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Inquérito mostra como delegado agiu para livrar assassinos de Marielle

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

PF revela estratégia de Rivaldo Barbosa para obstruir investigações


Publicado em 26/03/2024 — 15:13 Por Pedro Peduzzi — Repórter da Agência Brasil — Brasília

Ao des­ven­dar o assas­si­na­to da vere­a­do­ra Mari­el­le Fran­co e de seu moto­ris­ta, Ander­son Gomes, ocor­ri­do em 2018, a Polí­cia Fede­ral (PF) reve­lou tam­bém um esque­ma envol­ven­do auto­ri­da­des da segu­ran­ça públi­ca do Rio de Janei­ro que, em vez de atu­a­rem para des­ven­dar o caso, ado­ta­ram estra­té­gi­as para evi­tar o avan­ço das inves­ti­ga­ções. No cen­tro do esque­ma esta­va o dele­ga­do Rival­do Bar­bo­sa, então che­fe da Polí­cia Civil. 

Se, na teo­ria, cabia a ele des­ven­dar o caso, na rea­li­da­de, segun­do a Polí­cia fede­ral, o dele­ga­do teria fei­to mais do que obs­truir a inves­ti­ga­ção. As sus­pei­tas são de que aju­dou no pla­ne­ja­men­to do cri­me, algo que sur­pre­en­deu até a famí­lia de Mari­el­le, de quem o dele­ga­do se apro­xi­mou e ganhou con­fi­an­ça logo no iní­cio das inves­ti­ga­ções.

No inqué­ri­to, tor­na­do públi­co pelo Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF), Rival­do é acu­sa­do de obs­truir os tra­ba­lhos poli­ci­ais, de for­ma a pro­te­ger os auto­res de cri­mes come­ti­dos por diver­sos con­tra­ven­to­res, des­te e de outros casos, em espe­ci­al envol­ven­do mili­ci­a­nos e bichei­ros. Entre os cri­mes impu­ta­dos a ele está o de par­ti­ci­par de orga­ni­za­ção cri­mi­no­sa, lava­gem de dinhei­ro e cor­rup­ção pas­si­va.

A indi­ca­ção de Rival­do para o car­go na Polí­cia Civil foi fei­ta pelo gene­ral de Exér­ci­to Richard Nunes, mes­mo dian­te de um pare­cer do setor de inte­li­gên­cia que infor­ma­va sobre “ati­vi­da­des sus­pei­tas” que asso­ci­a­vam o dele­ga­do a con­tra­ven­to­res locais, em espe­ci­al bichei­ros. A nome­a­ção foi assi­na­da pelo então inter­ven­tor do gover­no fede­ral no esta­do, gene­ral Wal­ter Bra­ga Net­to.

Segun­do a PF, a lis­ta de acu­sa­dos envol­vi­dos com o assas­si­na­to da vere­a­do­ra abran­ge Ron­nie Les­sa, autor dos dis­pa­ros con­tra Mari­el­le e Ander­son; Élcio de Quei­roz, que diri­giu o car­ro que per­se­guiu o de Mari­el­le na oca­sião do assas­si­na­to; o ex-bom­bei­ro Maxwell Simões Cor­rêa, o “Suel”, a quem cou­be moni­to­rar a roti­na da víti­ma, além de aju­dar a dar sumi­ço na arma uti­li­za­da no cri­me; e Edil­son Bar­bo­sa dos San­tos, mais conhe­ci­do como “Ore­lha”, dono do fer­ro-velho onde foi fei­to o des­man­che do car­ro usa­do no cri­me. Os inves­ti­ga­do­res apon­tam como man­dan­tes do cri­me o depu­ta­do Chi­qui­nho Bra­zão (União Bra­sil-RJ) e seu irmão Domin­gos Bra­zão. Tan­to os irmãos Bra­zão quan­to Rival­do Bar­bo­sa foram pre­sos pre­ven­ti­va­men­te no últi­mo domin­go (24).

Investigadores criminosos

Um dia após o assas­si­na­to de Mari­el­le Fran­co e do moto­ris­ta Ander­son Gomes, Rival­do Bar­bo­sa, já che­fe da Polí­cia Civil do Rio de Janei­ro, nome­ou o dele­ga­do Gini­ton Lages, com quem tinha com­pro­va­da­men­te rela­ções pró­xi­mas — inclu­si­ve rela­ta­das pelo pró­prio Lages no livro “Quem Matou Mari­el­le?”, escri­to por ele -, para pre­si­dir as inves­ti­ga­ções do caso.

