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Maternidade motiva jogadora de basquete a buscar novas conquistas

Repro­dução: © Divulgação/Mauricio Almeida/Direitos Reser­va­dos

Thayná Silva é a melhor jogadora das duas últimas edições da LBF


Pub­li­ca­do em 14/05/2023 — 08:00 Por Igor San­tos — Repórter da EBC — Rio de Janeiro

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Aos 27 anos, a ala Thayná Sil­va, do Sodiê/Mesquita, equipe da LBF (Liga de Bas­quete Fem­i­ni­no, prin­ci­pal com­petição de bas­quete fem­i­ni­no do país), acu­mu­la con­quis­tas indi­vid­u­ais de dar inve­ja. Tem dois prêmios de MVP (Jogado­ra Mais Valiosa), sendo tam­bém ces­tin­ha do campe­ona­to em 2021 e 2022, além de con­vo­cações para a seleção, tan­to na modal­i­dade mais con­heci­da do públi­co quan­to no 3x3, recém-instau­ra­do como esporte olímpi­co. Tan­to suces­so vem servin­do como com­bustív­el para uma série de mudanças ao redor dela, que envolvem a família, o time da atle­ta e até mes­mo o bas­quete no esta­do do Rio de Janeiro.

Na idade de Thayná, entende-se que o atle­ta de bas­quete está em seu auge físi­co, ou seja, provavel­mente na mel­hor fase da car­reira. Isso se apli­ca à jogado­ra, mas no meio do cam­in­ho o cor­po de Thayná pas­sou por per­calços que tornar­i­am com­ple­ta­mente com­preen­sív­el se ela não estivesse ren­den­do em quadra.

Em 2019, ela sofreu um aci­dente de moto que deixou várias mar­cas nas per­nas. Pouco depois, engravi­dou da primeira fil­ha, Ayl­la, que chegou a um mun­do ain­da em baque pela pan­demia de covid-19.

“Depois que tive min­ha fil­ha, pen­sa­va que não ia con­seguir time nen­hum para defend­er”, diz Thayná.

Thayná, que havia estrea­do na LBF na tem­po­ra­da 2018 jogan­do pela equipe de São Bernar­do, rece­beu pro­pos­ta para jog­ar bem mais per­to de casa. Cria de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio, ela fechou com a LSB, equipe ori­un­da de uma liga de bas­quete amador de mes­mo nome no Rio. Pos­te­ri­or­mente, o time se mudou para Mesqui­ta, municí­pio na Baix­a­da Flu­mi­nense, e foi reba­ti­za­do como Sodiê/Mesquita.

Em maio de 2022, na reta final da primeira fase, depois de dois anos con­sec­u­tivos dom­i­nan­do a liga, ela sofreu uma rup­tura no tendão de Aquiles, uma das lesões mais com­pro­m­ete­do­ras para a per­for­mance no bas­quete. No entan­to, ela esta­va pronta para retornar em março deste ano, no iní­cio da tem­po­ra­da atu­al da LBF. Nos primeiros jogos, ain­da com poucos min­u­tos, teve difi­cul­dades para man­ter a efi­ciên­cia. Mas no momen­to, depois de dez par­tidas, ala­van­ca­da por uma atu­ação de 33 pon­tos na quin­ta roda­da diante do Unisociesc/Blumenau, ela figu­ra como a prin­ci­pal ces­tin­ha do campe­ona­to, com média de 18 pon­tos por par­ti­da.

“Ten­ho tra­bal­ha­do muito nes­sa recu­per­ação. Mes­mo com o campe­ona­to rolan­do, ten­ho feito mui­ta acad­e­mia, for­t­ale­cen­do essa per­na. Acho que ago­ra estou um pouco mais tran­quila e con­fi­ante, não ten­ho mais aque­la inse­gu­rança de cor­rer”, rev­ela.

Para aju­dar a aplacar as inse­gu­ranças den­tro de quadra, Thayná tem como fator moti­vador aque­la que foi a mel­hor notí­cia ness­es últi­mos anos que mais pare­ce­r­am uma mon­tan­ha-rus­sa. Ayl­la, hoje com três anos, é a paixão da atle­ta, que pas­sa a sem­ana em Mesqui­ta treinan­do sem poder estar o tem­po todo com a fil­ha, que fre­quen­ta uma creche em Padre Miguel. Quan­do o assun­to é definir o prin­ci­pal obje­ti­vo para a car­reira, a respos­ta pas­sa tam­bém pela meni­na.

“Meu son­ho é bus­car uma exper­iên­cia fora do país. Quero ter essa maturi­dade de procu­rar out­ras lin­gua­gens, con­hecer uma nova cul­tura. Jog­ar em uma primeira divisão de Por­tu­gal ou Espan­ha”, declara.

Ao leitor que não acom­pan­ha o bas­quete fem­i­ni­no pode pare­cer estran­ho que ela afirme isso enquan­to atua por uma equipe brasileira, mas os cal­endários do bas­quete inter­na­cional per­mitem que, na práti­ca, uma atle­ta con­si­ga jog­ar duas tem­po­radas em ape­nas um ano, uma no exte­ri­or e out­ra no Brasil. A ambição profis­sion­al pode­ria jus­ti­ficar por inteiro o son­ho de Thayná, mas os motivos vão além dis­so.

“Quero ofer­e­cer à min­ha fil­ha o que não tive. Essa exper­iên­cia rep­re­sen­taria isso. Se tiv­er esta opor­tu­nidade, e ela pud­er ir comi­go, será incrív­el”, diz, às lágri­mas.

