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Mais de um milhão de hectares serão protegidos na Caatinga

Repro­du­ção: © Gabri­el Car­va­lho/­Se­tur-BA

Desertificação atinge 13% do semiárido brasileiro


Publicado em 11/06/2024 — 09:35 Por Fabíola Sinimbú — Repórter da Agência Brasil — Brasília

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O Minis­té­rio do Meio Ambi­en­te e Mudan­ça do Cli­ma (MMA) anun­ci­ou a sele­ção de 12 pro­je­tos pri­o­ri­tá­ri­os para a cri­a­ção de uni­da­des de con­ser­va­ção fede­rais no bio­ma Caa­tin­ga, a serem implan­ta­das até 2026, que resul­ta­rão no aumen­to de mais de um milhão de hec­ta­res das áre­as pro­te­gi­das.

Encon­tram-se em anda­men­to as ampli­a­ções do Par­que Naci­o­nal da Ser­ra das Con­fu­sões, no Piauí; da Flo­res­ta Naci­o­nal de Açu, no Rio Gran­de do Nor­te; e do Refú­gio da Vida Sil­ves­tre do Sol­da­di­nho-do-Ara­ra­ri­pe, no Cea­rá.

“Os estu­dos da ciên­cia estão nos mos­tran­do que já temos uma ampli­a­ção das áre­as que eram semiá­ri­das e que estão fican­do ári­das. Isso é mudan­ça do cli­ma. Se a gen­te ‘des­ca­a­tin­ga’ a Caa­tin­ga, a gen­te agra­va o pro­ble­ma”, aler­tou a minis­tra do MMA, Mari­na Sil­va.

O anún­cio foi fei­to em Petro­li­na, Per­nam­bu­co, nes­sa segun­da-fei­ra (10), duran­te o lan­ça­men­to da cam­pa­nha Ter­ra, Flo­res­ta, Água – Movi­men­to Naci­o­nal de Enfren­ta­men­to à Deser­ti­fi­ca­ção e à Seca.

As ini­ci­a­ti­vas inte­gram a Mis­são Cli­má­ti­ca pela Caa­tin­ga, que reu­niu gover­nos fede­ral e locais, além da par­ti­ci­pa­ção do secre­tá­rio-exe­cu­ti­vo da Con­ven­ção das Nações Uni­das para o Com­ba­te à Deser­ti­fi­ca­ção, Ibrahim Thi­aw, no enfren­ta­men­to aos efei­tos da mudan­ça cli­má­ti­ca na Caa­tin­ga pre­sen­te em 12% do ter­ri­tó­rio do país.

Biodiversidade

Segun­do dados do MMA, a deser­ti­fi­ca­ção atin­ge 13% do semiá­ri­do bra­si­lei­ro. São regiões onde a ati­vi­da­de huma­na e as vari­a­ções cli­má­ti­cas deter­mi­na­ram a per­da total da bio­di­ver­si­da­de, da capa­ci­da­de de ofe­re­cer ser­vi­ços ecos­sis­tê­mi­cos e até da capa­ci­da­de pro­du­ti­va do solo para segu­ran­ça ali­men­tar.

Loca­li­za­da inte­gral­men­te no semiá­ri­do, a Caa­tin­ga só exis­te no Bra­sil e abri­ga uma bio­di­ver­si­da­de úni­ca, com gran­de núme­ro de espé­ci­es endê­mi­cas, que só ocor­rem no bio­ma. Essas carac­te­rís­ti­cas — soma­das ao fato de ter 60% de seu ter­ri­tó­rio ocu­pa­do por popu­la­ções — fazem com que a vege­ta­ção nati­va des­sa região seja a mais sus­ce­tí­vel às mudan­ças cli­má­ti­cas, segun­do indi­cou o Pai­nel Inter­go­ver­na­men­tal sobre Mudan­ça do Cli­ma da Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das (ONU).

Des­de 2015, o Bra­sil tem uma Polí­ti­ca Naci­o­nal de Com­ba­te à Deser­ti­fi­ca­ção e Miti­ga­ção dos Efei­tos da Seca, cri­a­da pela lei nº13.153, mas nos últi­mos anos o des­ma­ta­men­to da Caa­tin­ga avan­çou, segun­do apon­ta o Rela­tó­rio Anu­al do Des­ma­ta­men­to da Map­bi­o­mas. Em 2023, por exem­plo, mais de um quin­to dos aler­tas de des­ma­ta­men­to em todo o Bra­sil foram no bio­ma.

