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ONU alerta sobre impactos da mudança climática nas geleiras

Países em desenvolvimento nas montanhas precisam de US$ 187 bi anuais

Fabío­la Sin­im­bú — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 21/03/2025 — 11:57
Brasília
Geleiras na Antártica
Repro­dução: © Mau­rí­cio de Almei­da — TV Brasil

O Relatório Mundi­al de Desen­volvi­men­to Hídri­co das Nações Unidas de 2025 traz um aler­ta sobre o impacto do aque­c­i­men­to glob­al na água doce do plan­e­ta pre­sente nas mon­tan­has na for­ma de neve, gelo e solo con­ge­la­do. Segun­do o estu­do, cer­ca de dois bil­hões de pes­soas no plan­e­ta depen­dem dire­ta­mente das águas das mon­tan­has para viv­er, mas caso ela acabe, todo o mun­do será afe­ta­do.

Nas pro­jeções sobre os efeitos do aque­c­i­men­to glob­al para a crios­fera — regiões que con­têm água con­ge­la­da — o relatório apon­ta uma per­da de 26% a 41% da mas­sa total das geleiras nas mon­tan­has em todo o mun­do até 2100. Isso terá efeitos sobre ecos­sis­temas e pop­u­lações que pro­duzem ali­men­tos, ener­gia e ger­am cresci­men­to econômi­co a par­tir das águas armazenadas nas mon­tan­has.

O relatório desta­ca, ain­da, os impactos do der­re­ti­men­to das geleiras no ciclo hidrológi­co, que, com flux­os de água mais var­iáveis e incer­tos, causam mudanças nos padrões do cli­ma e das chu­vas e con­se­quente aumen­to dos riscos de inun­dações e desliza­men­tos de ter­ra.

De acor­do com a pub­li­cação, a per­da de mas­sa das geleiras ocor­ri­das entre 1985 e 2014 resul­tou em 713 even­tos de extremo climáti­co que ger­aram per­das econômi­cas equiv­a­lentes a US$ 56 bil­hões e afe­taram mais de 258 mil­hões de pes­soas, deixan­do mais de 39 mil mor­tos.

Desafios

O relatório desta­ca, tam­bém, que o desafio de mel­ho­rar a gov­er­nança dess­es recur­sos das mon­tan­has ocorre em um con­tex­to em que 2,2 bil­hões de pes­soas per­manecem sem aces­so à água potáv­el e segu­rança hídri­ca e 3,5 bil­hões pes­soas não têm aces­so ao sanea­men­to bási­co no mun­do.

Geleiras na Antártica
Repro­dução: Dois bil­hões de pes­soas no plan­e­ta depen­dem das águas das mon­tan­has para viv­er — foto — Mau­rí­cio de Almei­da — TV Brasil

Os cam­in­hos apon­ta­dos pelo relatório da ONU sug­erem uma mel­ho­ria na obtenção e qual­i­dade dos dados de mon­i­tora­men­to das geleiras, como maior pre­cisão para avali­ação do bal­anço de mas­sa, condições tér­mi­cas e umi­dade do solo con­ge­la­do.

“Ter dados aber­tos e livre­mente acessíveis com obser­vação e pre­visão integradas para bacias de mon­tan­ha é um meio valioso para reduzir lacu­nas de recur­sos”, desta­ca o doc­u­men­to.

As con­tribuições do con­hec­i­men­to indí­ge­na, das mul­heres e das comu­nidades mais afe­tadas nos pro­je­tos cien­tí­fi­cos são desta­cadas na pub­li­cação como fun­da­men­tais para com­preen­são dos desafios, divul­gação, edu­cação e enga­ja­men­to comu­nitário. “Os povos indí­ge­nas têm conexões anti­gas com a ter­ra e a água nas regiões mon­tan­hosas, que estão pro­fun­da­mente enraizadas em suas práti­cas cul­tur­ais, espir­i­tu­ais e de sub­sistên­cia”, enfa­ti­za.

O envolvi­men­to das comu­nidades cien­tí­fi­cas e o com­par­til­hamen­to de dados além das fron­teiras entre os país­es tam­bém são con­sid­er­a­dos peças chaves na bus­ca por soluções para bacias hidro­grá­fi­cas que não coin­ci­dem com os lim­ites políti­cos, dizem cien­tis­tas. “Geren­ciar a diver­si­dade e a com­plex­i­dade dos recur­sos hídri­cos requer con­tribuições de uma série de dis­ci­plinas, atores e pro­gra­mas de treina­men­to trans­ver­sais”, aler­ta o doc­u­men­to.

Financiamento

O relatório desta­ca ain­da que serão necessários inves­ti­men­tos de aprox­i­mada­mente US$ 187 bil­hões por ano para finan­ciar a adap­tação de país­es em desen­volvi­men­to nas mon­tan­has. Atual­mente, o fluxo finan­ceiro inter­na­cional dá con­ta de ape­nas US$ 13,8 bil­hões ao ano para essa final­i­dade

Segun­do a Orga­ni­za­ção das Nações Unidas para a Edu­cação, Ciên­cia e Cul­tura (Unesco), os dados reunidos no relatório Mon­tan­has e Glacia­res: Tor­res de Água servem de base para o com­pro­me­ti­men­to dos país­es com ações climáti­cas e estão alin­hados ao Ano Inter­na­cional da preser­vação das Geleiras. Con­fi­ra aqui o con­teú­do da pub­li­cação na ver­são em inglês.

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