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Pós-pandemia: 45% das mulheres mostram algum tipo de transtorno mental

Repro­dução: © Elza Fiuza/Agência Brasil

Pesquisa foi feita com 1.078 mulheres entre 18 e 65 anos no país


Pub­li­ca­do em 30/08/2023 — 08:03 Por Ana Cristi­na Cam­pos – Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O relatório Esgo­tadas: empo­brec­i­men­to, a sobre­car­ga de cuida­do e o sofri­men­to psíquico das mul­heres, desen­volvi­do pela Orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal — ONG Think Olga, indi­ca que 45% das mul­heres brasileiras têm um diag­nós­ti­co de ansiedade, depressão, ou out­ros tipos de transtornos men­tal no con­tex­to pós pan­demia de covid-19. A ansiedade, transtorno mais comum no Brasil, faz parte do dia a dia de 6 em cada 10 mul­heres brasileiras. A pesquisa foi real­iza­da com 1.078 mul­heres, entre 18 e 65 anos, em todos os esta­dos do país, entre 12 e 26 de maio de 2023. A margem de erro é de 3 pon­tos per­centu­ais e o inter­va­lo de con­fi­ança é de 95%.

“O relatório não sur­preende porque são dados que já sabíamos que acon­te­ci­am, ou seja, as mul­heres estão cansadas e sobre­car­regadas. Quase metade da pop­u­lação fem­i­ni­na tem algum transtorno men­tal e com muito pouco aces­so a cuida­dos especí­fi­cos. A maio­r­ia diz que, como fer­ra­men­tas para con­seguir lidar com essa questão, tem a ativi­dade físi­ca ou a religião. Tem uma insat­is­fação com diver­sas áreas da vida. A questão finan­ceira é a que mais pre­ocu­pa e a dupla ou tripla jor­na­da é o segun­do maior fator de pressão sobre a psique fem­i­ni­na”, disse Maíra Liguori, dire­to­ra da Think Olga.

Com a pro­pos­ta de enten­der as estru­turas que impõem o sofri­men­to das brasileiras na atu­al­i­dade, o relatório reúne dados que demon­stram des­de a sobre­car­ga de tra­bal­ho e inse­gu­rança finan­ceira até o esgo­ta­men­to men­tal e físi­co cau­sa­do pela econo­mia do cuida­do, que enquadra todas as ativi­dades rela­cionadas aos cuida­dos com a casa e com pro­dução e manutenção da vida.

A situ­ação finan­ceira e a capaci­dade de con­cil­iar os difer­entes aspec­tos da vida têm as menores notas de sat­is­fação entre as entre­vis­tadas. Em uma clas­si­fi­cação de 1 a 10, a vida finan­ceira rece­beu a clas­si­fi­cação 1.4, já para a capaci­dade de con­cil­i­ação das difer­entes áreas da vida, a nota ficou em 2.2. A situ­ação finan­ceira aper­ta­da atinge 48% das entre­vis­tadas e a insat­is­fação com a remu­ner­ação baixa alcança 32% delas. Cinquen­ta e nove por cen­to das mul­heres das class­es D e E estão insat­is­feitas com sua situ­ação finan­ceira. Essa insat­is­fação atinge 54% das pre­tas e par­das.

As mul­heres são as úni­cas ou prin­ci­pais prove­do­ras em 38% dos lares. Essas mul­heres são, em sua maior parte, negras, da classe D e E e com mais de 55 anos de idade. Somente 11% das entre­vis­tadas dizem não con­tribuir finan­ceira­mente para a manutenção de suas famílias.

Segun­do dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio real­iza­da em 2022, as mul­heres gas­tam 21,4 horas da sem­ana em tare­fas domés­ti­cas e do cuida­do, os home­ns usam 11 horas. Já o relatório Esgo­tadas mostrou que a sobre­car­ga de tra­bal­ho domés­ti­co e a jor­na­da exces­si­va de tra­bal­ho foram a segun­da causa de descon­tenta­men­to mais apon­ta­da, atrás ape­nas de pre­ocu­pações finan­ceiras. O tra­bal­ho de cuida­do sobre­car­rega prin­ci­pal­mente as mul­heres de 36 a 55 anos (57% cuidam de alguém) e pre­tas e par­das (50% cuidam de alguém).

Oiten­ta e seis por cen­to das mul­heres con­sid­er­am ter mui­ta car­ga de respon­s­abil­i­dades. A insat­is­fação entre mães solo e cuidado­ras é muito supe­ri­or em relação àque­las que não têm esse tipo de respon­s­abil­i­dade. As cuidado­ras e mãe solo tam­bém são as mais sobre­car­regadas com as tare­fas domés­ti­cas e de cuida­do, com 51% das mães e 49% das cuidado­ras apon­tan­do a situ­ação finan­ceira restri­ta como o maior impacto na saúde men­tal. Isso quer diz­er que a sobre­car­ga de cuida­do tam­bém é um fator de empo­brec­i­men­to das mul­heres ou “fem­i­niza­ção da pobreza”, segun­do o relatório.

Entre as entre­vis­tadas mais jovens, 26% declararam que os padrões de beleza impos­tos impactam neg­a­ti­va­mente na saúde men­tal. Já o medo de sofr­er vio­lên­cia é cita­do por 16% das entre­vis­tadas.

Para 91% das entre­vis­tadas, a saúde emo­cional deve ser lev­a­da muito a sério e 76% estão bus­can­do prestar atenção à saúde men­tal, prin­ci­pal­mente após a pan­demia de covid-19. Só 11% afir­mam que não cuidam da sua saúde emo­cional de nen­hu­ma for­ma.

“É necessário que come­ce­mos a enten­der o impacto do tra­bal­ho de cuida­do e suas con­se­quên­cias, além de par­tir­mos de dis­cussões que deses­tig­ma­tizem tabus sobre a saúde men­tal. É essen­cial incen­ti­var ações do setor pri­va­do, da sociedade civ­il e, prin­ci­pal­mente, do setor públi­co para um futuro viáv­el para as mul­heres”, afir­mou, em nota, Nana Lima, co-dire­to­ra da Think Olga.

Edição: Valéria Aguiar

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