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Presidente diz que premiê de Israel quer acabar com a Faixa de Gaza

Repro­du­ção: © Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

Lula defende fim do poder de veto no Conselho de Segurança


Publi­ca­do em 27/10/2023 — 16:30 Por Andreia Ver­dé­lio – Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va afir­mou, nes­ta sex­ta-fei­ra (27), que é “insa­ni­da­de” do pri­mei­ro-minis­tro de Isra­el, Ben­ja­min Netanyahu, que­rer aca­bar com a Fai­xa de Gaza. O pre­si­den­te defen­de o fim do poder de veto de mem­bros do Con­se­lho de Segu­ran­ça das Nações Uni­das (ONU) para que a enti­da­de assu­ma uma posi­ção mais for­te em rela­ção ao con­fli­to entre os isra­e­len­ses e o gru­po pales­ti­no Hamas, que con­tro­la a Fai­xa de Gaza.

“O ato do Hamas foi ter­ro­ris­ta, que não é pos­sí­vel fazer um ata­que, matar ino­cen­tes, seques­trar gen­te da for­ma que eles fize­ram, sem medir as con­sequên­ci­as do que acon­te­ce depois. Por­que, ago­ra, o que nós temos é a insa­ni­da­de do pri­mei­ro-minis­tro de Isra­el que­ren­do aca­bar com a Fai­xa de Gaza, se esque­cen­do que lá não tem só sol­da­do do Hamas, que lá tem mulhe­res e cri­an­ças, que são as gran­des víti­mas des­sa guer­ra”, dis­se Lula, duran­te café da manhã com jor­na­lis­tas, no Palá­cio do Pla­nal­to.

O pre­si­den­te expli­cou que o Bra­sil não reco­nhe­ce o Hamas como orga­ni­za­ção ter­ro­ris­ta, por­que o país segue as ava­li­a­ções do Con­se­lho de Segu­ran­ça da ONU.

“A posi­ção nos­sa é cla­ra. Toda guer­ra não tem ape­nas um cul­pa­do, ou um mais cul­pa­do. O Bra­sil fez crí­ti­ca vee­men­te, como nós con­de­na­mos a Rús­sia de ter inva­di­do o ter­ri­tó­rio ucra­ni­a­no, isso está explí­ci­to no com­por­ta­men­to do Bra­sil. Mas isso não sig­ni­fi­ca que eu sou obri­ga­do a me colo­car ao lado da Ucrâ­nia para guer­re­ar. Eu que­ro me colo­car ao lado daque­les que que­rer pedir paz”, dis­se Lula com­pa­ran­do com o con­fli­to no les­te euro­peu e rea­fir­man­do a posi­ção do Bra­sil na con­de­na­ção dos atos do Hamas.

Brasília (DF), 27/10/2023, O presidente Lula, fala com a imprensa, durante café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­du­ção: Pre­si­den­te Lula em café da manhã com jor­na­lis­tas, no Palá­cio do Pla­nal­to — Rafa Neddermeyer/Agência Bra­sil

“Anti­ga­men­te, quan­do tinha guer­ra, os sol­da­dos iam pro cam­po de bata­lha e era sol­da­do matan­do sol­da­do. Ago­ra não, o cara fica de lon­ge jogan­do fogue­te e não sabe na cabe­ça de quem vai cair, não sabe quem vai mor­rer”, acres­cen­tou.

No dia 7 de outu­bro, o Hamas, que con­tro­la a Fai­xa de Gaza, lan­çou um ata­que sur­pre­sa de mís­seis con­tra Isra­el e a incur­são de com­ba­ten­tes arma­dos por ter­ra, matan­do civis e mili­ta­res e fazen­do cen­te­nas de reféns isra­e­len­ses e estran­gei­ros. Em res­pos­ta, Isra­el bom­bar­de­ou vári­as infra­es­tru­tu­ras do Hamas, em Gaza, e impôs cer­co total ao ter­ri­tó­rio, com o cor­te do abas­te­ci­men­to de água, com­bus­tí­vel e ener­gia elé­tri­ca.

Os ata­ques já dei­xa­ram milha­res de mor­tos, feri­dos e desa­bri­ga­dos nos dois ter­ri­tó­ri­os. Em Gaza, a auto­ri­da­de de saú­de infor­mou que mais de 7,3 mil pales­ti­nos, incluin­do 3 mil cri­an­ças, foram mor­tos.

Diálogo

Lula defen­de o diá­lo­go para uma solu­ção pací­fi­ca para a região e a aber­tu­ra de um cor­re­dor huma­ni­tá­rio e diz que tem fei­to um esfor­ço para que as nego­ci­a­ções acon­te­çam. “Se eu tiver infor­ma­ção que tem um pre­si­den­te de tal país que é ami­go do Hamas, é pra esse que eu vou ligar: ‘ô cara, fala pro Hamas liber­tar os reféns, pra que ficar com ino­cen­te lá reti­do? Liber­ta, tem gen­te que pre­ci­sa de remé­dio para tomar, liber­ta os reféns’. E tam­bém falar pro gover­no de Isra­el […] abrir as fron­tei­ras para saí­rem os estran­gei­ros”, dis­se.

A auto­ri­da­de do Hamas diz que a liber­ta­ção de reféns depen­de um ces­sar-fogo.

