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Manuscritos e primeiras edições recontam história de Machado de Assis

Repro­du­ção: © Pau­lo Pinto/Agência Bra­sil

Meta é resgatar o espírito do escritor, diz coordenadora da mostra


Publi­ca­do em 18/11/2023 — 10:01 Por Dani­el Mel­lo — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

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A Ocu­pa­ção Macha­do de Assis, aber­ta à visi­ta­ção nes­te sába­do (18), não tem uma ordem cro­no­ló­gi­ca ou cami­nho pré­vio a ser per­cor­ri­do. A ideia de que cada pes­soa nave­gue livre­men­te pelos manus­cri­tos ori­gi­nais, pri­mei­ras edi­ções, fotos e víde­os foi pen­sa­da a par­tir dos pró­pri­os livros do escri­tor.

“A gen­te quis res­ga­tar o espí­ri­to do Macha­do, daque­le sen­ti­men­to que ele pro­vo­ca nos lei­to­res, que as pes­so­as, den­tro da sua obra aca­bam fazen­do as esco­lhas tam­bém, as com­pre­en­sões que elas mes­mas têm da nar­ra­ti­va”, expli­ca a coor­de­na­do­ra de Cura­do­ri­as e Pro­gra­ma­ção Artís­ti­ca do Itau Cul­tu­ral, Andreia Schi­na­si. O espa­ço, loca­li­za­do na Ave­ni­da Pau­lis­ta, região cen­tral da capi­tal, rece­be a mos­tra em home­na­gem ao escri­tor.

Nas vitri­nes, mui­tas das pri­mei­ras edi­ções de vári­os livros de um dos mais impor­tan­tes escri­to­res bra­si­lei­ros e de lín­gua por­tu­gue­sa, como Quin­cas Bor­ba, de 1891 e Desen­can­tos: fan­ta­sia dra­má­ti­ca, de 1861. Ao lado, em mui­tos casos, os con­tra­tos com os edi­to­res em que ven­dia os direi­tos sobre sua obra. Nes­ses ori­gi­nais é pos­sí­vel des­co­brir, entre outros deta­lhes, que o roman­ce Esaú e Jacó se cha­ma­ria, ini­ci­al­men­te, Últi­mo, entre outras rasu­ras que nun­ca foram publi­ca­das.

Há ain­da docu­men­tos menos espe­ra­dos, como um pare­cer de 1862, a res­pei­to da tra­du­ção da comé­dia Os Nos­sos Ínti­mos, do fran­cês Vic­to­ri­en Sar­dou, do perío­do em que tra­ba­lhou como cen­sor tea­tral.

Vozes negras

O espa­ço se ins­pi­ra na deco­ra­ção do sécu­lo 19, a par­tir da mobí­lia que Macha­do usa­va em sua casa, no núme­ro 18 da Rua Cos­me Velho, no Rio de Janei­ro. É pos­sí­vel sen­tar em cadei­ras com o esti­lo da épo­ca para assis­tir os víde­os em que atri­zes negras inter­pre­tam tre­chos das poe­si­as, peças e roman­ces do escri­tor. “A gen­te está dian­te tam­bém de um Macha­do que foi embran­que­ci­do. Então, por isso tam­bém que a gen­te, a par­tir dos docu­men­tos, a par­tir de vári­as aná­li­ses crí­ti­cas que estão dis­tri­buí­das aqui tam­bém no audi­o­vi­su­al, e essa coi­sa das lei­tu­ras, tam­bém faz um para­le­lo com a con­tem­po­ra­nei­da­de”, expli­ca Andreia sobre a opção de mar­car a negri­tu­de de Macha­do, que mui­tas vezes, foi retra­ta­do como um homem bran­co.

São Paulo (SP), 17.11.2023 - Vida e obra de Machado de Assis ganham exposição no piso Paulista do Itaú Cultural. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Repro­du­ção: Vida e obra de Macha­do de Assis ganham expo­si­ção no piso Pau­lis­ta do Itaú Cul­tu­ral. Foto: Pau­lo Pinto/Agência Bra­sil

Entre as vozes que fazem par­te des­se tra­ba­lho estão Eli­sa Lucin­da, Aysha Nas­ci­men­to, Clei­de Quei­róz e Juça­ra Mar­çal, diri­gi­das por Edi Car­do­so. Assim como toda a expo­si­ção é pen­sa­da a par­tir da aces­si­bi­li­da­de, os víde­os têm tra­du­ção em libras.

As crô­ni­cas, tex­tos crí­ti­cos e poe­mas publi­ca­dos pelo escri­tor em jor­nais tam­bém podem ser con­sul­ta­dos em um volu­me que reu­niu esse mate­ri­al espe­ci­al­men­te para a expo­si­ção. Pode ser lido, por exem­plo, o sone­to À Ilma Sra. D.P.J.A., publi­ca­do em 1854 no Perió­di­co dos Pobres, con­si­de­ra­do o pri­mei­ro poe­ma de Macha­do a che­gar aos jor­nais.

Xadrez e grego

Um tabu­lei­ro de xadrez lem­bra da pai­xão que o escri­tor tinha pelo jogo. As peças repro­du­zem as encon­tra­das na casa do autor. Estu­dos de Macha­do em gre­go com­põe o lado eru­di­to do escri­tor, enquan­to as fotos de seu enter­ro, com o cai­xão car­re­ga­do por escri­to­res famo­sos e obser­va­do por uma mul­ti­dão, mos­tram que o escri­tor tinha ape­lo popu­lar.

Um glo­bo ter­res­tre inte­ra­ti­vo per­mi­te que se escu­tem tre­chos do livro Dom Cas­mur­ro escri­to para alguns dos diver­sos idi­o­mas que foi tra­du­zi­do para o japo­nês, ára­be e ale­mão. A expo­si­ção acon­te­ce em para­le­lo com o lan­ça­men­to, em 26 volu­mes, de todas as publi­ca­ções que Macha­do lan­çou em vida, pela edi­to­ra Toda­via.

A mos­tra vai até 4 de feve­rei­ro de 2024 e é gra­tui­ta.

Edi­ção: Valé­ria Agui­ar

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