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Massacre de Paraisópolis: policiais militares têm segunda audiência

Repro­du­ção: © Pau­lo Pinto/Agência Bra­sil

Primeira sessão ocorreu em 25 de julho deste ano


Publi­ca­do em 18/12/2023 — 06:58 Por Lety­cia Bond — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

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O Tri­bu­nal de Jus­ti­ça de São Pau­lo reto­ma, no iní­cio da tar­de des­ta segun­da-fei­ra (18), o jul­ga­men­to dos 12 poli­ci­ais mili­ta­res acu­sa­dos de matar nove jovens em ope­ra­ção rea­li­za­da duran­te o Bai­le da DZ7, de funk, na fave­la de Parai­só­po­lis. Ocor­ri­do na noi­te de 1º de dezem­bro de 2019, o epi­só­dio ficou conhe­ci­do como Mas­sa­cre de Parai­só­po­lis. O que se deci­de na cor­te é se irão a júri popu­lar.

Além dos poli­ci­ais acu­sa­dos de come­ter os homi­cí­di­os, outro res­pon­de por colo­car pes­so­as da fes­ta em ris­co. O cri­me é impu­ta­do ao agen­te por­que teria sol­ta­do explo­si­vos duran­te a ope­ra­ção, aumen­tan­do o tumul­to no local.

Essa será a segun­da audi­ên­cia de ins­tru­ção, que, como a pri­mei­ra, acon­te­ce­rá no Fórum Cri­mi­nal da Bar­ra Fun­da. Estão pre­vis­tos os depoi­men­tos de 25 tes­te­mu­nhas de acu­sa­ção e cin­co de defe­sa.

Ao todo, 52 tes­te­mu­nhas foram arro­la­das no pro­ces­so, e depois da eta­pa de ins­tru­ção vem a fase de inter­ro­ga­tó­ri­os. O tri­bu­nal infor­mou à Agên­cia Bra­sil que 25 paren­tes das víti­mas se ins­cre­ve­ram para acom­pa­nhar a audi­ên­cia de hoje.

pri­mei­ra audi­ên­cia de ins­tru­ção ocor­reu em 25 de julho des­te ano, quan­do os cri­mes já havi­am com­ple­ta­do mais de três anos sem a res­pon­sa­bi­li­za­ção dos auto­res. Naque­la data, o juiz Ricar­do Augus­to Ramos deu iní­cio à cole­ta de depoi­men­tos de acu­sa­ção.

Os jovens assas­si­na­dos foram Gus­ta­vo Cruz Xavi­er, Denys Hen­ri­que Qui­ri­no da Sil­va, Mar­cos Pau­lo de Oli­vei­ra San­tos, Dennys Gui­lher­me dos San­tos Fran­co, Lua­ra Vic­to­ria de Oli­vei­ra, Edu­ar­do Sil­va, Gabri­el Rogé­rio de Mora­es, Bru­no Gabri­el dos San­tos e Mateus dos San­tos Cos­ta. Eles tinham entre 14 e 23 anos de ida­de.

O pro­ces­so foi aber­to após o Minis­té­rio Públi­co de São Pau­lo apre­sen­tar denún­cia con­tra os poli­ci­ais mili­ta­res. No enten­di­men­to dos paren­tes das víti­mas e da Defen­so­ria Públi­ca do Esta­do de São Pau­lo, fica­ram pro­va­dos exces­sos e abu­so de auto­ri­da­de por par­te dos agen­tes das for­ças de segu­ran­ça.

A Defen­so­ria Públi­ca che­gou a deta­lhar o caso em um rela­tó­rio de 187 pági­nas, que cita ima­gens cap­ta­das por câme­ras e con­ver­sas que reve­lam o modo como os poli­ci­ais agi­ram na oca­sião. O órgão afir­mou que há sóli­das evi­dên­ci­as de que os agen­tes encur­ra­la­ram jovens em uma vie­la da comu­ni­da­de e que as víti­mas mor­re­ram por asfi­xia, não por terem sido piso­te­a­das, como sus­ten­tam.

Além dis­so, a Defen­so­ria acre­di­ta que os jovens jamais resis­ti­ram a qual­quer ordem emi­ti­da pela polí­cia, que teria se diri­gi­do ao bai­le não para pres­tar socor­ro, mas para exer­cer repres­são con­tra o públi­co da fes­ta. Por essa razão, os fami­li­a­res das víti­mas rei­te­ram, ao divul­gar o caso nas redes soci­ais, ao uti­li­zar hash­tags: #não­foi­so­cor­ro, #não­foi­re­sis­tên­cia e #não­foi­pi­so­te­a­men­to. Para as famí­li­as, o caso é mais um exem­plo da leta­li­da­de poli­ci­al con­tra negros e pobres.

A defe­sa dos poli­ci­ais mili­ta­res nega que tenha havi­do erros em sua con­du­ta e ale­ga que rece­be­ram o cha­ma­do depois de o tumul­to ter come­ça­do, che­gan­do ao local para dis­per­sá-lo e garan­tir a segu­ran­ça de todos. O argu­men­to é de que hou­ve uma rea­ção dos agen­tes dian­te da fuga de dois cri­mi­no­sos, que teri­am cor­ri­do para o “pan­ca­dão”, como é conhe­ci­do popu­lar­men­te o bai­le funk, e o que se seguiu a isso foi uma con­fu­são den­tro da fes­ta, cul­mi­nan­do na mor­te dos jovens.

Na épo­ca do epi­só­dio, o então gover­na­dor de São Pau­lo, João Doria, con­vo­cou entre­vis­ta cole­ti­va para se pro­nun­ci­ar. Doria rea­fir­mou que o mode­lo de atu­a­ção das polí­ci­as não seria muda­do.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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