O inqué­ri­to da PF apre­sen­ta depoi­men­tos e diver­sas pro­vas indi­ciá­ri­as do esque­ma cri­mi­no­so envol­ven­do a Dele­ga­cia de Homi­cí­di­os. Algu­mas apon­tam que Rival­do seria “coni­ven­te com os homi­cí­di­os envol­ven­do a par­ti­ci­pa­ção de mili­ci­a­nos e con­tra­ven­to­res, dos quais rece­bia van­ta­gens inde­vi­das”, e que ele teria fei­to aler­tas a “alvos de inves­ti­ga­ção quan­do da men­ção de seus nomes em pro­ce­di­men­tos cri­mi­nais ou quan­do da exis­tên­cia de medi­das res­tri­ti­vas em des­fa­vor deles”.

Segun­do a inves­ti­ga­ção da PF, entre os cri­mes aco­ber­ta­dos está o assas­si­na­to do pre­si­den­te da Por­te­la, Mar­cos Fal­con, em setem­bro de 2016; de Hayl­ton Car­los Gomes Esca­fu­ra e de sua mulher, na Bar­ra da Tiju­ca, em 2016, assim como o de Geral­do Antô­nio Perei­ra, no mes­mo ano; José Luís de Bar­ros Lopes, em 2011, e Mar­ce­lo Diot­ti da Mat­ta, em 2018. Uma das fren­tes de inves­ti­ga­ção da PF que com­pro­va­ram a liga­ção entre inves­ti­ga­do­res e cri­mi­no­sos par­tiu do depoi­men­to da filha de Mar­cos Fal­con, Mar­cel­le Gui­ma­rães Viei­ra Sou­za.

Fal­con era, na épo­ca, can­di­da­to ao car­go de vere­a­dor do muni­cí­pio do Rio de Janei­ro, mas foi assas­si­na­do a menos de uma sema­na do plei­to. Sua filha dis­se à PF que o dele­ga­do Bren­no Car­ne­va­le, res­pon­sá­vel pela inves­ti­ga­ção da mor­te de seu pai, havia mani­fes­ta­do “des­con­ten­ta­men­to com as inge­rên­ci­as pra­ti­ca­das por Rival­do Bar­bo­sa na inves­ti­ga­ção”. Entre as inge­rên­ci­as esta­ria o pedi­do de Rival­do para que Car­ne­va­le não mexes­se em “nada das novas des­co­ber­tas”, e que as infor­ma­ções deve­ri­am sem­pre pas­sar antes dire­ta­men­te por ele, Rival­do.

Car­ne­va­le teria fala­do, tam­bém à filha de Mar­cos Fal­con, sobre o “sumi­ço repen­ti­no” de pro­ce­di­men­tos apu­ra­tó­ri­os atre­la­dos a Fal­con e Geral­do Perei­ra.

“Mar­cel­le res­sal­tou que todos com quem con­ver­sa­va sobre a mor­te de seu pai, sobre­tu­do poli­ci­ais, deses­ti­mu­la­vam-na a pro­cu­rar a DH [Dele­ga­cia de Homi­cí­di­os, quan­do che­fi­a­da por Rival­do], pois essa dele­ga­cia esta­ria com­pra­da e de nada adi­an­ta­ria seu empe­nho”, deta­lha o docu­men­to divul­ga­do pela PF. Além dis­so, segun­do ela, Rival­do teria mar­ca­do um encon­tro com Fal­con pou­co tem­po antes de ser mor­to, mas que o encon­tro aca­bou não se con­cre­ti­zan­do em razão de seu assas­si­na­to.

Bren­no Car­ne­val­le esta­va lota­do, em 2018, na dele­ga­cia que era res­pon­sá­vel pela apu­ra­ção dos homi­cí­di­os envol­ven­do agen­tes de segu­ran­ça públi­ca. Em depoi­men­to ao Minis­té­rio Públi­co do RJ, ele infor­mou que não hou­ve nenhu­ma elu­ci­da­ção de cri­mes envol­ven­do bichei­ros entre agos­to de 2016 e mar­ço de 2018; e que mate­ri­ais apre­en­di­dos e inqué­ri­tos havi­am desa­pa­re­ci­do de for­ma mis­te­ri­o­sa.

