...
quarta-feira ,28 fevereiro 2024
Home / Sem categoria / Novos casos de hanseníase aumentaram 5% de janeiro a novembro de 2023

Novos casos de hanseníase aumentaram 5% de janeiro a novembro de 2023

Repro­du­ção: © SMS de Mes­qui­ta / RJ

Mês de janeiro é dedicado à campanha de combate à doença


Publi­ca­do em 11/01/2024 — 07:00 Por Alex Rodri­gues — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

ouvir:

Entre janei­ro e novem­bro de 2023, o Bra­sil diag­nos­ti­cou ao menos 19.219 novos casos de han­se­nía­se. Mes­mo que pre­li­mi­nar, o resul­ta­do já é 5% supe­ri­or ao total de noti­fi­ca­ções regis­tra­das no mes­mo perío­do de 2022.

Segun­do as infor­ma­ções do Pai­nel de Moni­to­ra­men­to de Indi­ca­do­res da Han­se­nía­se, do Minis­té­rio da Saú­de, o esta­do de Mato Gros­so segue lide­ran­do o ran­king das uni­da­des fede­ra­ti­vas com mai­o­res taxas de detec­ção da doen­ça.

Até o fim de novem­bro, o total de 3.927 novos casos no esta­do já supe­ra­va em 76% as 2.229 ocor­rên­ci­as do mes­mo perío­do de 2022. Em segui­da vem o Mara­nhão, com 2.028 noti­fi­ca­ções, resul­ta­do qua­se 8% infe­ri­or aos 2.196 regis­tros ante­ri­o­res.

Con­sul­ta­da pela Agên­cia Bra­sil, a Secre­ta­ria de Saú­de de Mato Gros­so infor­mou que nos últi­mos anos os diag­nós­ti­cos da doen­ça vêm aumen­tan­do gra­du­al­men­te, resul­ta­do de uma “polí­ti­ca ati­va de detec­ção” que, entre outras medi­das, inclui a “capa­ci­ta­ção dos pro­fis­si­o­nais da saú­de”.

A exem­plo do Mato Gros­so, outras uni­da­des fede­ra­ti­vas seguem abas­te­cen­do o cadas­tro naci­o­nal com infor­ma­ções ante­ri­o­res a novem­bro, o que sig­ni­fi­ca que o per­cen­tu­al de 5% ten­de a aumen­tar ain­da mais.

A pas­ta tam­bém atu­a­li­zou os dados esta­du­ais. Soma­dos os diag­nós­ti­cos de dezem­bro e outros ain­da não repor­ta­dos ao Sis­te­ma de Infor­ma­ção de Agra­vos de Noti­fi­ca­ção (Sinan), o total de novos casos noti­fi­ca­dos em 2023 já che­ga a 4.212.

“Para nós, o aumen­to [dos diag­nós­ti­cos] naci­o­nal do últi­mo ano não é novi­da­de, pois há uma gran­de sub­no­ti­fi­ca­ção de casos no país”, dis­se o coor­de­na­dor Naci­o­nal do Movi­men­to de Rein­te­gra­ção das Pes­so­as Atin­gi­das pela Han­se­nía­se (Morhan), Faus­ti­no Pin­to, expli­can­do que, para­do­xal­men­te, o aumen­to de diag­nós­ti­cos é, em um pri­mei­ro momen­to, algo posi­ti­vo.

De acor­do com Faus­ti­no, até 2019, o núme­ro de novos casos iden­ti­fi­ca­dos vinha aumen­tan­do ano a ano, sem, com isso, repre­sen­tar a real gra­vi­da­de da situ­a­ção. “Como há mui­tos anos não há uma cam­pa­nha naci­o­nal de escla­re­ci­men­to e estí­mu­lo para as pes­so­as pro­cu­ra­rem o ser­vi­ço de saú­de em caso de sus­pei­ta da doen­ça, os diag­nós­ti­cos são resul­ta­do de uma bus­ca espon­tâ­nea. As pes­so­as pro­cu­ra­ram o ser­vi­ço de saú­de por ini­ci­a­ti­va pró­pria, bus­can­do as cau­sas de uma man­cha na pele; área dor­men­te ou dores nos ner­vos”, expli­cou Pin­to, acres­cen­tan­do que a situ­a­ção pio­rou de 2020 a 2021, devi­do à pan­de­mia da covid-19.

A Secre­ta­ria de Vigi­lân­cia em Saú­de, do Minis­té­rio da Saú­de, no bole­tim epi­de­mi­o­ló­gi­co divul­ga­do em janei­ro de 2023, com os dados da doen­ça rela­ti­vos a 2022, admi­te que a pan­de­mia impôs um desa­fio extra, exi­gin­do estra­té­gi­as dire­ci­o­na­das ao for­ta­le­ci­men­to das ações de con­tro­le da han­se­nía­se.

