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Ministro defende participação da sociedade para sucesso da educação

Repro­du­ção: © Jose Cruz/Agência Bra­sil

Camilo Santana fez um balanço das ações do governo em 2023


Publi­ca­do em 26/01/2024 — 15:37 Por Pedro Peduz­zi — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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A par­ti­ci­pa­ção de edu­ca­do­res e comu­ni­da­des são fato­res deci­si­vos para que as polí­ti­cas vol­ta­das à edu­ca­ção deem cer­to. Segun­do o minis­tro da Edu­ca­ção, Cami­lo San­ta­na, até para a ela­bo­ra­ção des­sas polí­ti­cas foi neces­sá­rio, ao gover­no, ter os ouvi­dos aber­tos para o que a soci­e­da­de tinha a dizer.

Mas, segun­do o minis­tro, não foi fácil. “Ao ini­ci­ar­mos nos­sa ges­tão, encon­tra­mos um minis­té­rio deses­tru­tu­ra­do em todos os aspec­tos. Des­de equi­pe, até com rela­ção ao diá­lo­go com a soci­e­da­de”, dis­se San­ta­na nes­ta sex­ta-fei­ra (26) ao ini­ci­ar sua par­ti­ci­pa­ção na cole­ti­va de impren­sa orga­ni­za­da pelo pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va para apre­sen­tar os fei­tos do gover­no na área de edu­ca­ção.

Duran­te a cerimô­nia, foi assi­na­do o decre­to com os valo­res que serão pagos pelo pro­gra­ma Pé-de-Meia aos estu­dan­tes do ensi­no médio.

Antes de fazer o balan­ço dos fei­tos – e de ante­ci­par alguns pla­nos do minis­té­rio para 2024 – San­ta­na dis­se que 2023 foi o ano em que o MEC “vol­tou a abrir suas por­tas para todos, visan­do um gran­de deba­te sobre edu­ca­ção”, e que foi a par­tir daí que foi pos­sí­vel ela­bo­rar polí­ti­cas efi­ci­en­tes como as que vêm sen­do imple­men­ta­das.

Segun­do ele, o minis­té­rio orga­ni­zou con­sul­tas que con­ta­ram com a par­ti­ci­pa­ção da soci­e­da­de. “Mais de 200 enti­da­des par­ti­ci­pa­ram de nos­sos deba­tes. Fize­mos tam­bém con­fe­rên­ci­as com esta­dos e muni­cí­pi­os, além de con­sul­tas públi­cas para o ensi­no médio para, então, gerar­mos pro­pos­tas. Mais de 130 mil pes­so­as par­ti­ci­pa­ram”, reve­lou San­ta­na.

Tudo, segun­do ele, visan­do “uma edu­ca­ção à qual todos tenham aces­so; e na qual todos per­ma­ne­çam na esco­la, com qua­li­da­de e sem as desi­gual­da­des exis­ten­tes”. O minis­tro res­sal­tou que o gover­no esta­rá foca­do na melho­ra do ensi­no em comu­ni­da­des menos favo­re­ci­das, como indí­ge­nas e qui­lom­bo­las.

Alfabetização

San­ta­na des­ta­cou que uma das fren­tes de atu­a­ção mais rele­van­tes será a vol­ta­da à alfa­be­ti­za­ção de cri­an­ças na ida­de cer­ta, uma vez que a fal­ta de qua­li­da­de na alfa­be­ti­za­ção cau­sa impac­tos nega­ti­vos na tra­je­tó­ria dos alu­nos, e que isso tem influên­cia dire­ta nos índi­ces de repro­va­ção e eva­são esco­lar.

Ele lem­brou que 61,3% dos estu­dan­tes em fase de alfa­be­ti­za­ção apre­sen­tam bai­xo desem­pe­nho em lín­gua por­tu­gue­sa. “Vemos um pico de repe­tên­cia no 3° ano. Isso é con­sequên­cia de uma má alfa­be­ti­za­ção”, dis­se o minis­tro ao res­sal­tar que o ris­co de eva­são é ain­da mai­or após a repro­va­ção do alu­no na esco­la.

“Por isso é neces­sá­rio olhar­mos para os dois pri­mei­ros anos na esco­la, garan­tin­do a alfa­be­ti­za­ção na ida­de cer­ta”, rei­te­rou ao lem­brar que, em 2023, havia, no país, 9,5 milhões de pes­so­as não alfa­be­ti­za­das, com 15 anos de ida­de ou mais. “Des­te total, 56% estão na Região Nor­des­te; e 22% no Nor­des­te”.

Ain­da segun­do o minis­tro, 480 mil estu­dan­tes dei­xa­ram a esco­la de 2019 para 2020. “Isso cor­res­pon­de a uma taxa de eva­são de 7,5%. Há [atu­al­men­te] 520 mil jovens com ida­de entre 15 e 17 anos fora da esco­la”, acres­cen­tou.