No depoi­men­to, ele rei­te­rou o que havia sido dito por Mar­cel­le e acres­cen­tou outros fatos que ampli­a­ram ain­da mais as sus­pei­tas con­tra Rival­do. Foi o caso do sumi­ço de inqué­ri­tos como o de André Ser­ra­lho, em 2016, bem como de alguns mate­ri­ais apre­en­di­dos duran­te as inves­ti­ga­ções. Citou tam­bém o exces­so de exi­gên­ci­as buro­crá­ti­cas que invi­a­bi­li­za­vam dili­gên­ci­as; e as “súbi­tas tro­cas de pre­si­dên­ci­as de inqué­ri­tos”, como o que envol­via a mor­te de Hayl­ton Esca­fu­ra, filho do con­tra­ven­tor conhe­ci­do como Pirui­nha.

Outro fato nar­ra­do por Mar­cel­le mos­tra que a dele­ga­cia che­fi­a­da por Rival­do era coni­ven­te com os homi­cí­di­os envol­ven­do a par­ti­ci­pa­ção de mili­ci­a­nos e con­tra­ven­to­res, dos quais, segun­do a PF, Rival­do rece­bia van­ta­gens inde­vi­das. A PF acres­cen­ta que o dele­ga­do civil aler­ta­va alvos de inves­ti­ga­ção, quan­do tinham seus nomes men­ci­o­na­dos em pro­ce­di­men­tos cri­mi­nais ou quan­do fica­va a par de medi­das res­tri­ti­vas que seri­am apli­ca­das em des­fa­vor deles.

“Uma aná­li­se, ain­da que super­fi­ci­al des­ses inqué­ri­tos, infe­liz­men­te, reve­la uma lamen­tá­vel rea­li­da­de: his­to­ri­ca­men­te, os homi­cí­di­os liga­dos a dis­pu­tas da con­tra­ven­ção, inva­ri­a­vel­men­te, não resul­tam em efe­ti­vas res­pos­tas esta­tais; rumam em via úni­ca des­ti­na­da a uma deplo­rá­vel impu­ni­da­de ins­ti­tu­ci­o­na­li­za­da”, diz o inqué­ri­to.

A sen­ten­ça assi­na­da pelo juiz da 1ª Vara Cri­mi­nal Espe­ci­a­li­za­da em Orga­ni­za­ção Cri­mi­no­sa, Bru­no Mon­tei­ro Ruliè­re, des­ta­ca que o exa­me dos pro­ce­di­men­tos ado­ta­dos “per­mi­te ins­pi­rar par­ti­cu­lar ques­ti­o­na­men­to sobre a ade­qua­ção e regu­la­ri­da­de na con­du­ção dos inqué­ri­tos poli­ci­ais (incon­clu­si­vos), que são mar­ca­dos por roti­nas enges­sa­das, des­pi­das de pro­fí­cu­os atos apu­ra­tó­ri­os, com uma mani­fes­ta situ­a­ção de letar­gia e omis­são deli­be­ra­da de alguns agen­tes e/ou auto­ri­da­de públi­cas”. “Com isso, todos inqué­ri­tos aca­bam sem con­clu­são”, deta­lhou o juiz.

Federalização

O inqué­ri­to mos­tra que o che­fe da Polí­cia Civil, Rival­do Bar­bo­sa, esta­va pre­o­cu­pa­do com a pos­si­bi­li­da­de de fede­ra­li­za­ção do caso. Nes­se sen­ti­do, rela­ta uma mani­fes­ta­ção dele na mídia, após ser inda­ga­do sobre a pos­si­bi­li­da­de de even­tu­ais cola­bo­ra­ções da PF na inves­ti­ga­ção. Ele dis­se ter con­vic­ção de que a Polí­cia Civil tinha con­di­ções de elu­ci­dar o caso.

Segun­do o inqué­ri­to, cha­mou a aten­ção o fato de, antes da entre­vis­ta con­ce­di­da ao RJTV 12 horas após o assas­si­na­to de Mari­el­le, a Dele­ga­cia de Homi­cí­di­os da Capi­tal ter vaza­do a infor­ma­ção de que as muni­ções empre­ga­das na embos­ca­da con­tra a vere­a­do­ra decor­ri­am de um lote ven­di­do para a PF em 2006.

