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Justiça do Rio afasta prefeito Marcelo Crivella do cargo

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© Tânia Rêgo/Agência Bra­sil (Repro­du­ção)

Presidente da Câmara completará mandato, que termina no dia 31


Publicado em 22/12/2020 — 12:18 Por Cristina Indio do Brasil — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

A desem­bar­ga­do­ra Rosa Hele­na Pen­na Mace­do Gui­ta sus­pen­deu hoje (22) o pre­fei­to do Rio de Janei­ro, Mar­ce­lo Cri­vel­la, do exer­cí­cio da fun­ção. O man­da­to de Cri­vel­la ter­mi­na­ria no pró­xi­mo dia 31.

A deci­são está no des­pa­cho em que a magis­tra­da aca­tou denún­cia do Minis­té­rio Públi­co do Esta­do do Rio de Janei­ro (MPRJ) e decre­tou pri­são pre­ven­ti­va de sete denun­ci­a­dos em um des­do­bra­men­to da Ope­ra­ção Hades, que apu­ra cor­rup­ção na pre­fei­tu­ra e tem como base a dela­ção do dolei­ro Ser­gio Miz­rahy. Tam­bém foram pre­sos os empre­sá­ri­os Rafa­el Alves, Chris­ti­a­no Stoc­kler Cam­pos e Ade­nor Gon­çal­ves, o ex-tesou­rei­ro da pri­mei­ra cam­pa­nha de Cri­vel­la, Mau­ro Mace­do e o dele­ga­do apo­sen­ta­do Fer­nan­do Mora­es. O ex-sena­dor Edu­ar­do Lopes,não foi encon­tra­do no ende­re­ço no Rio, mas pode ser pre­so ain­da nes­ta ter­ça-fei­ra.

Segun­do a desem­bar­ga­do­ra, o afas­ta­men­to do pre­fei­to foi deter­mi­na­do com base no Arti­go 319, Inci­so VI do Códi­go de Pro­ces­so Penal.

Con­for­me o des­pa­cho, o esque­ma de cor­rup­ção apon­ta­do na Ope­ra­ção Hades, que teve hoje des­do­bra­men­to com a pri­são dos denun­ci­a­dos, inten­si­fi­cou-se na cam­pa­nha de Cri­vel­la à pre­fei­tu­ra em 2016. Na oca­sião, diz a magis­tra­da, o empre­sá­rio Rafa­el Alves pediu que Cri­vel­la pro­vi­den­ci­as­se con­tas ban­cá­ri­as pelas quais pudes­se rece­ber quan­ti­as em espé­cie a serem uti­li­za­das na cam­pa­nha.

De acor­do com Rosa Hele­na, depois de Mar­ce­lo Cri­vel­la ser elei­to, Rafa­el Alves pas­sou a ocu­par uma sala na sede da Rio­tur, empre­sa muni­ci­pal de turis­mo , mes­mo sem exer­cer qual­quer car­go públi­co. O dolei­ro Ser­gio Miz­rahy dis­se que este­ve no local diver­sas vezes para entre­gar ao empre­sá­rio dinhei­ro em espé­cie, oriun­do de ope­ra­ções de tro­ca de che­ques resul­tan­tes da cobran­ça de taxa de ser­vi­ço.

“Rela­tou ain­da o cola­bo­ra­dor Sér­gio Miz­rahy que Rafa­el Alves cobra­va pro­pi­na para auto­ri­zar o paga­men­to de fatu­ras atra­sa­das a empre­sas cre­do­ras, des­ti­nan­do o per­cen­tu­al de 20%a 30% a Mar­ce­lo Alves, seu irmão, então pre­si­den­te da Rio­tur, e outro per­cen­tu­al ao pre­fei­to Mar­ce­lo Cri­vel­la”, des­ta­cou a magis­tra­da.

Na denún­cia, o Minis­té­rio Públi­co res­sal­ta que, embo­ra Cri­vel­la não tenha sido ree­lei­to, o que resul­ta na “per­da de foro espe­ci­al por prer­ro­ga­ti­va de fun­ção e ces­sa­ção da com­pe­tên­cia des­te pri­mei­ro gru­po de câma­ras cri­mi­nais para o jul­ga­men­to da cau­sa, as medi­das cau­te­la­res reque­ri­das, dada a sua natu­re­za de urgên­cia, devem ser ime­di­a­ta­men­te ana­li­sa­das, sob pena de se ver frus­tra­dos a sua efi­cá­cia e os fins por elas coli­ma­dos”.

De acor­do com o MPRJ, as inves­ti­ga­ções come­ça­ram com a ins­tau­ra­ção do inqué­ri­to poli­ci­al em decor­rên­cia do acor­do de cola­bo­ra­ção fir­ma­do com Sér­gio Miz­rahy, pre­so pre­ven­ti­va­men­te no âmbi­to da Ope­ra­ção Câm­bio, Des­li­go. Tal ope­ra­ção foi defla­gra­da pela for­ça-tare­fa da Lava Jato no Rio no dia 3 de maio de 2018, como des­do­bra­men­to das ope­ra­ções Cali­cu­te e Efi­ci­ên­cia, em que foram apu­ra­das denún­ci­as de cri­mes de cor­rup­ção, lava­gem de dinhei­ro, car­tel e frau­des em lici­ta­ções pela orga­ni­za­ção cri­mi­no­sa lide­ra­da pelo ex-gover­na­dor Sér­gio Cabral.

