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Pesquisa avalia sequelas da covid-19 na população brasileira

Repro­du­ção: © NEXU Sci­en­ce Communication/via REUTERS

Serão feitas visitas domiciliares a 33.250 pessoas em 133 municípios


Publicado em 11/03/2024 — 12:44 Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil — Brasília

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O Minis­té­rio da Saú­de ini­ci­ou nes­ta segun­da-fei­ra (11) a segun­da fase da cole­ta de dados de um estu­do de base popu­la­ci­o­nal sobre a covid-19 no Bra­sil. Duran­te o mês de mar­ço, serão rea­li­za­das visi­tas domi­ci­li­a­res a 33.250 pes­so­as que tive­ram a doen­ça e que resi­dem em 133 muni­cí­pi­os bra­si­lei­ros. O obje­ti­vo, segun­do a pas­ta, é levan­tar dados para sub­si­di­ar a cri­a­ção de polí­ti­cas públi­cas dire­ci­o­na­das ao tra­ta­men­to das cha­ma­das con­di­ções pós-covid ou covid lon­ga, clas­si­fi­ca­das como seque­las da doen­ça.

O estu­do, deno­mi­na­do Epi­co­vid 2.0: Inqué­ri­to naci­o­nal para ava­li­a­ção da real dimen­são da pan­de­mia de Covid-19 no Bra­sil, é coor­de­na­do pela Secre­ta­ria de Vigi­lân­cia em Saú­de e Ambi­en­te e enco­men­da­do à Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Pelo­tas. Em nota, o minis­té­rio des­ta­cou, até o momen­to, não exis­tem esti­ma­ti­vas naci­o­nais sobre o impac­to da doen­ça a lon­go pra­zo. Dados da Orga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de (OMS) apon­tam que 20% das pes­so­as infec­ta­das, inde­pen­den­te­men­te da gra­vi­da­de do qua­dro, desen­vol­vem con­di­ções pós-covid.

A expec­ta­ti­va do minis­té­rio é que o perío­do de cole­ta dos dados dure entre 15 e 20 dias. A pes­qui­sa usa­rá infor­ma­ções de 250 cida­dãos de cada um dos muni­cí­pi­os sele­ci­o­na­dos que já fize­ram par­te das qua­tro roda­das ante­ri­o­res do tra­ba­lho cien­tí­fi­co, em 2020 e 2021. Para isso, equi­pes de entre­vis­ta­do­res visi­ta­rão as resi­dên­ci­as para ouvir os mora­do­res sobre ques­tões cen­tra­das em pon­tos como vaci­na­ção, his­tó­ri­co de infec­ção, sin­to­mas de lon­ga dura­ção e efei­tos da doen­ça sobre o coti­di­a­no.

“Todos os par­ti­ci­pan­tes serão sele­ci­o­na­dos de for­ma ale­a­tó­ria, por sor­teio. Somen­te uma pes­soa por resi­dên­cia res­pon­de­rá ao ques­ti­o­ná­rio”, des­ta­cou a pas­ta, ao citar que, dife­ren­te­men­te das pri­mei­ras eta­pas do estu­do, na fase atu­al, não have­rá qual­quer tipo de cole­ta de san­gue ou outro tes­te de covid. Tam­bém par­ti­ci­pam da pes­qui­sa a Uni­ver­si­da­de Cató­li­ca de Pelo­tas, a Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Ciên­ci­as da Saú­de de Por­to Ale­gre, a Fun­da­ção Oswal­do Cruz (Fio­cruz) e a Fun­da­ção Getú­lio Var­gas (FGV).

Entrevistadores identificados

Todas as entre­vis­tas serão rea­li­za­das pela empre­sa LGA Asses­so­ria Empre­sa­ri­al, con­tra­ta­da pelo minis­té­rio. “Os pro­fis­si­o­nais que farão o con­ta­to dire­to com os mora­do­res para a cole­ta dos dados rece­be­ram trei­na­men­to e esta­rão devi­da­men­te iden­ti­fi­ca­dos com cra­chás da empre­sa e cole­tes bran­cos com as mar­cas da UFPel, da Fun­da­ção Del­fim Men­des Sil­vei­ra (FDMS) e da LGA”, des­ta­cou a pas­ta.

Para auxi­li­ar com o pro­ces­so de divul­ga­ção e escla­re­ci­men­to da popu­la­ção, as pre­fei­tu­ras das 133 cida­des envol­vi­das no estu­do foram comu­ni­ca­das do tra­ba­lho – por meio de suas secre­ta­ri­as muni­ci­pais de Saú­de – e par­ti­ci­pa­ram de reu­nião onli­ne com o epi­de­mi­o­lo­gis­ta Pedro Hal­la, coor­de­na­dor da pes­qui­sa, e inte­gran­tes do minis­té­rio. A ori­en­ta­ção é que, em caso de dúvi­das, os mora­do­res entrem em con­ta­to com as pre­fei­tu­ras.

A empre­sa LGA tam­bém pode ser aci­o­na­da atra­vés dos tele­fo­nes (31) 3335–1777 e (31) 99351–2430. Infor­ma­ções sobre o Epi­co­vid 2.0 tam­bém estão dis­po­ní­veis nos sites do Minis­té­rio da Saú­de e da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Pelo­tas.

Primeiras fases

Entre 2020 e 2021, o Epi­co­vid-19 ser­viu para tra­çar um retra­to da pan­de­mia que auxi­li­ou cien­tis­tas e auto­ri­da­des em saú­de públi­ca a com­pre­en­der melhor os efei­tos e a dis­se­mi­na­ção do vírus no Bra­sil. Entre as prin­ci­pais con­clu­sões, o estu­do apon­tou que a quan­ti­da­de de pes­so­as infec­ta­das naque­le momen­to era três vezes mai­or que os dados ofi­ci­ais, com os 20% mais pobres ten­do o dobro de ris­co de infec­ção em rela­ção aos 20% mais ricos.

Memorial

Em 11 de mar­ço de 2020, a Orga­ni­za­ção Mun­di­al da Saú­de (OMS) clas­si­fi­ca­va o cená­rio de covid-19 no mun­do como uma pan­de­mia. Qua­tro anos depois, tam­bém nes­ta segun­da-fei­ra, o Minis­té­rio da Saú­de anun­ci­ou a cri­a­ção de um memo­ri­al às víti­mas da doen­ça que matou 710 mil bra­si­lei­ros. O local esco­lhi­do, de acor­do com a minis­tra da Saú­de, Nísia Trin­da­de, é o Cen­tro Cul­tu­ral do Minis­té­rio da Saú­de no Rio de Janei­ro.

“Ao falar­mos de um memo­ri­al e de uma polí­ti­ca de memó­ria, por­que é isso que esta­mos pro­pon­do, não cir­cuns­cre­ve­mos a pan­de­mia de covid-19 ao pas­sa­do. Como todas as refle­xões sobre memó­ria, sabe­mos do com­po­nen­te pre­sen­te, polí­ti­co, das ações de memó­ria. E, ao mes­mo tem­po, lem­bra­mos que, a des­pei­to de ter­mos supe­ra­do a emer­gên­cia sani­tá­ria, nós não supe­ra­mos a covid-19 como pro­ble­ma de saú­de públi­ca”.

Edi­ção: Valé­ria Agui­ar

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