Isso, segun­do o inqué­ri­to, foi fei­to “com o cla­ro obje­ti­vo de repe­lir a atu­a­ção da for­ça de segu­ran­ça fede­ral no caso”. No mes­mo dia, 15 de mar­ço, o pro­cu­ra­dor-Geral de Jus­ti­ça do RJ, José Edu­ar­do Gus­sem, defen­deu que, dian­te des­ses fatos, era impor­tan­te “evi­tar que a inves­ti­ga­ção pas­se para a esfe­ra fede­ral”. A decla­ra­ção foi fei­ta após visi­ta da pro­cu­ra­do­ra-Geral da Repú­bli­ca, à épo­ca, Raquel Dod­ge, ao esta­do, oca­sião em que anun­ci­ou que iria ins­tau­rar uma apu­ra­ção pre­li­mi­nar do caso no MPF.

Dod­ge havia nome­a­do cin­co pro­cu­ra­do­res para acom­pa­nhar a inves­ti­ga­ção do caso. “Entre­tan­to, Gus­sem, no dia 21 de mar­ço de 2018, ingres­sou com um pedi­do no Con­se­lho Naci­o­nal do Minis­té­rio Públi­co para que a apu­ra­ção dos pro­cu­ra­do­res da Repú­bli­ca fos­se sus­pen­sa, o que foi defe­ri­do limi­nar­men­te pelo con­se­lho e ense­jou a revo­ga­ção da por­ta­ria de nome­a­ção do gru­po”, diz o inqué­ri­to, ao apre­sen­tar algu­mas mani­fes­ta­ções públi­cas de Gus­sem em favor de Rival­do Bar­bo­sa.

“Avan­çan­do na aná­li­se da rela­ção de Rival­do Bar­bo­sa com Gus­sem, entre­tan­to cha­mou a aten­ção des­ta equi­pe de inves­ti­ga­ção que, na oca­sião em que o pri­mei­ro foi denun­ci­a­do pelo MPRJ pela supos­ta prá­ti­ca de cri­mes con­tra a lei de lici­ta­ções, por fir­mar con­tra­tos emer­gen­ci­ais na área de infor­má­ti­ca no valor de R$ 191 milhões, o então pro­cu­ra­dor não ado­tou a pos­tu­ra de pro­te­ger sua ins­ti­tui­ção, bem como de seus mem­bros, outro­ra rea­li­za­da com afin­co, mas, de for­ma sur­pre­en­den­te, ata­cou os pro­mo­to­res de Jus­ti­ça sig­na­tá­ri­os da exor­di­al acu­sa­tó­ria, e defen­deu Rival­do Bar­bo­sa”, com­ple­men­ta o inqué­ri­to da PF.

Sabotagem

Entre os atos pra­ti­ca­dos para obs­truir as inves­ti­ga­ções, refor­ça­dos com a nome­a­ção de Lages, a PF apon­ta “exem­plos inequí­vo­cos de que o apa­ra­to poli­ci­al não somen­te se abs­te­ve de pro­mo­ver dili­gên­ci­as fru­tí­fe­ras, mas tam­bém favo­re­ceu para a sabo­ta­gem do tra­ba­lho apu­ra­tó­rio”. Um des­ses exem­plos foi a negli­gên­cia para se obter as ima­gens do veí­cu­lo uti­li­za­do para o cri­me con­tra a vere­a­do­ra, que aca­bou por não abran­ger, ini­ci­al­men­te, a rota de fuga dos exe­cu­to­res.

O inqué­ri­to fala tam­bém de uma “duvi­do­sa dinâ­mi­ca” da dele­ga­cia de homi­cí­di­os que teve como pon­to de par­ti­da uma denún­cia anô­ni­ma, que ten­tou asso­ci­ar o cri­me ao então vere­a­dor Mar­ce­lo Sici­li­a­no, adver­sá­rio polí­ti­co dos ver­da­dei­ros man­dan­tes cita­dos pela PF, os irmãos Domin­gos e Chi­qui­nho Bra­zão.

A inves­ti­ga­ção levan­tou tam­bém, fal­sa­men­te, sus­pei­tas con­tra Orlan­do Curi­ci­ca, mili­ci­a­no que atu­a­ria na Zona Oes­te do Rio de janei­ro. Curi­ci­ca havia dela­ta­do esque­mas de paga­men­tos men­sais por mili­ci­a­nos a dele­ga­ci­as do esta­do; e que paga­men­tos extras teri­am sido fei­tos para evi­tar inves­ti­ga­ções espe­cí­fi­cas de alguns homi­cí­di­os.