Irmã retornou às quadras após dez anos

Thayná pode ser a figu­ra com mais pro­jeção no bas­quete na família, mas não foi a primeira. A irmã Thama­ra, um ano mais vel­ho que ela, foi a pio­neira. Depois de jog­ar por Flu­mi­nense e Mangueira, se mudou para Jun­di­aí para seguir se aper­feiçoan­do nas cat­e­go­rias de base do bas­quete. No entan­to, quan­do tin­ha 18 anos, antes de se profis­sion­alizar, desis­tiu do son­ho jus­ta­mente quan­do a irmã mais nova seguia seus pas­sos e se muda­va para São Paulo. O vilão da história: o cor­po. Ela já havia oper­a­do o joel­ho e rompi­do o tendão de Aquiles, curiosa­mente a mes­ma lesão que Thayná sofreu no ano pas­sa­do.

“Não esta­va me sentin­do bem, por questões pes­soais. Fiquei longe de casa por muito tem­po, fui morar em São Paulo aos 15 anos. Foi bem difí­cil decidir vir emb­o­ra quan­do ela esta­va indo. Mas eu pre­cisa­va daqui­lo naque­le momen­to. Foi uma das decisões mais difí­ceis que já tomei”, opina Thama­ra.

Por dez anos, ela deixou o son­ho e a frus­tração em stand-by. Ter­mi­nou os estu­dos e tra­bal­hou, primeiro como mod­e­lo plus size e depois em uma empre­sa de tele­fo­nia. O bas­quete, vol­ta e meia cita­do em con­ver­sas infor­mais, per­maneceu próx­i­mo. Ao ter o con­tra­to encer­ra­do no últi­mo emprego, no fim do ano pas­sa­do, ela venceu o medo de voltar a ser ator­men­ta­da por lesões e resolveu retornar às quadras. O Sodiê/Mesquita, clube do esta­do onde nasceu e cresceu e no qual a irmã se tornou um nome grande do bas­quete nacional, abriu as por­tas para ela, enfim, jog­ar bas­quete profis­sion­al­mente.

Aos 28, ela se vê no ambi­ente para o qual car­regou a família quase duas décadas atrás, hoje dom­i­na­do pela irmã mais nova, que a tin­ha como inspi­ração.

“O bas­quete mudou muito des­de a época de min­ha para­da. Min­ha irmã tem sido uma refer­ên­cia em várias questões, me aju­dan­do bas­tante. Ela está sem­pre foca­da, queren­do mais. Isso me traz um sen­ti­men­to de quer­er mel­ho­rar. A ded­i­cação dela me faz quer­er mais”, afir­ma Thama­ra.

A luta para cultivar o basquete do Rio

As per­for­mances indi­vid­u­ais ren­der­am a Thayná diver­sas pre­mi­ações des­de que voltou a jog­ar no Rio, mas a equipe que defende ain­da rema con­tra a maré para trans­for­mar isso em mel­hores resul­ta­dos na clas­si­fi­cação. O Sodiê/Mesquita, cuja mel­hor cam­pan­ha foi um quin­to lugar em 2021, luta con­tra equipes com mais tradição no bas­quete fem­i­ni­no nacional. O Sam­paio Cor­rea, três vezes campeão da LBF, é con­sid­er­a­do a prin­ci­pal potên­cia do campe­ona­to, que tem tam­bém seis equipes de difer­entes municí­pios do inte­ri­or paulista. O Unisociesc/Blumenau, de San­ta Cata­ri­na, com­ple­ta a lista dos oito par­tic­i­pantes da com­petição.

Há anos, o bas­quete car­i­o­ca ocu­pa um papel de coad­ju­vante no cenário nacional de clubes, sem rep­re­sen­tantes na LBF ou com ape­nas um, como tem sido des­de a chega­da da LSB/Sodiê/Mesquita. A equipe vem ten­tan­do mudar isso pouco a pouco. A Are­na Sodiê, acan­hado giná­sio onde o time man­da seus jogos na LBF, em Mesqui­ta, até o ano pas­sa­do rece­bia ape­nas con­vi­da­dos, que ficavam sen­ta­dos em cadeiras à beira da quadra. Para esta tem­po­ra­da o clube inau­gurou uma peque­na arquiban­ca­da com capaci­dade para 300 pes­soas, que serve como um caldeirão em dias de jogos. Há planos para expandir o espaço, que ain­da está em obras.

Ter uma MVP no elen­co é uma opor­tu­nidade de ouro para crescer em relevân­cia e atrair a atenção do públi­co. O suces­so de Thayná pode ser a fer­ra­men­ta para isso. Em cer­tos casos, ela é, lit­eral­mente, a cara do time.

“Tem a min­ha cara por Mesqui­ta toda em anún­cios”, admite a jogado­ra aos risos.

Thayná tam­bém tem ten­ta­do ser a voz e o cor­po de uma mudança que não se sabe se vai chegar, mas que vale a pena cor­rer atrás.

“Tra­bal­hamos em prol das comu­nidades que ficam aqui ao nos­so redor. Vamos nos colé­gios para poder bus­car as meni­nas. A situ­ação no Rio é muito precária. Infe­liz­mente, só tem a gente. Base, aqui, não tem. Ter nos­so clube como refer­ên­cia tan­to na Baix­a­da quan­to na cap­i­tal me deixa ain­da mais moti­va­da para con­seguir isso”, declar­ou Thayná.

Edição: Fábio Lis­boa

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