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Mocidade abre o segundo dia de desfile na Sapucaí cantando o caju

Repro­du­ção: © Foto: Mar­co Ter­ra­no­va | Rio de Janei­ro

Histórias afro-brasileiras também foram tema das escolas


Publi­ca­do em 13/02/2024 — 09:15 Por Ana Cris­ti­na Cam­pos – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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O segun­do e últi­mo dia de des­fi­les do Gru­po Espe­ci­al no Sam­bó­dro­mo, no Rio de Janei­ro, teve como des­ta­que os enre­dos que home­na­gei­am per­so­na­li­da­des e his­tó­ri­as da popu­la­ção afro-bra­si­lei­ra, como a can­to­ra Alci­o­ne (Man­guei­ra), o livro Um Defei­to de Cor (Por­te­la), o almi­ran­te negro João Cân­di­do (Tuiu­ti) e divin­da­des afri­ca­nas (Vira­dou­ro).

A noi­te come­çou com a Moci­da­de Inde­pen­den­te de Padre Miguel que trou­xe para a ave­ni­da enre­do com o títu­lo Pede caju que dou… Pé de caju que dá!. A esco­la ver­de e bran­ca cele­brou a impor­tân­cia do caju na cul­tu­ra naci­o­nal. A ideia foi con­tar a his­tó­ria da fru­ta nati­va dos povos ori­gi­ná­ri­os até os dias atu­ais.

Em segui­da, entrou na Mar­ques de Sapu­caí a Por­te­la que apre­sen­tou o enre­do Um defei­to de cor, base­a­do no livro homô­ni­mo de Ana Maria Gon­çal­ves. No roman­ce, Kehin­de, mulher escra­vi­za­da ain­da cri­an­ça na Áfri­ca que viveu boa par­te da vida no Bra­sil, pro­cu­ra um filho per­di­do, que seria Luiz Gama, famo­so abo­li­ci­o­nis­ta, jor­na­lis­ta, poe­ta e advo­ga­do bra­si­lei­ro.

A Uni­dos de Vila Isa­bel veio na sequên­cia com o enre­do Gba­lá – via­gem ao Tem­plo da Cri­a­ção. Foram nar­ra­das his­tó­ri­as yoru­bá des­de que a huma­ni­da­de exis­te. É uma ree­di­ção do enre­do que foi tra­zi­do pela esco­la para a ave­ni­da em 1993. Os ver­sos atu­a­li­za­ram a men­sa­gem ante­ri­or, com uma lei­tu­ra mais atu­al sobre a res­pon­sa­bi­li­da­de huma­na com o pla­ne­ta e as gera­ções futu­ras.

A Man­guei­ra entrou em segui­da para cele­brar a his­tó­ria de vida da can­to­ra Alci­o­ne com o enre­do A negra voz do ama­nhã. Íco­ne do sam­ba, da músi­ca bra­si­lei­ra e da esco­la do mor­ro da Man­guei­ra, a his­tó­ria de Alci­o­ne foi con­ta­da des­de a infân­cia, no Mara­nhão, onde nas­ceu, até a cons­tru­ção da vida artís­ti­ca no Rio de Janei­ro. Em 2024, a can­to­ra com­ple­ta 50 anos de car­rei­ra.

A Paraí­so do Tuiu­ti apre­sen­tou o enre­do Gló­ria ao almi­ran­te negro, sobre a tra­je­tó­ria revo­lu­ci­o­ná­ria de João Cân­di­do Felis­ber­to, conhe­ci­do por lide­rar a revol­ta da Chi­ba­ta, em 1910. No epi­só­dio, o levan­te pre­ten­dia aca­bar com as prá­ti­cas vio­len­tas e maus tra­tos da Mari­nha aos mari­nhei­ros, na mai­o­ria, negros.

O últi­mo des­fi­le na Sapu­caí foi da Uni­dos do Vira­dou­ro, que trou­xe o enre­do Arro­bo­boi, Dang­bé!, lide­ra­do pelo car­na­va­les­co Tar­cí­sio Zanon. Foi con­ta­do na ave­ni­da o mito de uma ser­pen­te vodum, que se tor­nou uma divin­da­de após épi­ca bata­lha entre rei­nos da anti­ga região da Cos­ta da Mina, na Áfri­ca.

Edi­ção: Deni­se Gri­e­sin­ger

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