“A pan­de­mia de covid-19 cri­ou difi­cul­da­des para novos diag­nós­ti­cos e para o tra­ta­men­to de paci­en­tes com han­se­nía­se, con­tri­buin­do para a sub­no­ti­fi­ca­ção e o pior prog­nós­ti­co dos casos”, dis­se a secre­ta­ria ao demons­trar que, de 2019 a 2020, o total de casos diag­nos­ti­ca­dos caiu de 27.864 para 17.979. Além dis­so, em 2021, 11,2% dos 18.318 novos paci­en­tes iden­ti­fi­ca­dos já apre­sen­ta­vam lesões gra­ves nos olhos, mãos e pés quan­do foram diag­nos­ti­ca­dos.

Novos casos de hanseníase aumentaram 5% de janeiro a novembro de 2023. Fonte: Sinan/SVS/MS
Repro­du­ção: Fon­te: Sinan/SVS/MS

“Ou seja, hoje não retor­na­mos sequer aos núme­ros pré-pan­de­mia, quan­do já acu­sá­va­mos a sub­no­ti­fi­ca­ção. O que sig­ni­fi­ca que a situ­a­ção atu­al é ain­da mais gra­ve, por­que se esta­mos iden­ti­fi­can­do ape­nas os paci­en­tes que che­gam por deman­da espon­tâ­nea, mui­tas pes­so­as estão dei­xan­do de ser tra­ta­das a tem­po de evi­tar seque­las neu­ro­ló­gi­cas. Tam­bém esta­mos falhan­do nos esfor­ços para inter­rom­per o ciclo de trans­mis­são da doen­ça”, comen­tou Pin­to, des­ta­can­do que, uma vez ini­ci­a­do o tra­ta­men­to, a pes­soa infec­ta­da dei­xa de trans­mi­tir a bac­té­ria cau­sa­do­ra da han­se­nía­se para outras pes­so­as sus­cep­tí­veis a desen­vol­ver a doen­ça.

Janeiro Roxo

Con­si­de­ra­da uma das mais anti­gas doen­ças a afli­gir o ser huma­no, a han­se­nía­se é uma doen­ça infec­ci­o­sa e con­ta­gi­o­sa que atin­ge a pele, muco­sas e o sis­te­ma ner­vo­so peri­fé­ri­co, ou seja, ner­vos e gân­gli­os. Embo­ra tenha cura, pode cau­sar lesões e danos neu­rais irre­ver­sí­veis se não for diag­nos­ti­ca­da a tem­po e tra­ta­da de for­ma ade­qua­da.

Entre os sinais e sin­to­mas mais fre­quen­tes estão o apa­re­ci­men­to de man­chas, que podem ser bran­cas, aver­me­lha­das, acas­ta­nha­das ou amar­ron­za­das, e/ou áre­as da pele com alte­ra­ção da sen­si­bi­li­da­de e o com­pro­me­ti­men­to dos ner­vos peri­fé­ri­cos, geral­men­te com engros­sa­men­to da pele, asso­ci­a­do a alte­ra­ções sen­si­ti­vas, moto­ras e/ou autonô­mi­cas.

Tam­bém podem ser indí­ci­os da doen­ça o sur­gi­men­to de áre­as com dimi­nui­ção dos pelos e do suor; sen­sa­ção de for­mi­ga­men­to e/ou fis­ga­das, prin­ci­pal­men­te em mãos e pés; dimi­nui­ção ou per­da da sen­si­bi­li­da­de e/ou da for­ça mus­cu­lar na face, e/ou nas mãos e/ou nos pés, bem como a ocor­rên­cia de caro­ços (nódu­los) no cor­po, em alguns casos aver­me­lha­dos e dolo­ro­sos.

A mai­o­ria das pes­so­as expos­tas à bac­té­ria Myco­bac­te­rium leprae não desen­vol­ve a doen­ça.

