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Procurador-geral vai ao Amazonas acompanhar investigações sobre crimes

Repro­du­ção: Agên­cia Bra­sil — EBC

PGR pretende discutir medidas para reforçar presença do Poder Público


Publi­ca­do em 18/06/2022 — 14:07 Por Pedro Rafa­el Vile­la — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

O pro­cu­ra­dor-geral da Repú­bli­ca, Augus­to Aras, lide­ra uma comi­ti­va de mem­bros do Minis­té­rio Públi­co Fede­ral (MPF) em uma série de reu­niões na Amazô­nia, nes­te domin­go (19). Eles desem­bar­cam em Taba­tin­ga, no extre­mo oes­te do esta­do, pró­xi­mo da região onde o indi­ge­nis­ta Bru­no Perei­ra e o jor­na­lis­ta bri­tâ­ni­co Dom Phil­lips foram assas­si­na­dos há dua sema­nas.  

Acom­pa­nham Aras os coor­de­na­do­res das câma­ras de Popu­la­ções Indí­ge­nas e Comu­ni­da­des Tra­di­ci­o­nais e Cri­mi­nal do MPF, Eli­a­na Torelly e Car­los Fre­de­ri­co, res­pec­ti­va­men­te, o pro­cu­ra­dor fede­ral dos Direi­tos do Cida­dão, Car­los Alber­to Vilhe­na, além de outros inte­gran­tes do alto esca­lão do órgão.

Segun­do infor­me da PGR, o obje­ti­vo é dis­cu­tir medi­das e ações de res­tru­tu­ra­ção da atu­a­ção ins­ti­tu­ci­o­nal na região amazô­ni­ca, bem como ampli­ar a arti­cu­la­ção do MPF com outros órgãos públi­cos com vis­tas ao com­ba­te à cri­mi­na­li­da­de e ao enfren­ta­men­to de vio­la­ções aos direi­tos indí­ge­nas, direi­tos huma­nos e outros cri­mes regis­tra­dos na região.

A pre­vi­são é que o pro­cu­ra­dor-geral da Repú­bli­ca par­ti­ci­pe de reu­nião com mem­bros do MPF lota­dos em Taba­tin­ga, com repre­sen­tan­tes do Exér­ci­to, Polí­cia Fede­ral, Fun­da­ção Naci­o­nal do Índio (Funai) e outras ins­ti­tui­ções.

O PGR e os demais mem­bros do MPF tam­bém vão con­ver­sar com as auto­ri­da­des res­pon­sá­veis pela inves­ti­ga­ção do assas­si­na­to de Perei­ra e Phil­lips, para acom­pa­nhar os des­do­bra­men­tos do caso. Após os encon­tros, eles devem fazer uma decla­ra­ção à impren­sa.

Mais cedo, a PF infor­mou que Jef­fer­son da Sil­va Lima, conhe­ci­do como “Pela­do da Dinha”, se entre­gou na Dele­ga­cia de Polí­cia de Ata­laia do Nor­te, região do Vale do Java­ri, oes­te do Ama­zo­nas. Ele é o ter­cei­ro sus­pei­to de envol­vi­men­to no cri­me. Além dele, estão pre­sos por envol­vi­men­to na mor­te e na ocul­ta­ção dos cor­pos os pes­ca­do­res Ose­ney da Cos­ta de Oli­vei­ra, conhe­ci­do como Dos San­tos, de 41 anos, e Ama­ril­do da Cos­ta Perei­ra, o Pela­do, tam­bém de 41 anos. Até o momen­to, ape­nas Ama­ril­do con­fes­sou o cri­me e indi­cou a loca­li­za­ção dos res­tos mor­tais de Bru­no Perei­ra e Dom Phil­lips.

Assassinatos

Dom Phil­lips, que era cola­bo­ra­dor do jor­nal bri­tâ­ni­co The Guar­di­an, e Bru­no Perei­ra, ser­vi­dor licen­ci­a­do da Fun­da­ção Naci­o­nal do Índio (Funai), foram vis­tos pela últi­ma no dia 5 de junho, na região da reser­va indí­ge­na do Vale do Java­ri, a segun­da mai­or do país, com mais de 8,5 milhões de hec­ta­res. Eles se des­lo­ca­vam da comu­ni­da­de ribei­ri­nha de São Rafa­el para a cida­de de Ata­laia do Nor­te (AM), quan­do sumi­ram sem dei­xar ves­tí­gi­os.

O indi­ge­nis­ta denun­ci­ou que esta­ria sofren­do ame­a­ças na região, infor­ma­ção con­fir­ma­da pela PF, que abriu pro­ce­di­men­to inves­ti­ga­ti­vo sobre a denún­cia. Bru­no Perei­ra esta­va atu­an­do como cola­bo­ra­dor da União das Orga­ni­za­ções Indí­ge­nas do Vale do Java­ri (Uni­va­ja) — enti­da­de man­ti­da pelos pró­pri­os indí­ge­nas da região. Entre as suas mis­sões, esta­va a de impe­dir a caça e a pes­ca ile­gal na reser­va, bem como outras prá­ti­cas cri­mi­no­sas.

A Ter­ra Indí­ge­na do Vale do Java­ri con­cen­tra o mai­or núme­ro de índi­os iso­la­dos ou de recen­te con­ta­to do pla­ne­ta e qual­quer apro­xi­ma­ção com não índi­os pode desen­ca­de­ar um pro­ces­so de exter­mí­nio des­ses povos, seja pela dis­se­mi­na­ção de doen­ças ou enfren­ta­men­to dire­to.

Segun­do os auto­res do cri­me, a moti­va­ção do assas­si­na­to de Bru­no e Dom teria sido jus­ta­men­te a atu­a­ção deles na denún­cia de aces­so e explo­ra­ção ile­gal da reser­va. A PF che­gou a dizer, nes­ta sex­ta-fei­ra (17), que não have­ria man­dan­tes nem par­ti­ci­pa­ção de orga­ni­za­ções cri­mi­no­sas.

A con­clu­são, no entan­to, foi recha­ça­da pela Uni­ja­va, que, em nota, infor­mou terem sido repas­sa­dos dados sobre orga­ni­za­ções cri­mi­no­sas que esta­ri­am atu­an­do na região.

Edi­ção: Pedro Ivo de Oli­vei­ra

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