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Pesquisa traça conexões entre narcotráfico e crimes ambientais no país

Repro­dução: © Polí­cia Federal/Gov.Br

Periferia e interior convivem com novas dinâmicas de quadrilhas


Pub­li­ca­do em 19/06/2023 — 08:31 Por Rafael de Car­val­ho Car­doso — Repórter da Agên­cia Brasil — Brasília

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Comu­nidades da flo­res­ta, per­ife­rias rurais e regiões do inte­ri­or do Brasil estão cada vez mais conec­tadas nas redes nacionais e inter­na­cionais do crime orga­ni­za­do. A pon­to de não faz­er mais sen­ti­do difer­en­ciar vio­lên­cia urbana da rur­al.

A con­clusão é do estu­do “Além da flo­res­ta: crimes socioam­bi­en­tais nas per­ife­rias”, divul­ga­do nes­ta segun­da-feira (19) pela Rede de Obser­vatórios da Segu­rança. O pro­je­to reúne pesquisadores do Cen­tro de Estu­dos de Segu­rança e Cidada­nia.

Nes­sa per­spec­ti­va, gan­ha destaque o proces­so de dom­i­nação de ter­ritórios no norte e nordeste por facções crim­i­nosas do sud­este. O que inclui tan­to as áreas de fron­teiras, quan­to as cidades peque­nas, os cen­tros urbanos, os quilom­bos e as aldeias indí­ge­nas. Nos últi­mos anos, hou­ve cresci­men­to e diver­si­fi­cação de ativi­dades ile­gais. Além das micro­crim­i­nal­i­dades, como rou­bos de motos e celu­lares, há con­fli­tos arma­dos entre gru­pos rivais, trá­fi­co de dro­gas e explo­ração ile­gal de insumos flo­restais.

A pesquisa reúne dados obti­dos via Lei de Aces­so à Infor­mação com as sec­re­tarias de segu­rança públi­ca de sete esta­dos: Bahia, Ceará, Maran­hão, Pará, Per­nam­bu­co, Rio de Janeiro e São Paulo. Ela mapeia tan­to os crimes cometi­dos con­tra pop­u­lações tradi­cionais, como quilom­bo­las e indí­ge­nas, quan­to os crimes ambi­en­tais (gri­lagem de ter­ras, explo­ração ile­gal de madeira e garim­po em áreas não autor­izadas).

Guerra às drogas

Ape­sar da var­iedade e da com­plex­i­dade dess­es prob­le­mas nos esta­dos, os pesquisadores indicam que as autori­dades insis­tem em um modo úni­co de ação: o mod­e­lo de segu­rança públi­ca basea­do na guer­ra às dro­gas. O que aca­ba pro­duzin­do o mes­mo cenário de racis­mo e encar­ce­ra­men­to da juven­tude negra.

“É necessário fugir do mod­e­lo béli­co do com­bate às dro­gas e às ile­gal­i­dades. E, prin­ci­pal­mente, esta­b­ele­cer con­tenções ao tipo de desen­volvi­men­to que destrói a vida na flo­res­ta. Mostra-se impor­tante for­t­ale­cer os órgãos de pre­venção da destru­ição e incluir no cen­tro do diál­o­go orga­ni­za­ções indí­ge­nas, rurais e ribeir­in­has, além dos movi­men­tos de per­ife­ria urbanos que lutam por dire­itos soci­ais”, defende Sil­via Ramos, coor­de­nado­ra da Rede de Obser­vatórios da Segu­rança.

O caso do Pará

A pesquisa apon­ta o Pará como uma região emblemáti­ca das novas con­fig­u­rações do crime no país. As redes do nar­cotrá­fi­co — lid­er­adas por facções do Rio de Janeiro e São Paulo — chegaram em difer­entes municí­pios do inte­ri­or. Altami­ra, Marabá, Parauape­bas, Jacarea­can­ga, Flo­res­ta do Aragua­ia e Senador José Por­fírio são exem­p­los cita­dos como rotas impor­tantes de dro­gas, mas tam­bém de explo­ração de madeira, con­tra­ban­do de man­ganês e cas­si­teri­ta, gri­lagem de ter­ras e avanço do garim­po ile­gal. As ativi­dades estão inti­ma­mente conec­tadas por meio da ação dessas orga­ni­za­ções crim­i­nosas e do uso dos mes­mos por­tos e vias de escoa­men­to.

No cam­in­ho, comu­nidades tradi­cionais do esta­do sofrem com a vio­lên­cia ger­a­da por essas ativi­dades ile­gais. Os dados obti­dos com a Sec­re­taria de Esta­do de Segu­rança Públi­ca e Defe­sa Social do Pará mostram aumen­to a cada ano dos crimes con­tra povos indí­ge­nas e quilom­bo­las entre 2017 e 2022. No total, foram 474 víti­mas de crimes con­tra a vida, vio­lações sex­u­ais e pat­ri­mo­ni­ais.

Dados por estado

No Ceará, pesquisadores criti­cam a for­ma como o gov­er­no estad­ual pro­duz os dados. Só foram disponi­bi­lizadas infor­mações genéri­c­as sobre crimes ambi­en­tais, que totalizaram 6.995 ocor­rên­cias entre 2017 e 2022. Mas não foi pos­sív­el anal­is­ar os tipos crim­i­nais, os gru­pos atingi­dos ou per­fil das víti­mas.

No Maran­hão, os prin­ci­pais prob­le­mas ver­i­fi­ca­dos foram as vio­lações aos bio­mas nativos da região e explo­ração dos ter­ritórios de comu­nidades tradi­cionais para fins lucra­tivos. Entre 2020 a 2022, o esta­do teve aumen­to de 28,93% nos reg­istros de crimes ambi­en­tais, com 2.568 ocor­rên­cias. E os prin­ci­pais tipos são rela­ciona­dos à explo­ração ile­gal de madeira e à dev­as­tação de flo­res­ta nati­va.

Em Per­nam­bu­co, crimes socioam­bi­en­tais cresce­r­am nos últi­mos dois anos. Foram de 800 casos por ano para uma média de mais de mil. As prin­ci­pais ocor­rên­cias ref­er­em-se a incên­dios flo­restais e maus tratos con­tra ani­mais. Dados sobre quilom­bo­las, indí­ge­nas e out­ros povos tradi­cionais não foram envi­a­dos pela Sec­re­taria de Defe­sa Social.

No Rio de Janeiro, há destaque para a explo­ração das milí­cias e redes do trá­fi­co de ani­mais sil­vestres. Dados do Insti­tu­to de Segu­rança Públi­ca mostram 21.476 casos de crimes ambi­en­tais 2017 e 2022. A cap­i­tal do esta­do do Rio teve o maior número de casos (4.783), com aumen­to de 52,23% entre 2017 e 2022. Os números são sete vezes maiores do que a segun­da colo­ca­da, a cidade de Mar­icá, com 684 reg­istros. O ter­ceiro lugar ficou com Duque de Cax­i­as (613 casos).

Em São Paulo, há destaque para a expan­são da degradação de ter­ritórios verdes lig­a­dos ao trá­fi­co de ani­mais e con­struções imo­bil­iárias, além do caso pecu­liar de guer­ra políti­ca con­tra as pichações como prin­ci­pais crimes socioam­bi­en­tais. Entre 2017 e 2022, foram 34.772 ocor­rên­cias. Os crimes cometi­dos especi­fi­ca­mente con­tra ani­mais, flo­restas e pichações con­cen­traram mais da metade dos reg­istros (56,70%).

Edição: Kle­ber Sam­paio

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