O pre­si­den­te Lula con­ti­nua mani­fes­tan­do pre­o­cu­pa­ção com o gru­po de cer­ca de 30 bra­si­lei­ros que estão na Fai­xa de Gaza, aguar­dan­do um acor­do entre Isra­el e o Egi­to para aber­tu­ra da fron­tei­ra ao sul do encla­ve (ter­mo da geo­gra­fia, que se refe­re a um ter­ri­tó­rio total­men­te cer­ca­do por outro, com carac­te­rís­ti­cas polí­ti­cas, soci­ais e cul­tu­rais dis­tin­tas).

“Alguém tem que falar em paz”, dis­se. “É com o poder des­se diá­lo­go que eu acho que em algum momen­to a gen­te vai con­se­guir sen­tar à mesa [de nego­ci­a­ção]. Eu não pos­so como ser huma­no, a gen­te ver a quan­ti­da­de de cri­an­ças mor­tas em uma guer­ra e nin­guém assu­mir a res­pon­sa­bi­li­da­de por essas mor­tes. Cada um se acha mais ino­cen­te e as cri­an­ças vão pere­cen­do”, acres­cen­tou.

Des­de o iní­cio do con­fli­to, Lula con­ver­sou com diver­sos líde­res mun­di­ais sobre o con­fli­to – de Isra­el, Auto­ri­da­de Pales­ti­na, Irã, Tur­quia, Egi­to, Emi­ra­dos Ára­bes, Fran­ça, Rús­sia, Con­se­lho Euro­peu e Catar. Segun­do o pre­si­den­te bra­si­lei­ro, ain­da estão pre­vis­tas con­ver­sas com líde­res de Chi­na, Índia e Áfri­ca do Sul.

Poder de veto

O pre­si­den­te tam­bém comen­tou sobre a rejei­ção, no Con­se­lho de Segu­ran­ça, da pro­pos­ta apre­sen­ta­da pelo gover­no bra­si­lei­ro que pedia pau­sas huma­ni­tá­ri­as aos ata­ques entre Isra­el e o Hamas. Do total de 15 votos, hou­ve 12 votos a favor, duas abs­ten­ções, sen­do uma da Rús­sia, e um voto con­trá­rio, por par­te dos Esta­dos Uni­dos. Por se tra­tar de um mem­bro per­ma­nen­te, o voto nor­te-ame­ri­ca­no resul­tou na rejei­ção da pro­pos­ta bra­si­lei­ra.

Lula defen­deu o fim do poder de veto dos cin­co mem­bros per­ma­nen­tes do cole­gi­a­do — Chi­na, Fran­ça, Rús­sia, Rei­no Uni­do e Esta­dos Uni­dos – e a aber­tu­ra do Con­se­lho de Segu­ran­ça para novos mem­bros.

“É uma con­tra­di­ção cin­co paí­ses do Con­se­lho de Segu­ran­ça. São eles que fabri­cam armas, que ven­dem armas e que fazem guer­ra. É a con­tra­di­ção. Por isso que­re­mos mudar, que­re­mos que entrem vári­os paí­ses. Que­re­mos demo­cra­ti­zar o Con­se­lho de Segu­ran­ça da ONU por­que hoje ele vale mui­to pou­co”, dis­se.

O pre­si­den­te lem­brou que o diplo­ma­ta bra­si­lei­ros Oswal­do Ara­nha pre­si­diu, em 1947, a ses­são da Assem­bleia-Geral da ONU que cri­ou o Esta­do de Isra­el. “Por­tan­to, a ONU, ago­ra, deve­ria ter cora­gem de asse­gu­rar a cri­a­ção do Esta­do Pales­ti­no, para vive­rem em paz, har­mo­ni­ca­men­te”, dis­se.

A guer­ra entre Isra­el e Hamas tem ori­gem na dis­pu­ta por ter­ri­tó­ri­os que já foram ocu­pa­dos por diver­sos povos, como hebreus e filis­teus, dos quais des­cen­dem isra­e­len­ses e pales­ti­nos.

Além dos mem­bros per­ma­nen­te, hoje, fazem par­te do con­se­lho rota­ti­vo Albâ­nia, Bra­sil, Equa­dor, Gabão, Gana, Japão, Mal­ta, Moçam­bi­que, Suí­ça e Emi­ra­dos Ára­bes. Para que uma reso­lu­ção seja apro­va­da, é pre­ci­so o apoio de nove do total de 15 mem­bros, sen­do que nenhum dos mem­bros per­ma­nen­tes pode vetar o tex­to.

“A pro­pos­ta do Bra­sil não foi rejei­ta­da, ela teve 12 votos. Ela foi veta­da por cau­sa de uma lou­cu­ra que é o direi­to de veto con­ce­di­do aos 5 paí­ses titu­la­res do Con­se­lho de Segu­ran­ça, que eu sou radi­cal­men­te con­tra. Isso não é demo­crá­ti­co”, dis­se.

Aniversário

Nes­ta sex­ta-fei­ra, o pre­si­den­te Lula tam­bém cele­bra 78 anos de ida­de. Segun­do ele, entre­tan­to, não have­rá fes­ta, ape­nas uma reu­nião com os fami­li­a­res mais ínti­mos.

“O mun­do está mais tris­te”, dis­se. “Vejo as cri­an­ças na Fai­xa de Gaza, fico com cora­ção par­ti­do como ser huma­no, então não é moti­vo para fazer fes­ta”, expli­cou.

Edi­ção: Ali­ne Leal

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