O des­pa­cho mos­tra ain­da que, ape­sar de não terem vín­cu­lo efe­ti­vo com a estru­tu­ra da pre­fei­tu­ra do Rio, os outros denun­ci­a­dos inter­fe­ri­am nas toma­das de deci­são, dan­do mais rapi­dez aos paga­men­tos a empre­sas espe­cí­fi­cas e inter­fe­rin­do nos pro­ces­sos de lici­ta­ção. A inten­ção era bene­fi­ci­ar os empre­sá­ri­os que con­cor­da­vam em pagar pro­pi­na ao gru­po, que seria “geren­ci­a­do” por Rafa­el Alves, con­si­de­ra­do homem de con­fi­an­ça do pre­fei­to. O empre­sá­rio, por sua vez, con­ta­va com o dolei­ro Sér­gio Miz­rahy para bran­que­ar os valo­res rece­bi­dos.

No dia em que o dolei­ro foi pre­so, a Polí­cia Fede­ral arre­ca­dou, na casa dele„ um che­que de R$ 70 mil reais da empre­sa Randy Asses­so­ria, per­ten­cen­te ao empre­sá­rio denun­ci­a­do e cola­bo­ra­dor de dela­ção João Alber­to Felip­po Bar­re­to. Para emba­sar decla­ra­ções de Miz­rahy, o MPRJ jun­tou cópi­as de men­sa­gens tro­ca­das por What­sApp entre inte­gran­tes do gru­po. Nes­tas, é men­ci­o­na­da a cobran­ça de rece­bi­men­to de deter­mi­na­da quan­tia em espé­cie a pedi­do do Zero Um, que seria o codi­no­me de Cri­vel­la.

“Nos ter­mos do acor­do fir­ma­do com o cola­bo­ra­dor Sér­gio Miz­rahy, ele com­pro­me­teu-se a res­ti­tuir aos cofres públi­cos o valor de 11 milhões e 250 mil reais, o que nos dá a dimen­são do vul­to­so mon­tan­te de dinhei­ro por ele ‘lava­do’”, des­ta­ca o des­pa­cho.

Substituto

Como o vice-pre­fei­to Fer­nan­do Mac Dowell mor­reu em maio de 2018, o car­go de pre­fei­to será ocu­pa­do pelo pre­si­den­te da Câma­ra de Vere­a­do­res, Jor­ge Felip­pe, que, em nota, afir­mou que a cida­de não fica­rá sem coman­do nos últi­mos dias da atu­al ges­tão. Em sua pri­mei­ra ação, Felip­pe mar­cou uma reu­nião para dar ins­tru­ções à equi­pe muni­ci­pal de modo que se man­te­nha a máqui­na públi­ca “a ple­no vapor”.

Ele afir­mou que a equi­pe tra­ba­lha­rá “com afin­co e dedi­ca­ção” até o últi­mo dia e que já con­ver­sou com o pre­fei­to elei­to Edu­ar­do Paes. “A tran­si­ção vai con­ti­nu­ar, e vamos for­ne­cer todas as infor­ma­ções neces­sá­ri­as à nova equi­pe. O Rio de Janei­ro tem pre­fei­to”, afir­mou.

Em seu per­fil no Twit­ter, Paes diz que con­ver­sou com Jor­ge Felip­pe para que mobi­li­zas­se os diri­gen­tes muni­ci­pais a con­ti­nu­ar con­du­zin­do suas obri­ga­ções e aten­den­do a popu­la­ção. “Da mes­ma for­ma, man­te­re­mos o tra­ba­lho de tran­si­ção que já vinha sen­do toca­do.”

Paes man­dou ain­da um reca­do aos pro­fis­si­o­nais da rede muni­ci­pal de Saú­de: “Pas­sa­mos por uma pan­de­mia — além das difi­cul­da­des já conhe­ci­das — e a popu­la­ção pre­ci­sa do nos­so esfor­ço. Con­ta­mos todos com a for­ça e dedi­ca­ção de vocês!”

O MPRJ infor­mou que, em entre­vis­ta cole­ti­va de impren­sa, no iní­cio da tar­de de hoje, pro­mo­to­res, pro­cu­ra­do­res de Jus­ti­ça e inte­gran­tes da Polí­cia Civil pres­ta­rão infor­ma­ções sobre as inves­ti­ga­ções que leva­ram à pri­são de Mar­ce­lo Cri­vel­la e de inte­gran­tes do gru­po que atu­a­va na pre­fei­tu­ra do Rio.

Edi­ção: Nádia Fran­co

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