...
domingo ,21 julho 2024
Home / Noticias / Pesquisa mostra caminhos para produção de anticoncepcional masculino

Pesquisa mostra caminhos para produção de anticoncepcional masculino

Repro­dução: © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Brasil

Estudo foi feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista


Pub­li­ca­do em 11/02/2022 — 06:32 Por Daniel Mel­lo — Repórter da Agên­cia Brasil — São Paulo

Pesquisa da Uni­ver­si­dade Estad­ual Paulista (Une­sp) apon­tam cam­in­hos que podem levar ao desen­volvi­men­to de um anti­con­cep­cional mas­culi­no. O estu­do, pub­li­ca­do na revista Mol­e­c­u­lar Human Repro­duc­tion, mostra que a par­tir da pro­teí­na Eppin, que reg­u­la a capaci­dade de movi­men­tação do esper­ma­to­zoide é pos­sív­el desen­volver medica­men­tos que con­trolem a fer­til­i­dade dos home­ns.

Segun­do o pro­fes­sor do depar­ta­men­to de Biofísi­ca e Far­ma­colo­gia da Une­sp, Erick José Ramo da Sil­va, a par­tir de exper­i­men­tos feitos em camundon­gos foi pos­sív­el iden­ti­ficar dois pon­tos da pro­teí­na que reg­u­lam a movi­men­tação dos esper­ma­to­zoides. “Ela tem um papel muito impor­tante no con­t­role da motil­i­dade temáti­ca por inter­a­gir com out­ras pro­teí­nas que ago­ra estão no sêmen. E essas pro­teí­nas, ao inter­a­girem com a Eppin, pro­movem o ajuste fino da motil­i­dade, o con­t­role da motil­i­dade”, expli­ca o pesquisador que faz estu­dos na área há 20 anos.

Segun­do Sil­va, foram usa­dos anti­cor­pos para desco­brir quais são os pon­tos da Eppin, que tem função semel­hante nos camundon­gos e nos seres humanos, respon­sáveis por reg­u­lar a movi­men­tação célu­la repro­du­ti­va mas­culi­na. Após a ejac­u­lação, o esper­ma­to­zoide pre­cisa nadar para chegar ao óvu­lo e faz­er a fecun­dação.

Porém, antes da ejac­u­lação, os esper­ma­to­zoides não se movi­men­tam. O estu­do tra­bal­hou em iden­ti­ficar jus­ta­mente qual é a inter­ação que faz com que as célu­las fiquem paradas antes do momen­to cer­to. “Quem impul­siona o esper­ma­to­zoide para den­tro é o próprio proces­so de ejac­u­lação. Somente depois de alguns min­u­tos da ejac­u­lação é que o esper­ma­to­zoide vai adquirir a motil­i­dade pro­gres­si­va para seguir a jor­na­da dele”, detal­ha o pro­fes­sor.

Princípio ativo

Ao enten­der detal­hada­mente como as pro­teí­nas man­tém os esper­ma­to­zoides para­dos e depois ati­vam a movi­men­tação dessas célu­las, os pesquisadores abrem a pos­si­bil­i­dade do desen­volvi­men­to de medica­men­tos que atuem dessa for­ma. “A gente estu­da como essas pro­teí­nas inter­agem para enten­der como elas inter­rompem a motil­i­dade para que a gente pos­sa pen­sar estraté­gias far­ma­cológ­i­cas, usan­do um com­pos­to, um princí­pio ati­vo, que pudesse incis­ar essa relação que nat­u­ral­mente acon­tece”, acres­cen­ta.

Um medica­men­to que fos­se capaz de inter­romper a movi­men­tação dos esper­ma­to­zoides seria um anti­con­cep­cional com efeito quase ime­di­a­to, afir­ma Sil­va.

O estu­do, inci­a­do em 2016, foi finan­cia­do pela Fun­dação de Amparo à Pesquisa do Esta­do de São Paulo (Fape­sp) e teve parce­ria com os depar­ta­men­tos de Far­ma­colo­gia e de Ciên­cias Biológ­i­cas da Uni­ver­si­dade Fed­er­al de São Paulo (Unife­sp), além do Insti­tu­to de Biolo­gia e Med­i­c­i­na Exper­i­men­tal do Con­sel­ho Nacional de Pesquisas Cien­tí­fi­cas e Téc­ni­cas, da Argenti­na.

Sil­va diz que, ago­ra, as pesquisas devem con­tin­uar no sen­ti­do de bus­car com­pos­tos ou molécu­las que pos­sam atu­ar nos pon­tos iden­ti­fi­ca­dos pelo estu­do. Essa nova eta­pa terá colab­o­ração com cien­tis­tas da Inglater­ra, de Por­tu­gal e da Uni­ver­si­dade de São Paulo (USP).

O pesquisador con­ta, no entan­to, que ao lon­go das últi­mas décadas, o desen­volvi­men­to de um anti­con­cep­cional mas­culi­no tem enfrenta­do difi­cul­dades dev­i­do a fal­ta de finan­cia­men­to pelas indús­trias far­ma­cêu­ti­cas.

Edição: Maria Clau­dia

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

Festival Vale do Café leva música e cultura a municípios do Sul do Rio

Repro­dução: © Prefeitu­ra Munic­i­pal de Vassouras/Direitos reser­va­dos Programação com eventos gratuitos vai até o fim …