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MPF ajuíza ação contra “padrão estético” em escolas públicas militares

Repro­du­ção: © Anto­nio Cruz/ Agên­cia Bra­sil

Para procuradores, padrões ferem liberdade de expressão e intimidade


Publi­ca­do em 15/07/2023 — 17:37 Por Pedro Peduz­zi – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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Ação do Minis­té­rio Públi­co Fede­ral (MPF) ajui­za­da no Acre quer garan­tir aos estu­dan­tes de esco­las públi­cas mili­ta­res e cívi­co-mili­ta­res o direi­to a não seguir “padrões esté­ti­cos e de com­por­ta­men­tos base­a­dos na cul­tu­ra mili­tar” que não este­jam rela­ci­o­na­dos à melho­ria do ensi­no. Se aca­ta­da, a pro­pos­ta terá abran­gên­cia naci­o­nal.

Segun­do os pro­cu­ra­do­res, a ques­tão está rela­ci­o­na­da à garan­tia de direi­tos fun­da­men­tais, como liber­da­de de expres­são, inti­mi­da­de e vida pri­va­da. Assim sen­do, as con­du­tas impos­tas pelos mili­ta­res não se apli­ca­ri­am a cabe­los, unhas, maqui­a­gem, tatu­a­gem ou for­mas de ves­tir dos estu­dan­tes.

Além dis­so, a ação pede que os colé­gi­os “se abs­te­nham de punir os alu­nos em vir­tu­de da apre­sen­ta­ção pes­so­al”. Para o MPF, a impo­si­ção de padrão esté­ti­co uni­for­me aos alu­nos tem “impac­to nega­ti­vo des­pro­por­ci­o­nal em indi­ví­du­os de gru­pos mino­ri­tá­ri­os”, além de reve­lar “ver­da­dei­ra dis­cri­mi­na­ção injus­ti­fi­cá­vel dian­te do atu­al regi­me cons­ti­tu­ci­o­nal”.

Entre as deter­mi­na­ções apre­sen­ta­das pelos colé­gi­os mili­ta­res está a de que “cabe­los volu­mo­sos serão usa­dos cur­tos ou pre­sos”, enquan­to os cabe­los cur­tos podem ser sol­tos, o que repre­sen­ta, segun­do o MPF, “racis­mo ins­ti­tu­ci­o­nal com as pes­so­as pre­tas e par­das, com cabe­los cabe­los cres­pos e cache­a­dos”.

Ain­da segun­do a ação, “a valo­ri­za­ção do cabe­lo afro sig­ni­fi­ca expres­são de luta e faz par­te da rede­fi­ni­ção da iden­ti­da­de negra”.

Visão limitada

O MPF argu­men­ta que essas esco­las proí­bem, tam­bém, com­por­ta­men­tos como “mexer-se exces­si­va­men­te” ou “ler jor­nais con­tra a moral e bons cos­tu­mes”. Na ava­li­a­ção dos pro­cu­ra­do­res, isso é incom­pa­tí­vel com o Esta­do Demo­crá­ti­co de Direi­to e com a liber­da­de de expres­são.

Em nota, o pro­cu­ra­dor da Repú­bli­ca Lucas Cos­ta Almei­da Dias afir­ma que as res­tri­ções esté­ti­cas implan­ta­das pelo mode­lo de mili­ta­ri­za­ção das esco­las “seguem uma visão de mun­do limi­ta­da da rea­li­da­de, abso­lu­ta­men­te incom­pa­tí­vel com a vira­da para­dig­má­ti­ca pro­du­zi­da pela Cons­ti­tui­ção Fede­ral e, espe­ci­al­men­te, sem nenhu­ma van­ta­gem com­pro­va­da na expe­ri­ên­cia de apren­di­za­do”.

Ele acres­cen­ta que a recen­te deli­be­ra­ção do Exe­cu­ti­vo Fede­ral de encer­rar o Pro­gra­ma Naci­o­nal das Esco­las Cívi­co-Mili­ta­res (Pecim) não reper­cu­te na refe­ri­da ação civil públi­ca por­que “o obje­to da pro­vi­dên­cia judi­ci­al é mais amplo, já que tam­bém abar­ca o regi­me das esco­las públi­cas mili­ta­res esta­du­ais e fede­rais”.

A ação do MPF apre­sen­ta dados – inclu­si­ve de vio­lên­cia e abu­sos pra­ti­ca­dos em esco­las mili­ta­res – com­pro­van­do que a trans­fe­rên­cia da dire­ção de esco­las a mili­ta­res sem expe­ri­ên­cia ou for­ma­ção peda­gó­gi­ca, sob o pre­tex­to de implan­tar dis­ci­pli­na, “aca­ba por impor­tar para o ambi­en­te esco­lar outras pro­ble­má­ti­cas da vivên­cia mili­tar”.

Edi­ção: Deni­se Gri­e­sin­ger

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