Para o minis­tro, a esco­la em tem­po inte­gral pode aju­dar a rever­ter essa situ­a­ção. “Mas a esco­la tem de ser atra­ti­va, com aces­so a espor­te e cul­tu­ra, com infra­es­tru­tu­ra e ori­en­ta­ção peda­gó­gi­ca”, defen­deu ao infor­mar que o gover­no pre­ten­de dis­po­ni­bi­li­zar R$ 4 bilhões por ano para esse pro­gra­ma.

A eva­são, acres­cen­tou San­ta­na, cau­sa refle­xos que per­du­ram ao lon­go da vida dos indi­ví­du­os. “O salá­rio de quem con­clui o ensi­no médio é 104% mai­or do que quem não con­clui”, argu­men­tou.

Participação

O pre­si­den­te Lula lem­brou que o desa­fio na área de edu­ca­ção sem­pre foi gran­de no Bra­sil, e que mui­to se deve à fal­ta de von­ta­de de uma eli­te his­tó­ri­ca que sem­pre fez da edu­ca­ção um pri­vi­lé­gio para pou­cos.

“Sem­pre está fal­tan­do algo para fazer [na edu­ca­ção]. Há sem­pre algum pro­ble­ma, prin­ci­pal­men­te nos ensi­nos bási­co e médio”, dis­se o pre­si­den­te ao res­sal­tar que, para ser resol­vi­do, esse pro­ble­ma pre­ci­sa ser com­ba­ti­do com a par­ti­ci­pa­ção das comu­ni­da­des, além do poder públi­co.

“Que­re­mos envol­ver a soci­e­da­de, sobre­tu­do os pais e as mães, para fazer­mos a esco­la fun­ci­o­nar com qua­li­da­de”.

Segun­do o pre­si­den­te Lula, dois fato­res serão deci­si­vos para o suces­so de polí­ti­cas públi­cas vol­ta­das à edu­ca­ção. “O pri­mei­ro é a qua­li­da­de de tra­ta­men­to que dare­mos aos edu­ca­do­res, que esta­rão em sala de aula. A remu­ne­ra­ção tem de ser sufi­ci­en­te para eles cui­da­rem de suas famí­li­as”, dis­se.

“O segun­do envol­ve a comu­ni­da­de local. Pre­ci­sa­mos con­ven­cer pais e mães a acom­pa­nha­rem a situ­a­ção das esco­las e de seus alu­nos”, acres­cen­tou ao defen­der que polí­ti­cas como a de esco­la em tem­po inte­gral.

Programas

De acor­do com os núme­ros apre­sen­ta­dos pelo gover­no duran­te a cerimô­nia, o pro­gra­ma Pé-de-Meia já tem garan­ti­dos R$ 6,1 bilhões para seu cus­teio em 2024. O pro­gra­ma Esco­la em Tem­po Inte­gral, que já con­ta com a ade­são de 100% dos esta­dos e 91% dos muni­cí­pi­os, rece­beu cer­ca de R$ 1,7 bilhão até o final de 2023, valor que deve­rá che­gar a R$ 4 bilhões no biê­nio e a R$ 12 bilhões em inves­ti­men­tos até 2026 – resul­tan­do na cri­a­ção de 3,2 milhões de novas vagas.

O Desen­ro­la Fies, vol­ta­do à rene­go­ci­a­ção de dívi­das de estu­dan­tes com o Fies, está dis­po­ní­vel para 1,2 milhão de estu­dan­tes. O valor total de dívi­das do Fies com pos­si­bi­li­da­de de serem nego­ci­a­das che­ga a R$ 55,6 bilhões.

Esco­las públi­cas de todo o país foram bene­fi­ci­a­das com rea­jus­tes, ampli­a­ção e exe­cu­ção de pro­gra­mas. No caso do vol­ta­do à ali­men­ta­ção esco­lar, o rea­jus­te che­gou a 39% após seis anos sem aumen­to dos valo­res repas­sa­dos pelo gover­no fede­ral.

Já o Pro­gra­ma Naci­o­nal de Trans­por­te Esco­lar teve aumen­to de 16% em 2023, após 7 anos sem rea­jus­te para a rede públi­ca em áre­as rurais. A ele, foram des­ti­na­dos cer­ca de R$ 790 milhões. Outros R$ 2 bilhões foram repas­sa­dos ao Pro­gra­ma Naci­o­nal do Livro Didá­ti­co.

Foi tam­bém lem­bra­do o rea­jus­te dado pelo gover­no para as bol­sas de pós-gra­du­a­ção, de for­ma­ção de pro­fes­so­res e para a bol­sa de per­ma­nên­cia – algo que não ocor­ria há 10 anos.

Edi­ção: Fer­nan­do Fra­ga

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