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Lula conversará com Macron sobre acordo entre Rússia e Ucrânia

Repro­dução: © Ricar­do Stuckert/PR

Brasileiro criticou novamente invasão do território ucraniano


Pub­li­ca­do em 25/04/2023 — 17:03 Por Andreia Verdélio – Repórter da Agên­cia Brasil  — Brasília

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O pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va deve mar­car, até sem­ana que vem, um encon­tro com o pres­i­dente da França, Emmanuel Macron, para con­ver­sar sobre uma solução para o con­fli­to entre Rús­sia e Ucrâ­nia. O pres­i­dente está em viagem ofi­cial à Espan­ha e par­ticipou de um fórum empre­sar­i­al, nes­ta terça-feira (25), em Madri. “Pre­tendo, pos­sivel­mente, esta sem­ana [ou] sem­ana que vem mar­car um encon­tro com o Macron”, afir­mou, referindo-se às nego­ci­ações de paz. Em dis­cur­so no even­to, ele criti­cou nova­mente a invasão do ter­ritório ucra­ni­ano pelo rus­so e afir­mou que essa é uma “guer­ra insana”.

“O Brasil está empen­hado na ten­ta­ti­va de arru­mar par­ceiros para que pos­samos traz­er a paz, para que a Ucrâ­nia pos­sa ficar com seu ter­ritório, para que os rus­sos fiquem com a Rús­sia, para que o mun­do não sofra a fal­ta de ali­men­tos, para que o mun­do não sofra a fal­ta de fer­til­izantes e para que o mun­do volte a pros­per­ar para ger­ar os empre­gos que a humanidade pre­cisa”, disse, reforçan­do a pre­ocu­pação com as crises ali­men­tar e energéti­ca provo­cadas pela guer­ra.

A intenção de Lula pode indicar, por­tan­to, uma visi­ta à França em breve. Ain­da não há, porém, con­fir­mação dessa viagem. Segun­do o pres­i­dente, ele já tra­tou pes­soal­mente sobre o tema com o chancel­er da Ale­man­ha, Olaf Scholz, e com os pres­i­dentes dos Esta­dos Unidos, Joe Biden, e da Chi­na, Xi Jin­ping, além de já ter con­ver­sa­do por tele­fone com o próprio Macron. A ten­ta­ti­va, disse Lula, é de “con­stru­ir um movi­men­to que tra­ga a paz de vol­ta na nos­sa queri­da Europa, para que a gente não fique son­han­do toda noite com a pos­si­bil­i­dade de uma 3ª Guer­ra Mundi­al ou até do uso de bom­ba nuclear”.

Madri (ES) 25/04/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula discursa em um evento em Madri (ES) com empresários do Brasil e Espanhā.Foto: Ricardo Stuckert/PR
Repro­dução: Pres­i­dente Lula dis­cur­sa em um even­to com empresários do Brasil e da Espan­ha — Ricar­do Stuckert/PR

“O que pode evi­tar isso é sen­satez de a gente ten­tar encon­trar um denom­i­nador comum para chegar à paz”, acres­cen­tou. Aman­hã (26), Lula tam­bém con­ver­sará sobre o assun­to com o pres­i­dente espan­hol, Pedro Sánchez.

“Uma guer­ra que jamais pode­ria ter acon­te­ci­do porque não pode se aceitar que um país inva­da a inte­gri­dade ter­ri­to­r­i­al de out­ro país. Mas uma guer­ra que tam­bém não tem ninguém falan­do em paz. E, às vezes, eu fico per­gun­tan­do até quan­do essa guer­ra vai durar? Porque se ninguém quis­er con­stru­ir a paz, se os dois lados, o que inva­diu está ret­i­cente e o inva­di­do tam­bém tem sua razão de estar ret­i­cente, eu fico me per­gun­tan­do quem é que vai ten­tar resolver essa situ­ação”, disse.

