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Inpe: desmatamento aumenta no Cerrado e cai na Amazônia

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Dados de satélite comparam período de janeiro a abril dos últimos anos


Publi­ca­do em 06/05/2023 — 01:24 Por Pedro Rafa­el Vile­la — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O des­ma­ta­men­to aumen­tou no Cer­ra­do e caiu na Amazô­nia Legal, no acu­mu­la­do de janei­ro a abril de 2023, na com­pa­ra­ção com o mes­mo perío­do do ano pas­sa­do. Os dados são do Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Pes­qui­sas Espa­ci­ais (Inpe) cole­ta­dos a par­tir do Sis­te­ma de Detec­ção do Des­ma­ta­men­to em Tem­po Real (Deter), dis­po­ní­vel na pla­ta­for­ma Ter­ra­Bra­si­lis [http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/].

No caso da Amazô­nia, a área per­di­da foi de 1.132,45 quilô­me­tros qua­dra­dos (km2) este ano, um núme­ro cer­ca de 41% menor do que o medi­do entre janei­ro e abril do ano pas­sa­do (1.967,69 km²), mas equi­va­len­te ao des­ma­ta­men­to ocor­ri­do em 2021 (1,153,27 km²) e 2020 (1.204,15 km²).

Já o des­ma­ta­men­to no Cer­ra­do entre janei­ro e abril de 2023 foi o mai­or dos últi­mos cin­co anos, alcan­çan­do 2.133 km², segun­do o Deter. O valor é cer­ca de 14,5% mai­or do que o regis­tra­do no mes­mo perío­do do ano pas­sa­do (1.886 km²). Con­si­de­ran­do ape­nas o mês de abril, os aler­tas de des­ma­ta­men­to são 31% mai­o­res este ano, na com­pa­ra­ção com 2022.

Aler­ta

Em nota, o Minis­té­rio do Meio Ambi­en­te e Mudan­ça do Cli­ma (MMA) lem­brou que o Deter faz um levan­ta­men­to rápi­do de aler­tas de evi­dên­ci­as de alte­ra­ção da cober­tu­ra vege­tal na Amazô­nia e no Cer­ra­do. Esse levan­ta­men­to é con­si­de­ra­do o prin­ci­pal ins­tru­men­to de fis­ca­li­za­ção e con­tro­le do des­ma­ta­men­to e da degra­da­ção flo­res­tal, rea­li­za­dos pelo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro do Meio Ambi­en­te e dos Recur­sos Natu­rais Reno­vá­veis (Iba­ma) e demais órgãos ambi­en­tais. Ape­sar dis­so, a pla­ta­for­ma não tem a fina­li­da­de de medir com pre­ci­são as áre­as des­ma­ta­das, o que é fei­to pelo Pro­je­to de Moni­to­ra­men­to do Des­flo­res­ta­men­to na Amazô­nia Legal (Pro­des), ela­bo­ra­do pelo Inpe anu­al­men­te.

“Não é pos­sí­vel, dada a esca­la da aná­li­se e a cober­tu­ra de nuvens que inter­fe­rem nes­sas medi­ções, asse­gu­rar que esses núme­ros sejam defi­ni­ti­vos. Entre­tan­to, cons­ti­tu­em impor­tan­te fer­ra­men­ta de pla­ne­ja­men­to e apri­mo­ra­men­to das ações para com­ba­ter o des­ma­ta­men­to ile­gal nes­ses bio­mas. Nes­se sen­ti­do, o Minis­té­rio do Meio Ambi­en­te e Mudan­ça do Cli­ma deter­mi­nou rigo­ro­sa apu­ra­ção dos aler­tas iden­ti­fi­ca­dos pelo Deter, a fim de veri­fi­car se foram des­ma­ta­men­tos auto­ri­za­dos pelos Esta­dos, vis­to que com­pe­te a eles emi­tir auto­ri­za­ções de supres­são de vege­ta­ção nati­va. O MMA deter­mi­nou, ain­da, a veri­fi­ca­ção das bases legais das auto­ri­za­ções emi­ti­das, bem como a ação ime­di­a­ta do Iba­ma no sen­ti­do de autu­ar e embar­gar as áre­as des­ma­ta­das sem auto­ri­za­ção”, dis­se a pas­ta.

