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Mapa mostra lugares representativos para a população LGBTQIA+

Repro­dução: © Reuters/Ricardo Moraes/Direitos Reser­va­dos

Trabalho busca dar visibilidade aos territórios de resistência


Publicado em 29/06/2024 — 09:13 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil  — Rio de Janeiro

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Rua San­ta Luzia, 782, quar­to número 1, Cen­tro, Rio de Janeiro. Este era o endereço do sobra­do onde vivia João Fran­cis­co dos San­tos, con­heci­do como Madame Satã, ícone LGBTQIA+ de resistên­cia, artista, trans­formista que mar­cou a noite da Lapa. Nesse endereço, em 18 de fevereiro de 1942, uma Quar­ta-Feira de Cin­zas, Satã foi pre­sa por con­ta de uma denún­cia de viz­in­ho inco­moda­do com seu com­por­ta­men­to. Mes­mo arbi­trária a ordem, foi con­de­na­da a um ano de prisão.

Praça Sete de Setem­bro, Cen­tro, Belo Hor­i­zonte. Em março de 1961, uma ron­da da Del­e­ga­cia Espe­cial­iza­da de Repressão à Vadi­agem pren­deu um grupo de 27 des­or­deiros, entre “malan­dros, vadios, macon­heiros, ladrões e anor­mais”. Os ditos anor­mais incor­po­ra­dos ao grupo eram três trav­es­tis: Hed­dy Lamar, Rosân­gela e Ste­fana.

Rio de Janeiro (RJ) 27/06/2024 - Orgulho LGBT - Marinheiros na porta de prostíbulo 1908 - Foto: Augusto Malta/Museu Bajubá/Divulgação
Rio de Janeiro — Orgul­ho LGBT —  Foto: Augus­to Malta/Museu Bajubá/Divulgação

Aveni­da Augus­to May­nard, São José, Ara­ca­ju. Neste endereço, está a sede do Cotin­gui­ba Esporte Clube, o pal­co do Baile das Atrizes, cri­a­do pelo cro­nista e comu­ni­cador social João de Bar­ros, pop­u­lar­mente con­heci­do como Bar­rin­hos, uma per­son­al­i­dade bas­tante rel­e­vante para a cul­tura sergi­pana. Esse baile era destaque pelas fan­tasias extrav­a­gantes usadas por foliões homos­sex­u­ais e tam­bém pelas trav­es­tis.

Os três endereços fazem parte, jun­to com out­ras dezenas de locações já mapeadas no país, do Mapa Inter­a­ti­vo do Patrimônio Cul­tur­al LGBTI+, uma ini­cia­ti­va do Museu Bajubá, que é um museu vir­tu­al de história da pop­u­lação de lés­bi­cas, gays, bis­sex­u­ais, pes­soas trans, inter­sex­u­ais, queer, assex­u­ais e out­ras.

O Mapa bus­car dar vis­i­bil­i­dade aos ter­ritórios de resistên­cia e espaços de memória da pop­u­lação LGBTQIA+. “Através dessa visu­al­iza­ção da local­iza­ção geográ­fi­ca, a gente cli­ca no pon­to, no alfinete, e aí se abre a história para a gente con­hecer. A gente tem bas­tante orgul­ho desse tra­bal­ho”, diz a his­to­ri­ado­ra Rita Colaço, ativista LGBTQIA+ e dire­to­ra-pres­i­dente do Museu Bajubá.

Como o próprio nome diz, o pro­je­to con­siste em um mapa onde estão mar­ca­dos os locais. Quan­do se cli­ca em qual­quer um dess­es locais, é pos­sív­el saber a história daque­le ter­ritório e porque ele é impor­tante para a pop­u­lação LGBTQIA+. Segun­do Colaço, foram mapea­d­os cer­ca de 70 locais em esta­dos e municí­pios brasileiros como Bahia, Ceará, Espíri­to San­to, Maran­hão, Pará, Per­nam­bu­co, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Brasília e Belo Hor­i­zonte. O mapa mostra tam­bém espaços em Berlim e no Méx­i­co, por con­ta de parce­rias com pesquisadores dess­es locais.

Os lugares mapea­d­os são clas­si­fi­ca­dos, entre out­ros, como endereços mem­o­ráveis, espaços de socia­bil­i­dade, protestos e mar­chas, memória de orga­ni­za­ção, memória traumáti­ca e cen­sura.

“A gente pre­cisa se apro­pri­ar do nos­so pas­sa­do, do nos­so patrimônio, dos nos­sos reg­istros, dos nos­sos vestí­gios, dos nos­sos acer­vos, rev­er­en­ciá-los, se orgul­har deles e lutar para que eles sejam sal­va­guarda­dos, para que sejam restau­ra­dos, para que sejam preser­va­dos”, defende Colaço.

Qual­quer pes­soa pode faz­er sug­estões de inclusão de local­i­dades no Mapa. Bas­ta clicar no sím­bo­lo + exis­tente no topo do mapa, à dire­i­ta, e com­par­til­har infor­mações sobre lugares que podem ser lugar de encon­tro, mon­u­men­tos, esta­b­elec­i­men­tos ou qual­quer out­ro local que ten­ha mar­ca­do a história e a cul­tura LGBTQIA+. É pre­ciso fornecer infor­mações detal­hadas e pre­cisas, men­cio­nan­do fontes.

O Mapa, que já pode ser con­sul­ta­do online, na pági­na do Museu Bajubá será ofi­cial­mente lança­do no dia 6 de jul­ho, às 15h, em um debate vir­tu­al no canal do Youtube da orga­ni­za­ção.

Edição: Aécio Ama­do

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