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Pacheco: ministros do STF não se sobrepõem ao Congresso e ao Planalto

Repro­du­ção: © Fabio Rodri­gues-Poz­ze­bom/ Agên­cia Bra­sil

Senado aprovou PEC que limita decisões individuais no Supremo


Publi­ca­do em 23/11/2023 — 20:10 Por Caro­li­na Pimen­tel — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O pre­si­den­te do Sena­do, Rodri­go Pache­co (PSD-MG), dis­se que as deci­sões indi­vi­du­ais de um minis­tro do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF) não podem se sobre­por ao Con­gres­so Naci­o­nal e ao pre­si­den­te da Repú­bli­ca.

A decla­ra­ção ocor­re após o Sena­do ter apro­va­do nes­sa quar­ta-fei­ra (22) pro­pos­ta de emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) que limi­ta as deci­sões mono­crá­ti­cas (indi­vi­du­ais) dos minis­tros da Cor­te Supre­ma e demais tri­bu­nais. Mais cedo, nes­ta quin­ta-fei­ra (23), o pre­si­den­te do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF), minis­tro Luís Rober­to Bar­ro­so, dis­se que a pro­pos­ta é des­ne­ces­sá­ria e não con­tri­bui para o Bra­sil.

“Esta­mos pro­mo­ven­do uma bus­ca de equi­lí­brio entre os Pode­res, para que uma lei, vota­da no Con­gres­so Naci­o­nal, que é for­ma­do por repre­sen­tan­tes do povo bra­si­lei­ro, não seja des­con­truí­da por um ato uni­la­te­ral de uma pes­soa, que por mais impor­tân­cia que tenha, como minis­tro do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral, não se sobre­põe ao Con­gres­so Naci­o­nal, não se sobre­põe ao Pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca, não se sobre­põe ao cole­gi­a­do da sua pró­pria Casa”, afir­mou Pache­co.

De acor­do com Pache­co, a pro­pos­ta tem emba­sa­men­to téc­ni­co, foi ampla­men­te deba­ti­da com a soci­e­da­de e pelos sena­do­res e bus­ca equi­lí­brio entre os Pode­res. Ele argu­men­ta ain­da que a pró­pria Cons­ti­tui­ção pre­vê que decla­ra­ções de incons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de de leis devem ser toma­das pela mai­o­ria abso­lu­ta do cole­gi­a­do do STF, o que não vem sen­do, segun­do ele, cum­pri­do no país.

“Não pode­mos admi­tir que a indi­vi­du­a­li­da­de de um minis­tro do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral decla­re incons­ti­tu­ci­o­nal uma lei sem a cole­gi­a­li­da­de do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral. Por­tan­to, não admi­to que se quei­ra poli­ti­zar e gerar um pro­ble­ma ins­ti­tu­ci­o­nal ao entor­no de um tema que foi deba­ti­do com a mai­or cla­re­za pos­sí­vel, que não cons­ti­tui nenhum tipo de enfren­ta­men­to, nenhum tipo de reta­li­a­ção, e nós jamais nos per­mi­ti­ría­mos a fazer isso, por­que é algo pura­men­te téc­ni­co”, dis­se em entre­vis­ta à impren­sa.

Pache­co afir­mou, que como pre­si­den­te do Sena­do, já defen­deu o STF e seus minis­tros. Ele res­sal­tou que nenhum Poder detém mono­pó­lio para defe­sa da demo­cra­cia nem é into­cá­vel.

“Que­ro dizer que nenhu­ma ins­ti­tui­ção tem o mono­pó­lio da defe­sa da demo­cra­cia no Bra­sil. Aqui des­se púl­pi­to e do ple­ná­rio do Sena­do Fede­ral, eu, como pre­si­den­te do Sena­do, defen­di o Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral, defen­di a Jus­ti­ça Elei­to­ral, defen­di as urnas ele­trô­ni­cas, defen­di os minis­tros do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral, defen­di a demo­cra­cia do nos­so país, repe­li a todo o momen­to as argui­ções anti­de­mo­crá­ti­cas”, dis­se. “Isso não sig­ni­fi­ca que as ins­ti­tui­ções sejam imu­tá­veis, into­cá­veis em razão de suas atri­bui­ções”, acres­cen­tou.

Barroso

Além de con­si­de­rar des­ne­ces­sá­ria a PEC apro­va­da pelo Sena­do, o pre­si­den­te do STF afir­mou nes­ta quin­ta-fei­ra que a maté­ria “não con­tri­bui para a ins­ti­tu­ci­o­na­li­da­de do país”.

“O Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral não vê razão para mudan­ças cons­ti­tu­ci­o­nais que visem a alte­rar as regras de seu fun­ci­o­na­men­to. Num país que tem deman­das impor­tan­tes e urgen­tes, que vão do avan­ço do cri­me orga­ni­za­do à mudan­ça cli­má­ti­ca que impac­ta a vida de milhões de pes­so­as, nada suge­re que os pro­ble­mas pri­o­ri­tá­ri­os do Bra­sil este­jam no Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral”, decla­rou.

O minis­tro Gil­mar Men­des, deca­no do STF, dis­se que alte­rar as regras que garan­tem o fun­ci­o­na­men­to do Supre­mo pode ser con­si­de­ra­do incons­ti­tu­ci­o­nal. Men­des tam­bém afir­mou que a Cor­te não admi­te inti­mi­da­ções. “Esta Casa não é com­pos­ta por covar­des, não é com­pos­ta por medro­sos”, con­cluiu.

Pela PEC, ficam proi­bi­das deci­sões mono­crá­ti­cas para sus­pen­der leis ou atos dos pre­si­den­tes da Repú­bli­ca, da Câma­ra dos Depu­ta­dos e do Sena­do. As deci­sões para sus­pen­são des­sas nor­mas devem ser toma­das de for­ma cole­gi­a­da.

O tex­to segue para Câma­ra dos Depu­ta­dos, onde não há pra­zo da vota­ção da maté­ria. Para ser pro­mul­ga­da, a pro­pos­ta tam­bém pre­ci­sa ser apro­va­da em dois tur­nos no ple­ná­rio da Casa.

Edi­ção: Juli­a­na Andra­de

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