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Mudança climática pode aumentar frequência e intensidade de tornados

Evento no Paraná deve servir como alerta de urgência, diz especialista

Tâmara Freire — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 08/11/2025 — 18:08
Rio de Janeiro
Paraná 08/11/2025 - Ciclone extratropical causa destruição no Paraná; 60 mil casas estão sem energia. Foto: Ari Dias/AEN
Repro­dução: © Ari Dias/AEN

O tor­na­do que destru­iu 90% da cidade paranaense de Rio Boni­to do Iguaçu e deixou ao menos 750 feri­dos dev­e­ria servir como aler­ta de “deses­pero e urgên­cia” para as autori­dades reunidas da Con­fer­ên­cia das Nações Unidas para o Cli­ma (COP-30), defend­eu o secretário-exec­u­ti­vo do Obser­vatório do Cli­ma, Már­cio Astri­ni. O even­to começa na próx­i­ma segun­da-feira (10), mas o encon­tro de chefes de Esta­do foi real­iza­do nas últi­mas quin­ta e sex­ta-feira. 

“O que acon­te­ceu no Paraná, que é triste e grave, é mais uma repetição do que vem acon­te­cen­do não ape­nas no Brasil, na Amazô­nia, no Rio Grande do Sul, em São Sebastião, em Petrópo­lis, no norte de Minas, sul da Bahia, como no mun­do inteiro tam­bém”, desta­cou.

“Os últi­mos dez anos foram os dez anos mais quentes da história. Tudo isso dev­e­ria entrar para den­tro da Con­fer­ên­cia do Cli­ma, mas, muitas vezes, o que a gente vê é que a reunião fica imper­me­áv­el ao mun­do real”, criti­cou Astri­ni, que rep­re­sen­ta a prin­ci­pal rede da sociedade civ­il brasileira com atu­ação sobre as mudanças climáti­cas.

Astri­ni espera que o even­to do Paraná seja cita­do pelo pres­i­dente Luiz Iná­cio Lula da Sil­va, na aber­tu­ra ofi­cial da COP, segun­da-feira (10) e que essa “real­i­dade” ajude a sen­si­bi­lizar os país­es par­tic­i­pantes sobre “o mun­do real, que está agon­i­zan­do”.

“A gente têm alguns país­es que são mais vul­neráveis a essa situ­ação, como o Brasil, que depende da agri­cul­tura, a ger­ação da nos­sa ener­gia depende da reg­u­lar­i­dade climáti­ca, com as hidrelétri­c­as. O pres­i­dente Lula deve faz­er a aber­tu­ra, pode ser que ele cite. A gente sem­pre espera que essas citações e essas real­i­dades ten­ham efeito lá pra den­tro”, com­ple­men­ta.

A oceanó­grafa Rena­ta Nagai, pesquisado­ra da Uni­ver­si­dade de São Paulo, apoia­da pelo Insti­tu­to Ser­rapil­heira, expli­ca que tor­na­dos, como o que atingiu Rio Boni­to do Iguaçu, não acon­te­cem ape­nas por causa das mudanças climáti­cas, mas o dese­qui­líbrio do cli­ma pode con­tribuir para que eles sejam mais fre­quentes e inten­sos. 

“As mudanças climáti­cas estão asso­ci­adas a um aporte de com­bustíveis fós­seis e de gas­es de efeito est­u­fa na atmos­fera e isso aumen­ta a ener­gia, cau­san­do o aque­c­i­men­to da atmos­fera e tam­bém dos oceanos. Esse aumen­to do calor provo­ca tam­bém o aumen­to da umi­dade, pela evap­o­ração. Mais calor e mais umi­dade servem quase como um com­bustív­el para ess­es even­tos mete­o­rológi­cos extremos”

A espe­cial­ista expli­ca que tor­na­dos são col­u­nas de ar que giram em altís­si­ma veloci­dade, for­madas a par­tir de nuvens de tem­pes­tades. Ape­sar de serem rápi­dos e de peque­na exten­são, podem ter grande poder destru­ti­vo, ao tocarem o solo. O fenô­meno é favore­ci­do pela alta umi­dade e pelo ar quente.

O pro­fes­sor e pesquisador da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP) Michel Mahiques afir­ma que esse tipo de fenô­meno pode se tornar mais comum.

“Tor­na­dos, como o que acon­te­ceu no Paraná, ocor­rem por con­ta de grandes difer­enças de pressão, cau­sadas por mas­sas de ar com pro­priedades muito difer­entes, como a tem­per­atu­ra. Ago­ra, com as mudanças climáti­cas, essas difer­enças se inten­si­fi­cam, e a pos­si­bil­i­dade de ocor­rer even­tos extremos como esse aumen­ta”

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