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MPT: trabalho escravo é um círculo vicioso que deve ser quebrado

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© Minis­té­rio Públi­co do Tra­ba­lho — Divul­ga­ção

Em cinco anos foram 928 denúncias relacionadas ao crime


Publi­ca­do em 28/01/2021 — 22:10 Por Cami­la Boehm – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

Nos últi­mos cin­co anos, de 2016 a 2020, o Minis­té­rio Públi­co do Tra­ba­lho (MPT) rece­beu 928 denún­ci­as e ajui­zou 55 ações civis públi­cas rela­ci­o­na­das aos temas tra­ba­lho escra­vo e ali­ci­a­men­to e trá­fi­co de tra­ba­lha­do­res em todo o esta­do de São Pau­lo, por meio de suas sedes na capi­tal e em Cam­pi­nas. Foram 402 inqué­ri­tos civis aber­tos para apu­rar os fatos denun­ci­a­dos e 164 Ter­mos de Ajus­ta­men­to de Con­du­ta (TAC) fir­ma­dos.

Além do tra­ba­lho de res­ga­te, o pro­cu­ra­dor do tra­ba­lho Tia­go Cabral, repre­sen­tan­te do Pro­je­to Estra­té­gi­co Capa­ci­ta­ção da Rede de Aten­di­men­to dos Tra­ba­lha­do­res Res­ga­ta­dos de Tra­ba­lho Escra­vo, res­sal­tou a impor­tân­cia de uma rede de assis­tên­cia soci­al para o aten­di­men­to da víti­ma res­ga­ta­da. Segun­do ele, o com­ba­te da situ­a­ção de tra­ba­lho escra­vo deve tam­bém per­pas­sar a his­tó­ria da víti­ma e levar em con­si­de­ra­ção que aque­la pes­soa, mui­tas vezes, não tem nem a cons­ci­ên­cia da situ­a­ção degra­dan­te a que foi expos­ta.

“Isso não é ape­nas uma cons­ta­ta­ção empí­ri­ca. Em ver­da­de, é um man­da­men­to que está pro­pos­to no pro­to­co­lo adi­ci­o­nal da Con­ven­ção 29 sobre o tra­ba­lho for­ça­do da OIT [Orga­ni­za­ção Inter­na­ci­o­nal do Tra­ba­lho] e esse tra­ba­lho fei­to pela rede de assis­tên­cia é mui­to rele­van­te para que as víti­mas sejam rein­se­ri­das ao mun­do do tra­ba­lho e elas não vol­tem a ser viti­ma­das”, dis­se Cabral, duran­te even­to onli­ne rea­li­za­do hoje pelo MPT para mar­car o Dia Naci­o­nal de Com­ba­te ao Tra­ba­lho Escra­vo, cele­bra­do em 28 de janei­ro.

Cabral acres­cen­tou que “não é nenhu­ma novi­da­de a todos aque­les que lidam com o tra­ba­lho escra­vo no dia a dia que, às vezes, res­ga­ta­mos [as mes­mas] pes­so­as uma, duas, três vezes. Esse cír­cu­lo vici­o­so cer­ta­men­te tem que ser que­bra­do. E, para que isso seja que­bra­do, nós pre­ci­sa­mos de uma rede de assis­tên­cia for­te”. Com as auto­ri­za­ções da pro­cu­ra­do­ria-geral do tra­ba­lho e da Esco­la Supe­ri­or do Minis­té­rio Públi­co da União, foi cri­a­do o pro­je­to estra­té­gi­co do qual Cabral faz par­te e que bus­ca aten­der essa neces­si­da­de de trei­na­men­to da rede de aten­di­men­to.

O pro­cu­ra­dor do tra­ba­lho Ital­var Fili­pe de Pai­va Medi­na, vice-coor­de­na­dor Naci­o­nal do Com­ba­te ao Tra­ba­lho Escra­vo e Enfren­ta­men­to ao Trá­fi­co de Pes­so­as (Cona­e­te), lem­brou da Ope­ra­ção Res­ga­te anun­ci­a­da hoje, mas que teve iní­cio em 13 de janei­ro. Segun­do o MPT, essa é a mai­or for­ça-tare­fa de com­ba­te ao tra­ba­lho escra­vo já rea­li­za­da no Bra­sil.

“Já está ultra­pas­san­do 140 tra­ba­lha­do­res res­ga­ta­dos em todas as regiões do país, dos mais dife­ren­tes graus de vul­ne­ra­bi­li­da­de, des­de indí­ge­nas, migran­tes, ido­sos, ado­les­cen­tes e pes­so­as com defi­ci­ên­cia. Foram rea­li­za­das for­ças-tare­fas em 23 uni­da­des da fede­ra­ção, simul­tâ­ne­as, e esse núme­ro mos­tra como o tra­ba­lho escra­vo é uma rea­li­da­de séria, é uma rea­li­da­de pre­sen­te no nos­so país que pre­ci­sa ser erra­di­ca­da efe­ti­va­men­te e com­ba­ti­da de uma for­ma cada vez mais inten­sa”, dis­se Medi­na.

O pro­cu­ra­dor des­ta­cou que a pre­ven­ção ao trá­fi­co de pes­so­as é essen­ci­al, como for­ma de evi­tar o iní­cio da explo­ra­ção des­ses tra­ba­lha­do­res. “Tam­bém é de fun­da­men­tal impor­tân­cia o aten­di­men­to de todas essas víti­mas para que elas con­si­gam real­men­te reto­mar as suas vidas, viver de uma for­ma dig­na, não ser nova­men­te sub­me­ti­das ao tra­ba­lho escra­vo e pos­sam inclu­si­ve vol­tar aos estu­dos, vol­tar a tra­ba­lhar com todos os seus direi­tos garan­ti­dos”, fina­li­zou.

Edi­ção: Ali­ne Leal

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