Ao todo, foram des­ma­ta­dos 201.687 hec­ta­res de Caa­tin­ga, com um aumen­to de 43,3% em rela­ção a 2022. Os esta­dos da Bahia, Cea­rá e Rio Gran­de do Nor­te lide­ra­ram o cres­ci­men­to dos aler­tas de des­ma­ta­men­to na região, mas 87% dos muni­cí­pi­os no bio­ma regis­tra­ram pelo menos um even­to.

Cisternas

Após a reto­ma­da do Pro­gra­ma Cis­ter­nas no ano pas­sa­do, o Minis­té­rio do Desen­vol­vi­men­to e Assis­tên­cia Soci­al, Famí­lia e Com­ba­te à Fome anun­ci­ou um pac­to com os esta­dos do Nor­des­te que pos­si­bi­li­ta­rá a con­tra­ta­ção pela ges­tão local de sis­te­mas que ampli­am o aces­so à água para con­su­mo e pro­du­ção de ali­men­tos.

O obje­ti­vo, segun­do a secre­tá­ria de Segu­ran­ça Ali­men­tar e Nutri­ci­o­nal do MDS, Lili­an Rahal, é que o pro­gra­ma vá além da segu­ran­ça hídri­ca e ali­men­tar e tam­bém seja uma fer­ra­men­ta de resi­li­ên­cia e adap­ta­ção às mudan­ças cli­má­ti­cas.

Projetos

Duran­te a Mis­são Caa­tin­ga foram anun­ci­a­dos o Pro­je­to Conec­ta Caa­tin­ga, para pro­mo­ver a ges­tão inte­gra­da da pai­sa­gem no bio­ma, por meio de ações de recu­pe­ra­ção da vege­ta­ção nati­va e dos cor­pos hídri­cos, esti­mu­lan­do o desen­vol­vi­men­to de uma soci­o­bi­o­e­co­no­mia de bai­xo car­bo­no e conec­tan­do a vege­ta­ção entras as áre­as pro­te­gi­das. Serão inves­ti­dos R$ 30,2 milhões do Fun­do Glo­bal para o Meio Ambi­en­te (Glo­bal Envi­ron­ment Faci­lity – GEF).

O Pro­je­to Arca: áre­as pro­te­gi­das da Caa­tin­ga é outra ini­ci­a­ti­va para a pro­te­ção do bio­ma por meio da expan­são e con­so­li­da­ção do Sis­te­ma Naci­o­nal de Uni­da­des de Con­ser­va­ção da Natu­re­za (Snuc), com envol­vi­men­to das comu­ni­da­des locais visan­do a ela­bo­ra­ção de pla­nos de mane­jo das áre­as de pre­ser­va­ção nos esta­dos da Bahia, Per­nam­bu­co e Piauí, os mais des­ma­ta­dos no últi­mo ano. Os inves­ti­men­tos de R$ 50 milhões já foram apro­va­dos pelo Fun­do do Mar­co Glo­bal pela Bio­di­ver­si­da­de.

Lançamentos

Tam­bém foi anun­ci­a­da a cri­a­ção da Rede de Pes­qui­sa­do­res e Pes­qui­sa­do­ras Sobre a Deser­ti­fi­ca­ção e Seca para apoi­ar a imple­men­ta­ção da polí­ti­ca públi­ca naci­o­nal, aco­lhen­do as prin­ci­pais evi­dên­ci­as cien­tí­fi­cas no apoio à toma­da de deci­são de ges­to­res no enfren­ta­men­to à emer­gên­cia cli­má­ti­ca.

Cien­tis­tas pode­rão par­ti­ci­par fazen­do a ins­cri­ção no site do MMA, até o dia 10 de julho. Hou­ve ain­da o lan­ça­men­to do livro Mane­jo Flo­res­tal da Caa­tin­ga – 40 anos de expe­ri­men­ta­ção.

Edi­ção: Kle­ber Sam­paio

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