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Marcha das Margaridas deve reunir mais de 100 mil mulheres em Brasília

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Pela reconstrução do Brasil e pelo bem viver é o tema neste ano


Publi­ca­do em 15/08/2023 — 07:20 Por Dani­el­la Almei­da — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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Mais de 100 mil mulhe­res bra­si­lei­ras do cam­po, da flo­res­ta, das águas e das cida­des, além de repre­sen­tan­tes de 33 paí­ses, são espe­ra­das nes­ta ter­ça (15) e quar­ta-fei­ra em Bra­sí­lia, na 7ª Mar­cha das Mar­ga­ri­das. O even­to, coor­de­na­do pela Con­fe­de­ra­ção Naci­o­nal dos Tra­ba­lha­do­res na Agri­cul­tu­ra (Con­tag), fede­ra­ções e sin­di­ca­tos fili­a­dos e 16 orga­ni­za­ções par­cei­ras, ocor­re a cada qua­tro anos e a edi­ção de 2023 tem o lema Pela Rrcons­tru­ção do Bra­sil e pelo bem viver. 

São tra­ba­lha­do­ras rurais, indí­ge­nas, qui­lom­bo­las, ribei­ri­nhas, sem-ter­ra, extra­ti­vis­tas, da comu­ni­da­de LGBTQIA+ e mora­do­ras de cen­tros urba­nos. Para a Con­tag, a mar­cha é a mai­or ação polí­ti­ca de mulhe­res da Amé­ri­ca Lati­na.

Pautas

As prin­ci­pais deman­das rei­vin­di­ca­das este ano pelas “mar­ga­ri­das” estão divi­di­das em 13 eixos polí­ti­cos que serão deba­ti­dos nos dois dias do even­to:

Demo­cra­cia par­ti­ci­pa­ti­va e sobe­ra­nia popu­lar;

Poder e par­ti­ci­pa­ção polí­ti­ca das mulhe­res;

Vida livre de todas as for­mas de vio­lên­cia, sem racis­mo e sem sexis­mo;

Auto­no­mia e liber­da­de das mulhe­res sobre o seu cor­po e a sua sexu­a­li­da­de;

Pro­te­ção da natu­re­za com jus­ti­ça ambi­en­tal e cli­má­ti­ca;

Auto­de­ter­mi­na­ção dos povos, com sobe­ra­nia ali­men­tar, hídri­ca e ener­gé­ti­ca;

Demo­cra­ti­za­ção do aces­so à ter­ra e garan­tia dos direi­tos ter­ri­to­ri­ais e dos mare­tó­ri­os;

Direi­to de aces­so e uso da bio­di­ver­si­da­de, defe­sa dos bens comuns;

Vida sau­dá­vel com agro­e­co­lo­gia e segu­ran­ça ali­men­tar e nutri­ci­o­nal;

Auto­no­mia econô­mi­ca, inclu­são pro­du­ti­va, tra­ba­lho e ren­da;

Saú­de, Pre­vi­dên­cia e Assis­tên­cia Soci­al públi­ca, uni­ver­sal e soli­dá­ria;

Edu­ca­ção Públi­ca não sexis­ta e antir­ra­cis­ta e direi­to à edu­ca­ção do e no cam­po;

Uni­ver­sa­li­za­ção do aces­so à inter­net e inclu­são digi­tal.

A coor­de­na­do­ra-geral da Mar­cha das Mar­ga­ri­das e secre­tá­ria de Mulhe­res da Con­tag, a piaui­en­se Mazé Morais, comen­tou, em entre­vis­ta à Agên­cia Bra­sil, a expec­ta­ti­va para a mar­cha e a pau­ta cons­truí­da em diver­sas reu­niões rea­li­za­das des­de 2021 pelo país. “Cons­truí­mos uma pau­ta e a entre­ga­mos ao gover­no [fede­ral] em 21 de junho. Um gover­no do cam­po popu­lar demo­crá­ti­co. A nos­sa expec­ta­ti­va é que as auto­ri­da­des, no ato de encer­ra­men­to da mar­cha, pos­sam, de fato, fazer anún­ci­os rele­van­tes em rela­ção às polí­ti­cas públi­cas, a pro­gra­mas, espa­ços impor­tan­tes, que real­men­te cau­sem impac­to na vida das mulhe­res em todos os ter­ri­tó­ri­os do Bra­sil”.

