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Pnad 2020: cresce número de famílias com renda de programas sociais

Repro­du­ção:  © Mar­cel­lo Casal Jr / Agên­cia Bra­sil

Aumento foi registrado em todas as regiões do país


Publi­ca­do em 19/11/2021 — 10:01 Por Cris­ti­na Índio do Bra­sil — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

O total de domi­cí­li­os nos quais as pes­so­as rece­bi­am outros pro­gra­mas soci­ais subiu de 0,7% para 23,7% de 2019 para 2020. O per­cen­tu­al repre­sen­ta 16,928 milhões domi­cí­li­os que aufe­ri­am no ano pas­sa­do este tipo de ren­di­men­to.

O aumen­to foi nota­do em todas as regiões, mas os mai­o­res per­cen­tu­ais foram no Nor­te, onde cres­ceu de 0,5% para 32,2%, e no Nor­des­te, que saiu de 0,8% para 34%.

Os dados fazem par­te da pes­qui­sa Pes­qui­sa Naci­o­nal por Amos­tra de Domi­cí­li­os — Pnad Con­tí­nua 2020: Ren­di­men­to de todas as fon­tes, divul­ga­da hoje (19), no Rio de Janei­ro, pelo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Esta­tís­ti­ca (IBGE).

Segun­do o estu­do, a cau­sa da expan­são foi a con­ces­são do auxí­lio emer­gen­ci­al, cri­a­do pelo gover­no fede­ral duran­te a pan­de­mia visan­do aten­der tra­ba­lha­do­res infor­mais, micro­em­pre­en­de­do­res indi­vi­du­ais (MEI), autô­no­mos e desem­pre­ga­dos.

Na Pnad Con­tí­nua 2020, o bene­fí­cio entrou na rubri­ca de outros ren­di­men­tos, como valo­res rece­bi­dos por meio de pro­gra­mas soci­ais, apli­ca­ções finan­cei­ras, segu­ro-desem­pre­go e segu­ro-defe­so.

“Esse aumen­to de 0,7% para 23,7% é por­que mui­tos domi­cí­li­os tinham alguém ganhan­do o auxí­lio emer­gen­ci­al. Aqui não é o núme­ro de pes­so­as. É o per­cen­tu­al de domi­cí­li­os com alguém rece­ben­do outros pro­gra­mas soci­ais”, dis­se Ales­san­dra Sca­li­o­ni Bri­to, ana­lis­ta da pes­qui­sa.

Norte e Nordeste

As mai­o­res pro­por­ções de domi­cí­li­os com bene­fi­ciá­ri­os de pro­gra­mas soci­ais foram veri­fi­ca­das nas regiões Nor­te e Nor­des­te. Nelas, 12,9% e 14,2%, res­pec­ti­va­men­te, tinham ren­di­men­to do Pro­gra­ma Bol­sa Famí­lia; 5% e 4,5% do Bene­fí­cio de Pres­ta­ção Con­ti­nu­a­da (BPC) da Lei Orgâ­ni­ca de Assis­tên­cia Soci­al (Loas); e 32,2% e 34% de outros pro­gra­mas soci­ais, com des­ta­que para o auxí­lio emer­gen­ci­al.

Na outra pon­ta, a Região Sul, inde­pen­den­te do pro­gra­ma, apre­sen­tou as meno­res pro­por­ções. No Bol­sa Famí­lia eram 2,9%, BPC-Loas 1,7% e outros pro­gra­mas soci­ais 14,4%.

Os domi­cí­li­os que rece­bi­am o BPC-Loas tam­bém recu­a­ram. Eram 3,5% e caí­ram para 3,1% no perío­do. Em 2019 o valor che­gou a R$ 761 e, no ano seguin­te,  R$ 792.

Na rubri­ca de outros ren­di­men­tos, as regiões Nor­te e Nor­des­te tive­ram ganhos expres­si­vos. De 2019 para 2020 hou­ve um aumen­to de 47,8% na região Nor­te, pas­san­do de R$ 435 em média para R$ 643, e no Nor­des­te, de 55% sain­do de R$ 400 para R$ 620 em média.

“Já na região Sudes­te e Sul, a gen­te teve uma redu­ção. Isso por­que Nor­te e Nor­des­te, em geral, já têm um peso mai­or de Bol­sa Famí­lia e de BPC. Quan­do sur­giu o auxí­lio emer­gen­ci­al e alguns bene­fi­ciá­ri­os do Bol­sa Famí­lia come­ça­ram a rece­ber o auxí­lio, havia mais gen­te rece­ben­do em média um valor bem mai­or do que o Bol­sa Famí­lia paga­va, que era de R$ 200. Se pas­sa a pagar o auxí­lio de R$ 600 ou de R$ 1.200, então essa rubri­ca, que no Nor­te e no Nor­des­te já tem mai­or peso, fez a de outros ren­di­men­tos ter um aumen­to de valor médio”, afir­mou Ales­san­dra.