De acor­do com o Minis­té­rio da Saú­de, a han­se­nía­se é iden­ti­fi­ca­da por meio de exa­me físi­co geral, der­ma­to­ló­gi­co e neu­ro­ló­gi­co. Rea­li­za­do com o uso de medi­ca­men­tos anti­mi­cro­bi­a­nos, o tra­ta­men­to é fei­to gra­tui­ta­men­te, no Sis­te­ma Úni­co de Saú­de (SUS), não exi­gin­do inter­na­ção. A dura­ção do tra­ta­men­to varia con­for­me a for­ma clí­ni­ca da doen­ça

Casos onde haja sus­pei­ta de com­pro­me­ti­men­to neu­ral, mas sem lesão cutâ­nea, e aque­les que apre­sen­tam área com alte­ra­ção sen­si­ti­va e/ou autonô­mi­ca duvi­do­sa e sem lesão cutâ­nea evi­den­te, devem ser enca­mi­nha­dos para uni­da­des de saú­de de mai­or com­ple­xi­da­de aptas a ava­li­ar o qua­dro geral do paci­en­te. Em cri­an­ças, o diag­nós­ti­co exi­ge uma ava­li­a­ção mais cri­te­ri­o­sa, devi­do à difi­cul­da­de de apli­ca­ção e inter­pre­ta­ção dos tes­tes de sen­si­bi­li­da­de. Além dis­so, é bom estar aten­to, pois casos infan­tis são indi­ca­do­res de trans­mis­são ati­va da doen­ça, espe­ci­al­men­te entre paren­tes. Pes­so­as que con­vi­vem com quem tem a han­se­nía­se trans­mis­sí­vel têm três vezes mais ris­co de desen­vol­ver a doen­ça, devi­do ao con­ta­to pró­xi­mo e pro­lon­ga­do.

Para cons­ci­en­ti­zar a popu­la­ção em geral e as auto­ri­da­des públi­cas em par­ti­cu­lar sobre a impor­tân­cia do diag­nós­ti­co pre­co­ce e do enfren­ta­men­to ao pre­con­cei­to con­tra a han­se­nía­se, no Bra­sil, des­de 2016, o mês de janei­ro é dedi­ca­do à cam­pa­nha Janei­ro Roxo. Ofi­ci­a­li­za­da pelo Minis­té­rio da Saú­de, a ini­ci­a­ti­va bus­ca dis­se­mi­nar infor­ma­ções sobre os prin­ci­pais sinais, sin­to­mas, tra­ta­men­to e pre­ven­ção da doen­ça.

Embo­ra cons­te do calen­dá­rio do Minis­té­rio da Saú­de, a ini­ci­a­ti­va, na prá­ti­ca, é rea­li­za­da por esta­dos e muni­cí­pi­os. A Secre­ta­ria de Saú­de do Pará (Ses­pa), por exem­plo, anun­ci­ou que, duran­te todo o mês, rea­li­za­rá um ciclo de capa­ci­ta­ções para ser­vi­do­res esta­du­ais e muni­ci­pais.

“Vamos abran­ger 13 cen­tros regi­o­nais e os 144 muni­cí­pi­os, já pre­pa­ran­do para um tra­ba­lho em que os muni­cí­pi­os pro­ta­go­ni­za­rão o com­ba­te à han­se­nía­se duran­te todo o ano de 2024 e não ape­nas em janei­ro. Pos­te­ri­or­men­te, vamos incen­ti­var os muni­cí­pi­os a tra­ba­lhar a sua pró­pria cam­pa­nha, por­que eles são exe­cu­to­res e lidam dire­ta­men­te com a popu­la­ção”, infor­mou em nota o coor­de­na­dor do Pro­gra­ma de Con­tro­le de Han­se­nía­se da Ses­pa, Luís Augus­to Cos­ta de Oli­vei­ra.

De acor­do com ele, em 2023, o esta­do regis­trou 1.349 novos casos da doen­ça,  100 a mais do que as noti­fi­ca­ções já lan­ça­das no sis­te­ma do Minis­té­rio da Saú­de. Do total, 92 casos envol­vem cri­an­ças e ado­les­cen­tes com menos de 15 anos de ida­de.

“A cada mês de janei­ro vemos ini­ci­a­ti­vas como esta. A meu ver, são tími­das e não sim­bo­li­zam uma cam­pa­nha naci­o­nal que, se ocor­res­se, resul­ta­ria na noti­fi­ca­ção de mui­tos mais casos do que os que temos vis­to todos os anos. Hou­ves­se bus­ca ati­va [de pes­so­as infec­ta­das], em vez de 20 mil casos, tería­mos 30 mil. Trin­ta mil pes­so­as diag­nos­ti­ca­das, tra­ta­das e cura­das, com a devi­da inter­rup­ção da trans­mis­são. Só com isso pode­ría­mos, daqui a alguns anos, pen­sar em redu­zir e até quem sabe erra­di­car a doen­ça”, dis­se o coor­de­na­dor do Morhan, Faus­ti­no Pin­to.

Edi­ção: Fer­nan­do Fra­ga

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Falha em parques eólicos e solares no CE causou apagão de agosto

ONS divulgou relatório nesta terça-feira (26) Publi­ca­do em 26/09/2023 — 18:11 Por Caro­li­na Pimen­tel — …