...
sábado ,25 maio 2024
Home / Direitos Humanos / Peça achada no DOI-Codi pode ser de período mais recente

Peça achada no DOI-Codi pode ser de período mais recente

Repro­du­ção: © Rove­na Rosa/Agência Bra­sil

Pesquisadores acreditavam que cerâmica era do período pré-histórico


Publi­ca­do em 18/08/2023 — 06:32 Por Lety­cia Bond — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — São Pau­lo

ouvir:

A cerâ­mi­ca acha­da pelos pes­qui­sa­do­res que fize­ram esca­va­ções por 13 dias no pré­dio onde fica­va o Des­ta­ca­men­to de Ope­ra­ções de Infor­ma­ção — Cen­tro de Ope­ra­ções de Defe­sa Inter­na (DOI-CODI) pode ser de um perío­do mais recen­te do que ini­ci­al­men­te se pen­sa­va. A peça foi encon­tra­da no sub­so­lo da edi­fi­ca­ção, em meio a ter­ra de tona­li­da­de escu­ra e com alta con­cen­tra­ção de car­vão, o que indi­ca a pre­sen­ça de resí­du­os domés­ti­cos.

O DOI-Codi ser­viu à dita­du­ra mili­tar, ins­tau­ra­da com o gol­pe que der­ru­bou João Gou­lart da pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca em 1964. Sob o coman­do do Exér­ci­to, o local, que fica no bair­ro Vila Mari­a­na, era o des­ti­no de pes­so­as que se levan­ta­vam con­tra a dita­du­ra, sen­do ali sub­me­ti­das a ses­sões de tor­tu­ra, pri­sões ile­gais, estu­pros e até mes­mo sen­do exe­cu­ta­das. Tam­bém há regis­tros de pre­sos polí­ti­cos que per­ma­ne­ce­ram em cár­ce­re no DOI-Codi e desa­pa­re­ce­ram, sem que mui­tas de suas famí­li­as jamais sou­bes­sem de seu para­dei­ro.

As infor­ma­ções sobre a cerâ­mi­ca foram repas­sa­das à Agên­cia Bra­sil pela coor­de­na­do­ra Cláu­dia Plens, da área de Arque­o­lo­gia Foren­se. Segun­do a pes­qui­sa­do­ra, há pou­ca pos­si­bi­li­da­de de a cerâ­mi­ca, que deve ser indí­ge­na, per­ten­cer ao perío­do da pré-his­tó­ria, por cau­sa do tipo de deco­ra­ção que a carac­te­ri­za. A ava­li­a­ção é do pro­fes­sor Astol­fo Arau­jo, que exer­ce livre docên­cia no Museu de Arque­o­lo­gia e Etno­lo­gia da Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (USP).

“Como as cons­tru­ções no bair­ro são rela­ti­va­men­te recen­tes, é pos­sí­vel que se tra­tas­se de uma casa mui­to anti­ga, rela­ci­o­na­da a algu­ma fazen­da. Vamos rea­li­zar aná­li­ses quí­mi­cas para carac­te­ri­zar melhor esse solo. De todo modo, tra­ta-se de uma des­co­ber­ta bas­tan­te inte­res­san­te e que pode aju­dar a enten­der a ocu­pa­ção anti­ga da cida­de fora da área cen­tral”, acres­cen­tou Cláu­dia, que leci­o­na arque­o­lo­gia his­tó­ri­ca no depar­ta­men­to de His­tó­ria da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de São Pau­lo (Uni­fesp).

De acor­do com infor­ma­ções do Minis­té­rio Públi­co de São Pau­lo, os pes­qui­sa­do­res esti­mam que 7 mil pes­so­as pas­sa­ram pelo DOI-Codi. O local, entre a cri­a­ção do des­ta­ca­men­to e o fecha­men­to, fun­ci­o­nou de 1969 a 1983.

O gru­po de pes­qui­sa­do­res con­se­guiu desen­ga­ve­tar o pro­je­to, con­ce­bi­do há anos, somen­te ago­ra, após 14 nega­ti­vas de agên­ci­as de fomen­to à pes­qui­sa. As ins­ti­tui­ções que finan­ci­am a ini­ci­a­ti­va são a Uni­ver­si­da­de Esta­du­al de Cam­pi­nas (Uni­camp) e o Con­se­lho Naci­o­nal de Desen­vol­vi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­no­ló­gi­co (CNPq). Entre as bases para recons­ti­tuir a his­tó­ria do DOI-Codi estão os rela­tos das víti­mas, e a meta dos aca­dê­mi­cos é cole­tar cer­ca de 80 depoi­men­tos, o que está sen­do fei­to com a aju­da de volun­tá­ri­os, em vir­tu­de das limi­ta­ções de orça­men­to.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Formação em Cultura Digital estão abertas

Repro­du­ção: docs.google.com/forms/ Ação é uma iniciativa do Ministério da Cultura e da UFRJ Publicado em 19/05/2024 …