...
terça-feira ,18 junho 2024
Home / Espaço / Inmet quer participar de projeto para construção de elevador espacial

Inmet quer participar de projeto para construção de elevador espacial

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Pedido foi encaminhado à Nasa e a empresa japonesa


Publi­ca­do em 08/01/2023 — 09:08 Por Pedro Peduz­zi — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

Uma ideia que, a prin­cí­pio, pare­ce absur­da, a par­tir de 2045 pode­rá come­çar a se tor­nar rea­li­da­de: a cri­a­ção de um ele­va­dor espa­ci­al que, apro­vei­tan­do a for­ça cen­trí­fu­ga da rota­ção da Ter­ra, man­te­rá esti­ca­do um cabo de 100 mil quilô­me­tros, de for­ma a via­bi­li­zar o pri­mei­ro ele­va­dor espa­ci­al da His­tó­ria. Se tudo der cer­to, entre os cola­bo­ra­do­res des­te fan­tás­ti­co empre­en­di­men­to esta­rá o Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Mete­o­ro­lo­gia (Inmet).

O pedi­do para par­ti­ci­pa­ção no empre­en­di­men­to já foi apre­sen­ta­do pelo Inmet à agên­cia espa­ci­al nor­te-ame­ri­ca­na (Nasa) e à empre­sa japo­ne­sa Obayashi. A Chi­na tam­bém desen­vol­ve pes­qui­sas visan­do o desen­vol­vi­men­to de uma estru­tu­ra des­se tipo. Os estu­dos atu­ais abran­gem con­cei­tos, cons­tru­ção, implan­ta­ção e ope­ra­ção do ele­va­dor. Segun­do o Inmet, um pro­je­to des­sa mag­ni­tu­de pos­si­bi­li­ta­ria, ao Bra­sil, “um gran­de sal­to” econô­mi­co, soci­al e tec­no­ló­gi­co.

Vantagens

Entre as van­ta­gens pro­je­ta­das estão a redu­ção do cus­to de envio de car­gas úteis para o espa­ço; a pos­si­bi­li­da­de de trans­por­te diá­rio e em quan­ti­da­de ili­mi­ta­da de qual­quer mate­ri­al ao espa­ço; a cri­a­ção de novas esta­ções espa­ci­ais; lan­ça­men­to de estru­tu­ras frá­geis, como saté­li­tes de ener­gia solar para o for­ne­ci­men­to de ener­gia lim­pa e reno­vá­vel; pon­tos “insu­pe­rá­veis” de obser­va­ção da Ter­ra para apli­ca­ções mili­ta­res e de inte­li­gên­cia; e avan­ços nas áre­as de tele­co­mu­ni­ca­ções, mete­o­ro­lo­gia e meio ambi­en­te.

No caso espe­cí­fi­co da área de atu­a­ção do Inmet, além de pos­si­bi­li­tar o envio de novos saté­li­tes mete­o­ro­ló­gi­cos ao espa­ço (ampli­an­do a capa­ci­da­de de moni­to­ra­men­to da atmos­fe­ra), o ele­va­dor espa­ci­al auxi­li­a­rá na cober­tu­ra de áre­as remo­tas sobre oce­a­nos e con­ti­nen­tes, e favo­re­ce­rá “de manei­ra sig­ni­fi­ca­ti­va”, o desen­vol­vi­men­to da agri­cul­tu­ra bra­si­lei­ra.

“Em resu­mo, o ele­va­dor será uma estru­tu­ra de trans­por­te per­ma­nen­te alter­na­ti­vo para o espa­ço com pega­da de car­bo­no zero, poden­do movi­men­tar milhões de tone­la­das de car­ga com abor­da­gem ambi­en­tal neu­tra, além de per­mi­tir mis­sões ambi­en­tais sig­ni­fi­ca­ti­vas que vão melho­rar o meio ambi­en­te da Ter­ra”, infor­mou o Inmet.

Cabo

Para faci­li­tar a com­pre­en­são des­sa estru­tu­ra, bas­ta enten­der que o ele­va­dor espa­ci­al é uma espé­cie de tele­fé­ri­co ver­ti­cal liga­do a um cabo sob ten­são. Com a rota­ção da Ter­ra, ele se man­te­ria esti­ca­do em um pro­ce­di­men­to simi­lar ao que se tem ao amar­rar uma pedra em uma linha e girá-la.