Em maio de 2018, uma equi­pe da dele­ga­cia de homi­cí­di­os coman­da­da por Lages este­ve na Peni­ten­ciá­ria de Ban­gu 1 com o intui­to de obter uma con­fis­são de Orlan­do Curi­ci­ca, que apon­tas­se a auto­ria do cri­me a Mar­ce­lo Sici­li­a­no. “Dian­te da nega­ti­va de Curi­ci­ca, tal equi­pe teria o ame­a­ça­do de lhe atri­buir outros homi­cí­di­os como meio de coer­ção (ou coa­ção) a con­fes­sar aque­la hipó­te­se pré-mol­da­da”, des­cre­ve o inqué­ri­to da PF. “Impu­tar o deli­to ao então vere­a­dor Mar­ce­lo Sici­li­a­no teria o con­dão não só de garan­tir-lhes a impu­ni­da­de, mas tam­bém ful­mi­na­ria poli­ti­ca­men­te um dos con­cor­ren­tes elei­to­rais da famí­lia Bra­zão nos bair­ros da Zona Oes­te cari­o­ca”, com­ple­men­ta o docu­men­to.

Vantagens indevidas

O inqué­ri­to cita “van­ta­gens inde­vi­das” que Gus­sem teria rece­bi­do do ex-secre­tá­rio de Saú­de do esta­do, Sér­gio Côr­tes, para arqui­var inves­ti­ga­ções que o tinham como alvo. Todo esse con­tex­to levou os inves­ti­ga­do­res a cons­ta­tar que Rival­do Bar­bo­sa “con­se­guiu atin­gir seu segun­do inten­to, de modo que os órgãos de per­se­cu­ção penal fede­rais foram ali­ja­dos das inves­ti­ga­ções”.

O inqué­ri­to des­cre­ve tam­bém algu­mas estra­té­gi­as ado­ta­das por Rival­do para lavar o dinhei­ro rece­bi­do dos con­tra­ven­to­res. Ele inclu­si­ve teria cons­ti­tuí­do, com sua espo­sa, Eri­ka Araú­jo, uma empre­sa, com o pro­pó­si­to de jus­ti­fi­car o aumen­to de patrimô­nio obti­do no perío­do em que diri­gia a dele­ga­cia de homi­cí­di­os e, pos­te­ri­or­men­te, quan­do foi che­fe da Polí­cia Civil.

“Rival­do e sua espo­sa Eri­ka se lan­ça­ram às ati­vi­da­des empre­sa­ri­ais jus­ta­men­te no perío­do em que Rival­do foi nome­a­do para che­fi­ar a Dele­ga­cia de Homi­cí­di­os da Capi­tal, de modo a se pro­trair enquan­to ele foi dire­tor da Divi­são de Homi­cí­di­os (21/5/2016) e che­fe da Polí­cia Civil (8/3/2018). Recor­da-se que é jus­ta­men­te quan­do está na DHC ou à fren­te da Polí­cia Civil que foram encon­tra­dos rela­tos, depoi­men­tos e for­ma­li­za­das denún­ci­as envol­ven­do epi­só­di­os de cor­rup­ção e outras ati­vi­da­des ilí­ci­ta”, diz o inqué­ri­to.

Outro lado

Ouvi­do pela PF duran­te as inves­ti­ga­ções, o gene­ral Richard Nunes pres­tou depoi­men­to aos dele­ga­dos e negou ter inge­rên­cia na esco­lha de Rival­do.

“A Sub­se­cre­ta­ria de inte­li­gên­cia con­train­di­cou o nome de Rival­do, mas o depo­en­te deci­diu pelo seu nome, ten­do em vis­ta que tal con­train­di­ca­ção não se pau­ta­va por dados obje­ti­vos. Teve con­ta­to com Rival­do na épo­ca da for­ça de paci­fi­ca­ção”, diz o depoi­men­to.

Agên­cia Bra­sil entrou em con­ta­to com a defe­sa de Rival­do Bar­bo­sa e aguar­da retor­no.

Em nota, a defe­sa de Bra­ga Net­to afir­mou que “a sele­ção e indi­ca­ções para nome­a­ções eram fei­tas, exclu­si­va­men­te, pelo então Secre­tá­rio de Segu­ran­ça Públi­ca” e atri­buiu sua assi­na­tu­ra na nome­a­ção de Rival­do Bar­bo­sa a “ques­tões buro­crá­ti­cas”.

Edi­ção: Mar­ce­lo Bran­dão

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