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País ainda enfrenta desconfiança em relação à vacinação

Repro­du­ção: © Pau­lo Pinto/ Agên­cia Bra­sil

Imunização voltou à pauta de prioridades do governo


Publi­ca­do em 30/12/2023 — 08:54 Por Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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A des­con­fi­an­ça de par­te da popu­la­ção em rela­ção à imu­ni­za­ção, fomen­ta­da por cam­pa­nhas de desin­for­ma­ção e movi­men­tos anti­va­ci­na, con­ti­nua sen­do um desa­fio para o Bra­sil. De acor­do com a minis­tra da Saú­de, Nísia Trin­da­de, o fenô­me­no da “hesi­ta­ção vaci­nal”, por par­te de uma par­ce­la dos bra­si­lei­ros, come­çou a ganhar for­ça por vol­ta do ano de 2016.

Ali­a­da a res­tri­ções orça­men­tá­ri­as na área da saú­de e à pou­ca dis­po­si­ção do gover­no ante­ri­or em esti­mu­lar a imu­ni­za­ção da popu­la­ção, a des­con­fi­an­ça pro­vo­cou a que­da da cober­tu­ra de vaci­na­ção no país, nos últi­mos anos, ava­li­ou.

Em 2019, o Bra­sil per­deu o cer­ti­fi­ca­do de eli­mi­na­ção do saram­po, devi­do, segun­do a minis­tra, à bai­xa pro­cu­ra pela vaci­na con­tra a doen­ça. “Esse cená­rio foi agra­va­do no últi­mo gover­no, já cla­ra­men­te com o fenô­me­no do nega­ci­o­nis­mo cien­tí­fi­co. É impor­tan­te des­ta­car que esse é um fenô­me­no que per­ma­ne­ce”, dis­se Nísia, em semi­ná­rio sobre vaci­na­ção na Aca­de­mia Naci­o­nal de Medi­ci­na, no Rio de Janei­ro, no iní­cio de dezem­bro.

Brasília, (DF) – 05-09-2023 - A ministra da Saúde, Nísia Trindade, assina portaria incorporando ao Sistema Único de Saúde (SUS) o primeiro medicamento para fibrose cística. Foto Valter Campanato/Agência Brasil.
Repro­du­ção: Minis­tra da Saú­de, Nísia Trin­da­de — Foto Val­ter Campanato/Agência Bra­sil

O dire­tor da Soci­e­da­de Bra­si­lei­ra de Imu­ni­za­ção (SBIm), Jua­rez Cunha, lem­bra que des­de mea­dos da déca­da pas­sa­da há uma difi­cul­da­de em se atin­gir as metas de vaci­na­ção.

“Um aspec­to fun­da­men­tal é a con­fi­an­ça. Um dos aspec­tos que a gen­te sabe que foi mui­to aba­la­do e con­ti­nua sen­do é a con­fi­an­ça nas vaci­nas. Não é só con­fi­ar naque­le pro­du­to, na sua efi­cá­cia e na sua segu­ran­ça. É um aspec­to que dei­xa as pes­so­as com bas­tan­te dúvi­das. Então, a gen­te tem que infor­mar mui­to bem”, defen­de Cunha.

Para o dire­tor da Orga­ni­za­ção Pan-Ame­ri­ca­na de Saú­de (Opas), Jar­bas Bar­bo­sa, esse não é um fenô­me­no exclu­si­vo do Bra­sil, que ganhou for­ça duran­te a pan­de­mia da covid-19. Ele defen­de que é pre­ci­so que os gover­nos façam um moni­to­ra­men­to per­ma­nen­te das redes soci­ais e escla­re­çam ime­di­a­ta­men­te quais­quer boa­tos que sur­jam sobre a vaci­na­ção.

“Temos pro­cu­ra­do esti­mu­lar os paí­ses a ter moni­to­ra­men­to diá­rio de redes soci­ais e não dei­xar nenhum boa­to, rumor, desin­for­ma­ção, sem uma res­pos­ta apro­pri­a­da, por­que isso é como uma bola de neve que vai cres­cen­do e fazen­do com que as pes­so­as per­cam a con­fi­an­ça na vaci­na”, aler­tou Bar­bo­sa no even­to da Aca­de­mia de Medi­ci­na.

Um agra­van­te, segun­do Bar­bo­sa, é que as pes­so­as estão mais céti­cas em rela­ção às infor­ma­ções ofi­ci­ais, o que tor­na ain­da mais difí­cil o tra­ba­lho de des­mis­ti­fi­ca­ção dos boa­tos em rela­ção às vaci­nas.

Posto de vacinação contra a Influenza na rua Humaitá, Bela Vista.
Repro­du­ção: Pos­to de vaci­na­ção con­tra a Influ­en­za — Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

“Nes­se con­tex­to, o papel dos pro­fis­si­o­nais de saú­de é fun­da­men­tal. Quan­do a famí­lia che­ga na sala de vaci­na­ção, ela já tomou uma deci­são [de se imu­ni­zar]. Essa famí­lia apro­vei­ta uma con­sul­ta ao ser­vi­ço de saú­de para ten­tar tirar sua dúvi­da sobre a vaci­na com o pro­fis­si­o­nal de saú­de. Se aque­le pro­fis­si­o­nal não tem uma infor­ma­ção ade­qua­da, pro­va­vel­men­te per­de­mos a opor­tu­ni­da­de de ampli­ar o suces­so da vaci­na­ção”, escla­re­ce.

Assim como acon­te­ceu com a vol­ta do saram­po ao país, alguns anos atrás, a bai­xa pro­cu­ra pela vaci­na­ção colo­ca em ris­co a saú­de públi­ca ao pos­si­bi­li­tar o res­sur­gi­men­to de doen­ças con­tro­la­das ou eli­mi­na­das.