Conquistas

“Essa é a mar­cha da espe­ran­ça, por­que esta­mos mui­to con­fi­an­tes quan­to à reto­ma­da dos pro­gra­mas, das polí­ti­cas, con­quis­tas, que ao lon­go do cami­nhar de mui­ta luta, nós, as mar­ga­ri­das, con­quis­ta­mos. Infe­liz­men­te, mui­tas delas foram reti­ra­das, extin­tas. Então, há uma expec­ta­ti­va mui­to gran­de de que vai ser uma gran­di­o­sa mar­cha, com a repre­sen­ta­ti­vi­da­de lin­da da diver­si­da­de que somos todas nós”.

A minis­tra das Mulhe­res, Cida Gon­çal­ves, dis­se que nos últi­mos meses a pas­ta tra­ba­lhou em par­ce­ria com outros minis­té­ri­os para garan­tir res­pos­tas às diver­sas rei­vin­di­ca­ções das mar­ga­ri­das. “Des­de ações de enfren­ta­men­to à vio­lên­cia con­tra as mulhe­res e garan­tia da auto­no­mia econô­mi­ca, à pro­te­ção dos bio­mas e jus­ti­ça cli­má­ti­ca, por exem­plo”.

“Hoje, temos um gover­no que res­pei­ta as mulhe­res do cam­po, da flo­res­ta e das águas e que tem a par­ti­ci­pa­ção soci­al como eixo fun­da­men­tal na cons­tru­ção e imple­men­ta­ção de polí­ti­cas públi­cas. Então, a Mar­cha das Mar­ga­ri­das é essa for­ça que move estru­tu­ras e que impul­si­o­na o Bra­sil rumo ao desen­vol­vi­men­to sus­ten­tá­vel, ao bem viver”.

Inspiração

Des­de 2000, o nome da mar­cha é uma home­na­gem a Mar­ga­ri­da Maria Alves, ex-pre­si­den­te do Sin­di­ca­to dos Tra­ba­lha­do­res Rurais de Ala­goa Gran­de, na Paraí­ba. Ela foi assas­si­na­da em 12 de agos­to de 1983, devi­do à luta pelos direi­tos da cate­go­ria. Des­de então, a lide­ran­ça se tor­nou sím­bo­lo da resis­tên­cia de milha­res de homens e mulhe­res que bus­cam jus­ti­ça e dig­ni­da­de. Lati­fun­diá­ri­os da região são sus­pei­tos do homi­cí­dio. Mas, até hoje, o cri­me segue sem solu­ção e os man­dan­tes não foram con­de­na­dos.

O caso de Mar­ga­ri­da Maria Alves che­gou à Comis­são Inte­ra­me­ri­ca­na de Direi­tos Huma­nos da Orga­ni­za­ção dos Esta­dos Ame­ri­ca­nos (OEA), onde, de acor­do com o Minis­té­rio dos Direi­tos Huma­nos e da Cida­da­nia, se tor­nou um mar­co na denún­cia das vio­la­ções sis­te­má­ti­cas dos direi­tos fun­da­men­tais. Em abril de 2020, a comis­são publi­cou o Rela­tó­rio de Méri­to 31/20 sobre o caso. O docu­men­to con­cluiu que o Esta­do bra­si­lei­ro é res­pon­sá­vel pela vio­la­ção dos direi­tos à vida, inte­gri­da­de pes­so­al, pro­te­ção e garan­ti­as judi­ci­ais de Mar­ga­ri­da Alves e as pes­so­as indi­ca­das no rela­tó­rio inter­na­ci­o­nal. O rela­tó­rio ain­da faz reco­men­da­ções ao Esta­do bra­si­lei­ro sobre como repa­rar inte­gral­men­te os fami­li­a­res da víti­ma; a inves­ti­ga­ção efe­ti­va para escla­re­cer os fatos; o for­ta­le­ci­men­to do Pro­gra­ma de Pro­te­ção a Defen­so­res de Direi­tos Huma­nos, con­cen­tran­do-se na pre­ven­ção de atos de vio­lên­cia.

Qua­tro déca­das após o assas­si­na­to da parai­ba­na, a secre­tá­ria Mazé Morais defen­de a memó­ria da sin­di­ca­lis­ta que lutou pelos tra­ba­lha­do­res do cam­po. “Mar­ga­ri­da será sem­pre a nos­sa ins­pi­ra­do­ra e é por isso que a gen­te segue em mar­cha”.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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