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Orquestra Santoro completa 45 anos de histórias e saudades

Repro­dução: © Gabriel Jabur/Agencia Brasil

Caminhos da Reportagem deste domingo mostra trajetória


Publicado em 16/06/2024 — 12:15 Por TV Brasil — Brasília

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Neste ano, a Orques­tra Sin­fôni­ca do Teatro Nacional Clau­dio San­toro (OSTNCS), de Brasília, comem­o­ra 45 anos. Para cel­e­brar a data, o Cam­in­hos da Reportagem entre­vis­tou músi­cos que fiz­er­am e fazem parte dessa história.

A OSTNCS fez  con­cer­to inau­gur­al no dia 6 de março de 1979, sob as batu­tas do mae­stro Clau­dio San­toro, um dos maiores com­pos­i­tores eru­di­tos do Brasil e com grande recon­hec­i­men­to inter­na­cional. Em 1978, San­toro havia sido con­vi­da­do para fun­dar o Depar­ta­men­to de Músi­ca da Uni­ver­si­dade de Brasília e a orques­tra do Teatro Nacional. Para assumir a mis­são em Brasília, San­toro deixou o exílio na Ale­man­ha, para onde foi durante a ditadu­ra.

Gise­le San­toro, viú­va do mae­stro, con­ta que foi o ide­al­is­mo de San­toro que os trouxe de vol­ta para o Brasil. Ele tin­ha o son­ho de traz­er para cá ini­cia­ti­vas de excelên­cia, como tin­ha con­heci­do no exte­ri­or. “Morá­va­mos muito bem, ele gan­ha­va muito bem, era super respeita­do. Tin­ha uma car­reira inter­na­cional pela Europa e eu tam­bém uma car­reira de dança, esco­la de dança, fazia espetácu­los.. Ele deixou tudo isso para trás, porque viu a pos­si­bil­i­dade de uma uni­ver­si­dade nova em Brasília, de real­mente ser implan­ta­da uma coisa de alto nív­el”, relem­bra Gise­le.

Primeiros Anos

Beth Ernest Dias, flautista aposen­ta­da da orques­tra, con­ta que, nos primeiros anos, exis­tia uma von­tade dos músi­cos de cor­re­spon­der àque­las exigên­cias musi­cais que o mae­stro San­toro tin­ha. “Ele nos fez tocar todas as sin­fo­nias de Tchaikovsky, todas as sin­fo­nias de Mozart, todas de Beethoven. É o repertório de base que faz com que uma orques­tra con­strua a sua própria sonori­dade. E a sonori­dade de uma orques­tra é algo intocáv­el, porém muito valioso”, con­ta.

Clin­au­ra Macê­do, vio­lin­ista aposen­ta­da da OSTNCS, ressalta o prestí­gio que San­toro tin­ha e como ele foi capaz de traz­er grandes nomes para tocar com a orques­tra, em Brasília. “Nesse perío­do, ain­da em 1979, a orques­tra nascen­do, Jacques Klein veio tocar conosco. Foi um dos pianistas mais impor­tantes do Brasil, recon­heci­do inter­na­cional­mente. Em 1980, veio Nel­son Freire, um dos cin­co pianistas mais impor­tantes do mun­do. Veio ain­da Jean-Pierre Ram­pal, o maior flautista do mun­do, francês. Além de três com­pos­i­tores do primeiro pata­mar do Brasil: Camar­go Guarnieri, Guer­ra Peixe e Fran­cis­co Mignone”.

San­toro per­maneceu na orques­tra do Teatro Nacional, com um breve perío­do de inter­rupção, até 1989, quan­do fale­ceu no pal­co, diante dos músi­cos, durante um ensaio. Com a morte do mae­stro, o teatro foi reba­ti­za­do, receben­do o nome de Teatro Nacional Clau­dio San­toro. Então, quem assum­iu as batu­tas foi Sil­vio Bar­ba­to, um jovem mae­stro de 29 anos que era braço-dire­ito de San­toro.

