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Mulheres negras lideram maioria das comunidades na Baixada Santista

Repro­dução: © Tomaz Silva/Agência Brasil

Elas têm pouco acesso a recursos e a políticas públicas, mostra estudo


Publicado em 21/06/2024 — 08:03 Por Flávia Albuquerque — Repórter da Agência Brasil  — São Paulo

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O per­fil pre­dom­i­nante das 37 lid­er­anças comu­nitárias dos municí­pios de San­tos, São Vicente, Guaru­já, Cubatão e Peruíbe, na Baix­a­da San­tista (SP), é de mul­heres que se autode­clar­am negras, que rep­re­sen­tam 70% do total, e 96% delas não têm ren­da pes­soal. Os dados são do  estu­do Ter­ritório e Comu­nidades da Baix­a­da San­tista, feito pelo Insti­tu­to Elos.

A pesquisa tam­bém mostra que 62% atu­am há mais de vinte anos como lid­er­anças e 61% têm mais de 50 anos. O obje­ti­vo do estu­do é iden­ti­ficar o panora­ma atu­al das lid­er­anças, orga­ni­za­ções e ter­ritórios da Baix­a­da San­tista pós pan­demia, mapear o aces­so aos bens e serviços públi­cos nos ter­ritórios e as condições insti­tu­cionais ou não, das ações real­izadas pelo for­t­alec­i­men­to comu­nitário na região.

Entre os desafios para atu­ar como lid­er­anças nos ter­ritórios, os fatores mais indi­ca­dos são a fal­ta de aces­so a recur­sos finan­ceiros para man­ter asso­ci­ações comu­nitárias e a desmo­bi­liza­ção (87% e 74% respec­ti­va­mente). A fal­ta de aces­so às políti­cas públi­cas foi indi­ca­da como um desafio para 70% das lid­er­anças entre­vis­tadas. No entan­to, de todo o uni­ver­so da pesquisa, ape­nas 35% par­tic­i­pam de con­sel­hos ou de ini­cia­ti­vas de diál­o­gos com o setor públi­co.

A pesquisa foi lança­da na mes­ma sem­ana do dia 21 de jun­ho, data insti­tuí­da para comem­o­rar o Dia da Edu­cação Humana Não Sex­ista. A data existe des­de 1991 e foi cri­a­da pela Rede de Edu­cação Pop­u­lar entre Mul­heres da Améri­ca Lati­na e do Caribe (Repem).

“O que vemos é que existe uma difi­cul­dade imen­sa de se man­ter e de man­ter esse tra­bal­ho social. E não só na pan­demia, mas no pós-pan­demia, porque ain­da se enfrenta uma real­i­dade de bas­tante vul­ner­a­bil­i­dade social, com o agrava­men­to da fome, da inse­gu­rança ali­men­tar e quem está à frente dessas orga­ni­za­ções são majori­tari­a­mente mul­heres negras”, expli­cou a arquite­ta e dire­to­ra de pro­je­tos do Insti­tu­to Elos, Natasha Gabriel.

Natasha desta­cou que essas mul­heres à frente das orga­ni­za­ções são aque­las que fazem um tra­bal­ho de cuida­dos social e cole­ti­vo, volta­do para a econo­mia do cuida­do não só no ambi­ente domés­ti­co e famil­iar, mas no cole­ti­vo por meio dos tra­bal­hos soci­ais nos ter­ritórios.

“Por isso falam­os do tema da edu­cação não sex­ista, porque a base de tudo é a edu­cação. Ou seja, quan­do enten­demos que a maio­r­ia das pes­soas que estão pre­ocu­padas com a nos­sa sociedade, com esse cuida­do cotid­i­ano cole­ti­vo são mul­heres, enten­demos que pre­cisamos real­mente tra­bal­har uma série de val­ores, como a diver­si­dade, a sol­i­dariedade, a empa­tia, a coop­er­ação”, diz a dire­to­ra.

Para Natasha, levan­do em con­sid­er­ação que muitas já estão na lid­er­ança há mais de 20 anos, seria necessário pen­sar em um arran­jo social jus­to, porque além de exercerem essa função, são mul­heres que muitas vezes têm um emprego for­mal remu­ner­a­do e cuidam da casa e da família, mer­gul­han­do em jor­na­da tripla. Segun­do ela, 96% das lid­er­anças atu­am sem remu­ner­ação pes­soal.

“Por que a sociedade não recon­hece isso como um tra­bal­ho que mereça algu­ma remu­ner­ação, já que ele é tão impor­tante e fun­da­men­tal para a trans­for­mação socioam­bi­en­tal? O ide­al é que seja min­i­ma­mente viáv­el já que é tão impor­tante”, ques­tiona.

Edição: Sab­ri­na Craide

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