Atração de investimentos

Aos empresários, Lula tam­bém disse que quer atrair inves­ti­men­tos em novos negó­cios no Brasil, em espe­cial em ener­gias ren­ováveis, como hidrogênio verde, usi­nas eóli­cas, de bio­mas­sa e ener­gia solar. Para isso, ele afir­mou que o Brasil voltou a ofer­e­cer cred­i­bil­i­dade e esta­bil­i­dade políti­ca, econômi­ca e social, além de pre­vis­i­bil­i­dade jurídi­ca com o for­t­alec­i­men­to de mar­cos reg­u­latórios.

Ele citou ain­da o pro­gra­ma de pro­je­tos em infraestru­tu­ra que será lança­do pelo gov­er­no fed­er­al no próx­i­mo mês. “Pedi para que cada gov­er­nador apre­sen­tasse os três pro­je­tos mais impor­tantes para o seu esta­do e, com ess­es pro­je­tos, vamos sair inter­na­mente e vamos sair ao mun­do ofer­e­cen­do a opor­tu­nidade inves­ti­men­to”, disse. “O aper­feiçoa­men­to da infraestru­tu­ra logís­ti­ca é um desafio que o Brasil deve enfrentar para con­sol­i­dar seu desen­volvi­men­to. Vamos super­ar os gar­ga­los que minam a com­pet­i­tivi­dade brasileira”, acres­cen­tou.

Madri (ES) 25/04/2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula discursa em um evento em Madri (ES) com empresários do Brasil e Espanhā.Foto: Ricardo Stuckert/PR
Repro­dução: Even­to em Madri reúne empresários do Brasil e da Espan­ha — Ricar­do Stuckert/PR

O apoio à ino­vação e à indús­tria do con­hec­i­men­to tam­bém foi desta­ca­do por Lula em seu dis­cur­so. Entre­tan­to, para ele, a com­pet­i­tivi­dade que o Brasil quer “não pode resul­tar na redução da ren­da dos tra­bal­hadores, na diminuição do emprego for­mal, na restrição da liber­dade dos tra­bal­hadores ou desmonte das políti­cas públi­cas”.

“Quer­e­mos repro­duzir nos setores secundário e ter­ciário da econo­mia a exi­tosa exper­iên­cia que fez do Brasil uma potên­cia agropecuária, pro­du­to­ra de ali­men­tos e agroen­er­gia, agre­gan­do as condições nat­u­rais do país à efi­ciên­cia do tra­bal­ho, da ciên­cia e da tec­nolo­gia e de políti­cas públi­cas efi­cazes”, disse. “Todas as medi­das domés­ti­cas são com­ple­men­tadas com ações de for­t­alec­i­men­to do comér­cio exte­ri­or, com ampli­ação mer­ca­dos e ini­cia­ti­vas nos organ­is­mos mul­ti­lat­erais, a fim de deter a mar­cha insen­sa­ta do pro­te­cionis­mo no mun­do”, acres­cen­tou.

O pres­i­dente criti­cou, nova­mente, o pata­mar da taxa Sel­ic, os juros bási­cos da econo­mia, por encar­e­cer o crédi­to e difi­cul­tar os inves­ti­men­tos no país. A Sel­ic está no maior nív­el des­de janeiro de 2017, quan­do tam­bém esta­va em 13,75% ao ano. No mês pas­sa­do, pela quin­ta vez segui­da, o Ban­co Cen­tral não mexeu na taxa, que per­manece nesse nív­el des­de agos­to do ano pas­sa­do. “Espero que a Espan­ha coloque din­heiro para emprestar mais bara­to, para poder­mos ter empresários que vêm aqui bus­car din­heiro empresta­do”, disse Lula.

A Espan­ha é o segun­do país que mais investe no Brasil, atrás dos Esta­dos Unidos. Durante seu dis­cur­so, Lula citou casos de suces­so de empre­sas espan­ho­las no Brasil, como a Tele­fôni­ca e o Ban­co San­tander.