“A par­tir do momen­to em que a gen­te tem bai­xas cober­tu­ras vaci­nais, tem o ris­co de retor­no des­sas doen­ças. Um ris­co que a gen­te con­si­de­ra mui­to alto é o retor­no da poli­o­mi­e­li­te”, aler­ta Jua­rez Cunha.

Governo

A luta con­tra a desin­for­ma­ção tem sido uma das ban­dei­ras do gover­no bra­si­lei­ro, que cri­ou, em outu­bro, uma pla­ta­for­ma de escla­re­ci­men­to à popu­la­ção cha­ma­da Saú­de com Ciên­cia.

Segun­do a minis­tra Nísia Trin­da­de, a pos­tu­ra do atu­al gover­no é dife­ren­te daque­la ado­ta­da pelo gover­no ante­ri­or. Em feve­rei­ro des­te ano, o gover­no fede­ral lan­çou o Movi­men­to Naci­o­nal pela Vaci­na­ção.

“O pre­si­den­te da Repú­bli­ca [Luiz Iná­cio Lula da Sil­va] fez ques­tão de estar no lan­ça­men­to do ato, em Bra­sí­lia, se vaci­nan­do, num ges­to exa­ta­men­te opos­to ao que nós vimos no gover­no ante­ri­or”, lem­brou Nísia, no even­to da Aca­de­mia de Medi­ci­na. “Assu­mi­mos o gover­no sem esto­ques de vaci­nas neces­sá­ri­as a essa imu­ni­za­ção, inclu­si­ve [sem] as vaci­nas do calen­dá­rio infan­til”.

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Repro­du­ção: Pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va rece­be vaci­na no lan­ça­men­to do Movi­men­to Naci­o­nal pela Vaci­na­ção — Fabio Rodri­gues-Poz­ze­bom/ Agên­cia Bra­sil

A minis­tra dis­se que com ações como a recu­pe­ra­ção de esto­ques e as cam­pa­nhas de infor­ma­ção, entre outras, per­mi­ti­ram um aumen­to da cober­tu­ra vaci­nal no país.

“O ano de 2023 foi um dos mais desa­fi­an­tes, por­que, nes­te ano, con­cluí­mos o pro­je­to pela recon­quis­ta das altas cober­tu­ras vaci­nais, que se ini­ci­ou em 2021. Além do aumen­to das cober­tu­ras vaci­nais já vis­tas em cam­pa­nhas, a gen­te tam­bém viu o incre­men­to nas roti­nas. O mais impor­tan­te para mim foi ter o pes­so­al trei­na­do, vol­tan­do com aque­la gar­ra, aque­la von­ta­de de dizer ‘nós vamos con­se­guir’”, des­ta­ca Lur­di­nha Maia, coor­de­na­do­ra da Asses­so­ria Clí­ni­ca da Bio-man­gui­nhos, Ins­ti­tu­to de Tec­no­lo­gia em Imu­no­bi­o­ló­gi­cos da Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fio­cruz).

Segun­do Jar­bas Bar­bo­sa, o fato de o pre­si­den­te da Repú­bli­ca usar o bro­che do Zé Goti­nha, mas­co­te do Pro­gra­ma Naci­o­nal de Imu­ni­za­ções (PNI), “demons­tra um alto grau de com­pro­mis­so polí­ti­co que, tenho abso­lu­ta cer­te­za, vai se refle­tir nes­se pro­ces­so de for­ta­le­ci­men­to das ati­vi­da­des de imu­ni­za­ção”.

Jua­rez Cunha reco­nhe­ce que o Minis­té­rio da Saú­de e a soci­e­da­de cien­tí­fi­ca têm tra­ba­lha­do para ampli­ar a cober­tu­ra vaci­nal no país, mas des­ta­ca que é pre­ci­so ter ações que vão além da luta con­tra a desin­for­ma­ção.

Segun­do ele, é impor­tan­te ampli­ar o aces­so da popu­la­ção à vaci­na­ção, aumen­tan­do, por exem­plo, o horá­rio de fun­ci­o­na­men­to dos pos­tos de saú­de e levar a vaci­na a outros luga­res além das uni­da­des de saú­de, com ins­tru­men­tos como os pos­tos dri­ve thru.

Outra ação impor­tan­te defen­di­da por Jua­rez é tra­çar um diag­nós­ti­co amplo da situ­a­ção vaci­nal no país, com dados deta­lha­dos por muni­cí­pi­os, bair­ros e comu­ni­da­des. “Às vezes, den­tro de cada muni­cí­pio, se tem rea­li­da­des com­ple­ta­men­te dife­ren­tes. Pode haver situ­a­ções em que há popu­la­ções mais vul­ne­rá­veis, com menos aces­so [às vaci­nas] e esse é um aspec­to que tem ser melhor tra­ba­lha­do”, afir­ma Jua­rez.

No even­to da Aca­de­mia Naci­o­nal de Medi­ci­na, a minis­tra Nísia Trin­da­de afir­mou que o gover­no tem tra­ba­lha­do em ações de micro­pla­ne­ja­men­to com os esta­dos e tem bus­ca­do sis­te­ma­ti­zar as infor­ma­ções, garan­tin­do dados inte­gra­dos e con­fiá­veis que per­mi­tam moni­to­rar as cober­tu­ras vaci­nais.

Jar­bas Bar­bo­sa afir­mou, no mes­mo even­to, que sem novos regis­tros de casos de saram­po no Bra­sil há mais de 1 ano, o país deve recu­pe­rar, em bre­ve, seu cer­ti­fi­ca­do de eli­mi­na­ção da doen­ça.

Edi­ção: Fer­nan­do Fra­ga

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