. Todos os médi­cos que ela con­sul­ta dizem que é sequela da covid”.

Pas­sa­da a covid, Maria Ene­d­i­na, ain­da foi inter­na­da e oper­a­da, tirou uma pedra na vesícu­la. “Tudo con­se­quên­cia da pan­cre­atite agu­da, de mui­ta med­icação que foi intro­duzi­da nela”, diz Juliana. Maria Ene­d­i­na já tomou todas as dos­es da vaci­na, só fal­ta a biva­lente da Pfiz­er, afir­ma a fil­ha.

A aposen­ta­da diz que tem esper­ança de que a pan­demia acabe. “Ago­ra que a pan­demia está indo emb­o­ra meu sen­ti­men­to é de alívio. Quan­do peguei covid fiquei muito doente, só não fiz mor­rer”. Com o fim da pan­demia, ela dese­ja tam­bém o fim das seque­las. “É uma dor de cabeça que eu sin­to diari­a­mente, já acor­do com dor de cabeça, é muito triste!”.

Dores de cabeça, insô­nia, difi­cul­dade para res­pi­rar, tosse inces­sante e ansiedade são sin­tomas da chama­da covid lon­ga. Um estu­do da Fac­ul­dade de Med­i­c­i­na da Uni­ver­si­dade de São Paulo mostrou que ess­es prob­le­mas são mais fre­quentes em pacientes que foram inter­na­dos por covid-19 e tiver­am per­da mus­cu­lar.

A pesquisa acom­pan­hou 80 pacientes. Casos graves ou mod­er­a­dos que ficaram inter­na­dos no Hos­pi­tal das Clíni­cas, em São Paulo, no ano de 2020, no perío­do em que ain­da não havia vaci­nas para todos. Os par­tic­i­pantes foram acom­pan­hados durante e após o perío­do de hos­pi­tal­iza­ção.

A per­da de mas­sa mus­cu­lar cos­tu­ma ser comum durante perío­dos pro­lon­ga­dos de inter­nação. Mas o estu­do con­sta­tou que em pacientes por covid essa per­da é mais acen­tu­a­da a pon­to de, em alguns casos, com­pro­m­e­ter a mobil­i­dade da pes­soa.

Edição: Marce­lo Brandão

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