“Esse suces­so não é só medi­do pelo resul­ta­do finan­ceiro da com­pan­hia ou pelos lucros aos seus acionistas, é medi­do, sobre­tu­do, pelo impacto pos­i­ti­vo que trazem à sociedade na qual estão inseri­das, por meio da ger­ação de emprego e dis­tribuição de ren­da”, disse o pres­i­dente. “A esta­bil­i­dade políti­ca e o cresci­men­to da econo­mia brasileira voltarão a faz­er exce­lentes retornos as empre­sas espan­ho­las”, acres­cen­tou.

Hoje, a presidên­cia da União Europeia (UE) está com a Sué­cia e, a par­tir de jul­ho, será da Espan­ha. Nesse sen­ti­do, Lula desta­cou que ambos os país­es estão enga­ja­dos na con­clusão do acor­do Mer­co­sul-UE, cuja final­iza­ção se arras­ta há anos.

“É um acor­do impor­tante para todos e quer­e­mos que seja equi­li­bra­do e que con­tribua para a rein­dus­tri­al­iza­ção do Brasil”, disse o pres­i­dente. Há uma expec­ta­ti­va de que o acor­do pos­sa ser con­cluí­do ain­da em 2023.

Aprova­do em 2019, após 20 anos de nego­ci­ações, o acor­do Mer­co­sul-UE pre­cisa ser rat­i­fi­ca­do pelos par­la­men­tos de todos os país­es dos dois blo­cos para entrar em vig­or. Uma trami­tação que envolve 31 país­es.

Trabalhadores de aplicativos

Mais cedo, o pres­i­dente Lula e o min­istro do Tra­bal­ho, Luiz Mar­in­ho, se reuni­ram, em Madri, com lid­er­anças sindi­cais espan­ho­las do Sindi­ca­to Unión Gen­er­al de Tra­ba­jado­ras y Tra­ba­jadores de España (UGT) e da Comi­siones Obr­eras (CCOO).

Madri, Espanha, 25.04.2023 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, se reuniram nesta terça-feira (25/4), em Madri, com lideranças sindicais espanholas do Sindicato Unión General de Trabajadoras y
Repro­dução: Pres­i­dente Lula e min­istro Luiz Mar­in­ho se reuni­ram com lid­er­anças sindi­cais espan­ho­las — Ricar­do Stuckert/PR

De acor­do com o Planal­to, Lula e as cen­trais con­ver­saram sobre a refor­ma tra­bal­hista na Espan­ha, “que recu­per­ou dire­itos e lidou com a questão da mel­ho­ra de condições de vida dos tra­bal­hadores de aplica­tivos”. “Uma das con­quis­tas dos tra­bal­hadores espan­hóis foi a obri­gação de que as empre­sas abram os dados e parâmet­ros dos algo­rit­mos das empre­sas”, expli­cou a Presidên­cia, em comu­ni­ca­do.

O gov­er­no fed­er­al deve apre­sen­tar uma pro­pos­ta de reg­u­la­men­tação do tra­bal­ho por aplica­ti­vo até o fim deste semes­tre. O Min­istério do Tra­bal­ho tem ouvi­do rep­re­sen­tantes dos próprios tra­bal­hadores e das platafor­mas de serviços, espe­cial­is­tas e estu­da­do a leg­is­lação de out­ros país­es para chegar a um con­sen­so sobre uma pro­pos­ta que asse­gure dire­itos à cat­e­go­ria.

O pres­i­dente Lula está em viagem ofi­cial a Europa des­de sex­ta-feira (21) e des­de então cumpriu agen­da em Por­tu­gal. Nes­ta terça-feira, ele foi hom­e­nagea­do em uma sessão solene da Assem­bleia da Repúbli­ca Por­tugue­sa. Na sequên­cia, a comi­ti­va brasileira embar­cou para Madri, cap­i­tal da Espan­ha, onde per­manece até aman­hã (26).

Edição: Juliana Andrade

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