Bolsa Família

Em outro movi­men­to, a par­ce­la de domi­cí­li­os rece­ben­do o Bol­sa Famí­lia teve que­da de 14,3% para 7,2%. Isso se deve em par­te por­que alguns bene­fi­ciá­ri­os pas­sa­ram a rece­ber o auxí­lio emer­gen­ci­al. Segun­do a ana­lis­ta, duran­te a pes­qui­sa de cam­po pode ter ocor­ri­do o rela­to erra­do do tipo de bene­fí­cio.

A pes­soa pode ter fala­do que ganha­va o Bol­sa Famí­lia e esta­va rece­ben­do o auxí­lio ou o con­trá­rio. Além dis­so, uma par­te das pes­so­as do Bol­sa Famí­lia come­çou a rece­ber o auxí­lio, que foi pen­sa­do para o bene­fi­ciá­rio que rece­bia menos de R$ 600 em média. O ren­di­men­to médio de um domi­cí­lio que ganha­va Bol­sa Famí­lia em 2020 era R$ 379 e o que não ganha­va este bene­fí­cio era de R$ 1.453.

“Nem todo mun­do que ganha­va o Bol­sa Famí­lia rece­beu o auxí­lio, mas algu­mas pes­so­as pas­sa­ram a ter o auxí­lio. Aí a redu­ção de 14,3% de domi­cí­li­os onde havia alguém ganhan­do o Bol­sa Famí­lia para 7,2%, par­te vai ser por­que essa pes­soa pas­sou a rece­ber o auxí­lio, mas tam­bém pode ser por con­fu­são no cam­po do que é Bol­sa Famí­lia e auxí­lio”, obser­vou.

Estados e prefeituras

Adri­a­na Berin­guy, ana­lis­ta da pes­qui­sa, dis­se que, entre outros pro­gra­mas soci­ais, estão incluí­das medi­das ado­ta­das por gover­nos esta­du­ais e pre­fei­tu­ras. “Em 2020, além do auxí­lio emer­gen­ci­al pro­vi­den­ci­a­do pelo gover­no fede­ral, algu­mas pre­fei­tu­ras e gover­nos locais tam­bém adi­ci­o­na­ram algum valor aos pro­gra­mas que esses gover­nos já dis­tri­bu­em como for­ma tam­bém de com­ba­te aos efei­tos da pan­de­mia na eco­no­mia local. Den­tro des­sa rubri­ca a gen­te tem esses auxí­li­os extra­or­di­ná­ri­os imple­men­ta­dos por con­ta da pan­de­mia, obvi­a­men­te que o prin­ci­pal é o auxí­lio emer­gen­ci­al pelo valor do bene­fí­cio e a ampli­tu­de de quem podia rece­ber”, com­ple­tou.

Reponderação

De acor­do com o IBGE, a par­tir da divul­ga­ção de novem­bro de 2021, as esti­ma­ti­vas men­sais e tri­mes­trais da Pes­qui­sa Naci­o­nal por Amos­tra de Domi­cí­li­os — PNAD Con­tí­nua — são cal­cu­la­das incor­po­ran­do o novo méto­do de pon­de­ra­ção, incluin­do a série his­tó­ri­ca dos indi­ca­do­res, que é de 2012 a 2020. Em cada divul­ga­ção temá­ti­ca anu­al, as esti­ma­ti­vas serão cal­cu­la­das incor­po­ran­do o novo méto­do de pon­de­ra­ção, e refa­zen­do, inclu­si­ve, a série his­tó­ri­ca dos indi­ca­do­res. A Pnad Con­tí­nua 2020: Ren­di­men­to de todas as fon­tes já incor­po­rou essa repon­de­ra­ção da série his­tó­ri­ca da pes­qui­sa.

Luna Hidal­go, esta­tís­ti­ca do IBGE, afir­mou que a cali­bra­ção foi fei­ta por­que o IBGE mudou o modo de cole­ta das infor­ma­ções. “A gen­te não podia mais ir na casa das pes­so­as entre­vis­tar. A gen­te teve que fazer isso por tele­fo­ne e isso fez com que o per­fil do nos­so res­pon­den­te mudas­se, tan­to quan­to o per­fil da popu­la­ção bra­si­lei­ra. Para miti­gar essa dife­ren­ça, a gen­te fez uma cali­bra­ção”, fina­li­zou.

Edi­ção: Kle­ber Sam­paio

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