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Jovens dizem que educação foi a área mais afetada durante pandemia

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Repro­du­ção: © Divulgação/MCTIC

Estudo é da ONG Plan International


Um estu­do da orga­ni­za­ção não gover­na­men­tal (ONG) Plan Inter­na­ti­o­nal mos­trou que 95% de meni­nas e jovens mulhe­res tive­ram suas vidas afe­ta­das de for­ma nega­ti­va pela pan­de­mia de covid-19. Para as jovens, a edu­ca­ção foi a área mais atin­gi­da. O aces­so limi­ta­do à tec­no­lo­gia, o apoio insu­fi­ci­en­te de esco­las e facul­da­des e o espa­ço físi­co para estu­dar foram as prin­ci­pais difi­cul­da­des enfren­ta­das na edu­ca­ção em casa.

A pes­qui­sa Vidas Inter­rom­pi­das 2: em suas pró­pri­as vozes – O impac­to da covid-19 na vida de meni­nas e jovens mulhe­res ouviu, nos meses de junho e julho de 2020, 7 mil mulhe­res de 15 a 24 anos sobre temas como edu­ca­ção, saú­de e bem-estar, per­cep­ções sobre a vaci­na e o futu­ro.

O Bra­sil está entre os paí­ses que par­ti­ci­pa­ram do estu­do, que tam­bém incluiu meni­nas da Aus­trá­lia, do Egi­to, Equa­dor, da Espa­nha, dos Esta­dos Uni­dos, da Etió­pia, Fran­ça, de Gana, da Índia, de Moçam­bi­que, da Nica­rá­gua, do Viet­nã e de Zâm­bia.

A soli­dão e as res­pon­sa­bi­li­da­des domés­ti­cas tam­bém inter­fe­ri­ram na capa­ci­da­de das meni­nas de acom­pa­nhar o ensi­no a dis­tân­cia enquan­to as esco­las e facul­da­des foram fecha­das.

“O futu­ro das meni­nas e jovens mulhe­res está ame­a­ça­do no Bra­sil e no mun­do. A pan­de­mia apro­fun­dou as desi­gual­da­des soci­ais, que já eram mui­to mar­can­tes, e está está fazen­do com que a gen­te dê vári­os pas­sos para trás em con­quis­tas impor­tan­tes de direi­tos fun­da­men­tais para a igual­da­de de gêne­ro e de opor­tu­ni­da­des”, afir­ma Cynthia Bet­ti, dire­to­ra exe­cu­ti­va da Plan Inter­na­ti­o­nal Bra­sil.

Nas entre­vis­tas, as jovens rela­ta­ram difi­cul­da­des de con­cen­tra­ção e foco ao estu­dar em casa. Elas tam­bém cita­ram a fal­ta de dinhei­ro para pla­nos de dados, tele­fo­nes celu­la­res e outros cus­tos rela­ci­o­na­dos ao apren­di­za­do onli­ne, além do fato de não ter nin­guém para aju­dar a expli­car lições ou con­cei­tos, como bar­rei­ras fre­quen­tes para apren­der duran­te a pan­de­mia.

“Na esco­la temos uma abor­da­gem mais prá­ti­ca. Nas aulas onli­ne temos pou­ca opor­tu­ni­da­de de tirar dúvi­das, e os pro­fes­so­res só dão a aula e não escla­re­cem nos­sas dúvi­das. Minha casa está mui­to cheia e baru­lhen­ta. Não estou con­se­guin­do acom­pa­nhar as aulas”, dis­se Bár­ba­ra, de 16 anos.

Vidas interrompidas

A pri­mei­ra eta­pa da pes­qui­sa Vidas Inter­rom­pi­das, divul­ga­da no ano pas­sa­do, reve­lou que 19% das meni­nas em todo o mun­do acre­di­tam que a covid-19 as for­ça­rá a sus­pen­der tem­po­ra­ri­a­men­te os estu­dos, enquan­to 7% temem ter que aban­do­nar a esco­la. No auge da pri­mei­ra onda da pan­de­mia, 1,5 bilhão de estu­dan­tes foram afe­ta­dos pelo fecha­men­to de esco­las, que ocor­reu em 194 paí­ses em qua­se toda a Euro­pa, Áfri­ca, Amé­ri­ca Lati­na e Ásia.

“A covid-19 mudou pro­fun­da­men­te nos­sas vidas no últi­mo ano. Mas seu impac­to não é o mes­mo para todas as pes­so­as, e a pan­de­mia colo­cou em foco as desi­gual­da­des pré-exis­ten­tes, seja entre ricos e pobres, jovens e ido­sos, homens e mulhe­res”, afir­ma Jac­qui Gal­li­net­ti, dire­to­ra de Moni­to­ra­men­to, Ava­li­a­ção, Pes­qui­sa e Apren­di­za­gem da Plan Inter­na­ti­o­nal.

Barreiras financeiras

Para redu­zir os impac­tos do cená­rio reve­la­do pela pes­qui­sa, a orga­ni­za­ção defen­de que os gover­nos reú­nam esfor­ços para lidar com as bar­rei­ras finan­cei­ras impos­tas às meni­nas. Entre as medi­das pro­pos­tas na pes­qui­sa estão o paga­men­to de vale-ali­men­ta­ção, meren­da esco­lar e trans­fe­rên­cia de ren­da para incen­ti­var as meni­nas a vol­ta­rem à esco­la, ali­vi­an­do a car­ga sobre a ren­da fami­li­ar.

Outro pon­to indi­ca­do pela Plan Inter­na­ti­o­nal é refor­çar o trei­na­men­to para pro­fes­so­res e alu­nos no uso da tec­no­lo­gia, para melho­rar a qua­li­da­de do ensi­no a dis­tân­cia em paí­ses onde as esco­las per­ma­ne­cem fecha­das, e para que a edu­ca­ção seja mais resi­li­en­te em caso de cri­ses futu­ras.

“Isso inclui o pla­ne­ja­men­to de futu­ros fecha­men­tos, iden­ti­fi­can­do os alu­nos que mais pre­ci­sam de apoio e inves­tin­do em mei­os vari­a­dos, incluin­do rádio, TV e apren­di­za­gem onli­ne, bem como dis­tri­buin­do kits esco­la­res com mate­ri­ais de aula e mate­ri­ais esco­la­res”, diz a orga­ni­za­ção.

Aumento da ansiedade

O estu­do tam­bém mos­trou que a inter­rup­ção nos estu­dos, com­bi­na­da ao medo do pró­prio vírus e à neces­si­da­de de se adap­tar a medi­das de iso­la­men­to soci­al, afe­tou a saú­de men­tal das meni­nas, e mui­tas par­ti­ci­pan­tes da pes­qui­sa pre­ci­sa­ram lidar com o estres­se e a ansi­e­da­de.

A pri­mei­ra edi­ção da pes­qui­sa reve­lou que nove em cada dez meni­nas (88%) dizi­am estar sen­tin­do níveis altos ou médi­os de ansi­e­da­de como con­sequên­cia da pan­de­mia de covid-19.

Por outro lado, o estu­do mos­trou que ape­nas 5% das meni­nas e jovens mulhe­res entre­vis­ta­das dis­se­ram que a pan­de­mia só cau­sou efei­tos posi­ti­vos em sua vida.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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