Reper­cus­são

Orga­ni­za­ções ambi­en­ta­lis­tas reper­cu­ti­ram os dados do Deter. Para o WWF-Bra­sil, o resul­ta­do em rela­ção à Amazô­nia pode indi­car uma rever­são na ten­dên­cia da des­trui­ção do bio­ma, mas ain­da é cedo para saber se tal mudan­ça vai se con­so­li­dar. “Rece­be­mos os núme­ros de abril como sinal posi­ti­vo, mas infe­liz­men­te ain­da não pode­mos falar em ten­dên­cia de que­da de des­ma­ta­men­to na Amazô­nia. Os núme­ros estão num pata­mar mui­to alto e a tem­po­ra­da da seca, favo­rá­vel ao des­ma­ta­men­to, não come­çou”, afir­ma Mari­a­na Napo­li­ta­no, geren­te de Con­ser­va­ção do WWF-Bra­sil.

Já em rela­ção ao Cer­ra­do, a situ­a­ção é con­si­de­ra­da mui­to alar­man­te. Cer­ca de 80% dos aler­tas de des­ma­ta­men­to ocor­re­ram em áre­as do Mara­nhão, Tocan­tins, Piauí e Bahia, o cha­ma­do Mato­pi­ba, região que é, atu­al­men­te, prin­ci­pal fron­tei­ra de expan­são agrí­co­la no Bra­sil e uma das gran­des fren­tes de des­trui­ção de bio­mas do mun­do. Nas últi­mas déca­das, o Cer­ra­do per­deu mais de 50% de sua cober­tu­ra vege­tal ori­gi­nal. O bio­ma é o prin­ci­pal res­pon­sá­vel pela segu­ran­ça hídri­ca do país, por abri­gar impor­tan­tes baci­as hidro­grá­fi­cas e os mai­o­res reser­va­tó­ri­os de abas­te­ci­men­to de água das gran­des cida­des. Além dis­so, depen­de do regi­me de chu­vas está­vel para garan­tir pro­du­ti­vi­da­de na pró­pria ati­vi­da­de agrí­co­la.

O MMA infor­mou que aumen­tou o núme­ro embar­gos de uso de área des­ma­ta­da ile­gal­men­te em 216% des­de janei­ro. Já a apre­en­são de pro­du­tos oriun­dos de infra­ções ambi­en­tais aumen­tou 210%, segun­do a pas­ta.

“No Cer­ra­do e demais bio­mas (exce­to Amazô­nia) hou­ve aumen­to de 169% dos autos de infra­ção de janei­ro a abril em rela­ção à média na ges­tão ante­ri­or. O núme­ro de embar­gos de uso de área des­ma­ta­da ile­gal­men­te no Cer­ra­do e demais bio­mas aumen­tou 198% e as apre­en­sões de pro­du­tos oriun­dos de infra­ções ambi­en­tais aumen­ta­ram 154% no mes­mo perío­do”, des­ta­cou a pas­ta.

Ain­da segun­do o gover­no fede­ral, em maio será con­cluí­da a nova fase do Pla­no de Pre­ven­ção e Con­tro­le do Des­ma­ta­men­to na Amazô­nia (PPC­DAm), res­ti­tuí­do por meio do pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va. Já em julho, o MMA deve ini­ci­ar a atu­a­li­za­ção do Pla­no de Pre­ven­ção e Con­tro­le do Des­ma­ta­men­to no Cer­ra­do (PPCer­ra­do), que “per­mi­ti­rá a ampli­a­ção e inten­si­fi­ca­ção dos esfor­ços do gover­no fede­ral, em par­ce­ria com os gover­nos esta­du­ais e a soci­e­da­de, para com­ba­ter o des­ma­ta­men­to no bio­ma”.

Edi­ção: Mar­ce­lo Bran­dão

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