Bar­ba­to teve duas pas­sagens como mae­stro da OSTNCS, de 1989 a 1992 e de 1999 a 2006. Tragi­ca­mente, em 2009, Bar­ba­to desa­pare­ceu, aos 50 anos, no voo 447 da Air France que sobrevoa­va o Oceano Atlân­ti­co.

Memória

Miri­an Gomes, que tra­bal­hou como coor­de­nado­ra admin­is­tra­ti­va da orques­tra no final dos anos 1980 e iní­cio dos 90, se emo­ciona ao lem­brar da con­vivên­cia com os dois mae­stros. “A con­vivên­cia com o mae­stro San­toro foi mar­avil­hosa. Eu tive essa exper­iên­cia de tra­bal­har com uma pes­soa do nív­el dele, como se eu estivesse tra­bal­han­do com algum out­ro com­pos­i­tor, Beethoven… sei lá. E o Sil­vio Bar­ba­to, quer diz­er, ele tin­ha idade para ser meu fil­ho, era uma pes­soa doce. Essa é a lem­brança que eu ten­ho dess­es anos de con­vivên­cia, que foram os mel­hores anos da min­ha vida”.

O mari­do de Miri­an, Ronal­do Gomes, tin­ha uma fil­mado­ra à época e começou a gravar os con­cer­tos da orques­tra. Ao lon­go de 7 anos, ele reg­istrou cer­ca de 120 apre­sen­tações. “É um reg­istro históri­co. Porque se eu não tivesse feito… Se essas gravações não tivessem acon­te­ci­do, o que teríamos hoje? E ago­ra surgiu a ideia de a gente faz­er a doação dessas fitas para a orques­tra como um arqui­vo para eles. É uma memória”, afir­ma Ronal­do.

Cláu­dio Cohen, mae­stro da orques­tra des­de 2011, con­ta que recen­te­mente foi fei­ta uma revi­tal­iza­ção do arqui­vo musi­cal da OSTNCS.  “Fize­mos uma imen­sa mobi­liza­ção e con­trata­mos uma equipe espe­cial­iza­da, que fez toda a cat­a­lo­gação do nos­so mate­r­i­al. Trans­porta­mos o nos­so arqui­vo musi­cal para den­tro da Bib­liote­ca Nacional, para ter­mos um espaço mais preser­va­do, um espaço nobre da cidade, onde as pes­soas poderão ter aces­so à história e poderão ter con­ta­to com esse mate­r­i­al”, expli­ca Cohen.

Teatro Fechado

Entre saudades e boas memórias, um assun­to é una­n­im­i­dade: o incon­formis­mo com o Teatro Nacional Clau­dio San­toro estar fecha­do há mais de dez anos. O secretário de Cul­tura do DF, Cláu­dio Abrantes, expli­ca que o local foi inter­di­ta­do pelo Min­istério Públi­co e pelo Cor­po de Bombeiros, em 2013. “Naque­la época, a gente teve um triste fato no país que foi a boate Kiss, que impactou dire­ta­mente em todos os equipa­men­tos públi­cos do país, no cuida­do, sobre­tu­do, quan­to aos mate­ri­ais. Enten­deu-se que o teatro, diante do que tin­ha acon­te­ci­do e por uma pre­caução, ofer­e­cia riscos aos usuários”.

O mae­stro Cohen afir­ma que luta não só pela revi­tal­iza­ção do Teatro Nacional mas tam­bém pela con­strução de out­ros teatros na cap­i­tal. “O Teatro Nacional Clau­dio San­toro está em refor­ma e a gente espera voltar para lá em breve, pois está pre­vis­to para ser entregue nos próx­i­mos meses. Eu estive recen­te­mente em uma turnê na Chi­na, foram 10 cidades e 12 teatros mar­avil­hosos, cada um mais lin­do que o out­ro, o que mostra real­mente a pujança econômi­ca que esse país vem usufruin­do e ela se reflete no inves­ti­men­to na área cul­tur­al para a sua própria pop­u­lação. Então Brasília não pode ficar para trás e o fechamen­to do Teatro Nacional ess­es anos foi uma per­da”.

Edição: Aline Leal

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