“Os estu­dos mais avan­ça­dos sobre o tema defen­dem a ins­ta­la­ção de uma esta­ção base na super­fí­cie ter­res­tre, onde o cabo fica­ria pre­so e se esten­de­ria até 100 mil quilô­me­tros (km) de alti­tu­de. Com isso, uma das pon­tas per­ma­ne­ce­ria fixa à base, enquan­to a outra con­ti­nu­a­ria flu­tu­an­do no espa­ço pre­sa a um con­tra­pe­so, o que man­te­ria o cabo sem­pre esti­ca­do ao seguir o movi­men­to de rota­ção do pla­ne­ta. Isso por­que as for­ças con­cor­ren­tes da gra­vi­da­de na extre­mi­da­de infe­ri­or e a ace­le­ra­ção cen­trí­fu­ga na extre­mi­da­de mais dis­tan­te man­têm o cabo sob ten­são e esta­ci­o­ná­rio em uma úni­ca posi­ção na Ter­ra”, expli­cou, em nota, o Inmet.

Segun­do o ins­ti­tu­to, a esta­ção base, cha­ma­da de ânco­ra, fica­rá pro­va­vel­men­te ins­ta­la­da em alto mar, no Atlân­ti­co Sul, pró­xi­mo à linha do Equa­dor, onde não há regis­tros de tem­pes­ta­des e rai­os.

Estações

De acor­do com os pes­qui­sa­do­res, os ele­va­do­res pode­rão, ao lon­go do per­cur­so de 100 mil km, fazer “para­das estra­té­gi­cas nas órbi­tas da Ter­ra, onde, inclu­si­ve, deve­rão ser ins­ta­la­das esta­ções espa­ci­ais com inú­me­ras fina­li­da­des”.

Fogue­tes e naves espa­ci­ais pode­rão ser lan­ça­dos apro­vei­tan­do essa estru­tu­ra. Para supor­tar tama­nho peso, o mate­ri­al a ser uti­li­za­do será “alta­men­te resis­ten­te e de bai­xís­si­ma den­si­da­de”.

Um dos mate­ri­ais indi­ca­dos é o mono­cris­tal de gra­fe­no (com­pos­to por seis car­bo­nos liga­dos infi­ni­ta­men­te), tam­bém cha­ma­do de “folha de gra­fe­no”, que é cer­ca de 100 vezes mais for­te do que o aço, sen­do capaz de supor­tar tem­pe­ra­tu­ras extre­mas, ven­tos for­tes, radi­a­ção e mete­o­ri­tos.

De acor­do com os estu­dos ini­ci­ais, o cabo pode­rá ser esca­la­do por “mei­os mecâ­ni­cos (ascen­so­res por tra­ção) para a órbi­ta da Ter­ra usan­do um sis­te­ma de fei­xe de ener­gia a laser que atin­gi­rá os pai­néis foto­vol­tai­cos dos ascen­so­res e ener­gi­za­rá um motor elé­tri­co”. A ins­ta­la­ção do ele­va­dor pode­rá ser fei­ta em vári­as eta­pas e com a aju­da de gran­des fogue­tes con­ven­ci­o­nais e estru­tu­ras de espa­ço­na­ves.

“Na eta­pa ini­ci­al, o trans­por­te de todo o cabo de 100 mil km seria fei­to até a órbi­ta ter­res­tre bai­xa, onde os saté­li­tes estão abai­xo de 2 mil km. Nes­te pon­to, a espa­ço­na­ve seria mon­ta­da e, em segui­da, subi­ria com o cabo até a órbi­ta geos­sín­cro­na (35.800 km de alti­tu­de ou cer­ca de um quar­to da dis­tân­cia até a Lua). De lá, ini­ci­a­ria o des­do­bra­men­to de ambas extre­mi­da­des do cabo até a infe­ri­or atin­gir a super­fí­cie da Ter­ra e a supe­ri­or atin­gir a altu­ra de 100 mil km. O con­tra­pe­so na pon­ta supe­ri­or seria um con­jun­to for­ma­do pela espa­ço­na­ve e ascen­so­res, que, pos­te­ri­or­men­te, refor­ça­ri­am o cabo”, deta­lhou o Inmet.

Edi­ção: Valé­ria Agui­ar

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Com chuvas previstas para domingo, população de Canoas fica em alerta

Repro­du­ção: © Gus­ta­vo Mansur/ Palá­cio Pira­ti­ni Prefeitura vai reforçar a limpeza de ruas e bocas …