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Projeto disponibiliza peças teatrais inéditas em podcast

Repro­dução: © Divul­gação

Entre os trabalhos está um raro texto de Augusto Boal


Pub­li­ca­do em 10/05/2023 — 08:29 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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Primeiro pro­du­to do pro­je­to Sbat em Cena — Con­tém Peças: um ciclo de peças em for­ma­to de audioteatro ´aca­ba de ser lança­do e inclui, ini­cial­mente, tra­bal­hos inédi­tos em for­ma­to de pod­cast (con­teú­do em áudio disponi­bi­liza­do pela inter­net). Os tra­bal­hos são das autoras Julia Spadac­ci­ni (Doce Oceano) e Daniela Pereira de Car­val­ho (Com­por­ta­men­to), além de um raro tex­to de Augus­to Boal (Laio se Matou).

O pro­je­to é resul­ta­do de parce­ria entre a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat) e o Lab­o­ratório de Estéti­ca e Políti­ca (Lep), do Pro­gra­ma de Pós-grad­u­ação em Artes da Cena da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (PPGAC/UFRJ). O obje­ti­vo é a revi­tal­iza­ção e ressig­nifi­cação da enti­dade. Cri­a­da há 106 anos, a Sbat atua em defe­sa dos dire­itos autorais de escritores teatrais, além de tradu­tores, roteiris­tas de audio­vi­su­al, autores de lit­er­atu­ra em ger­al, ence­nadores, atores, cenó­grafos, dire­tores musi­cais, coreó­grafos e out­ros cri­adores das artes cêni­cas e dramáti­cas de todo o país.

Coor­de­nador pro­visório do Sbat, Gill­ray Coutin­ho disse que o pro­je­to, que aca­ba de ser lança­do a par­tir de emen­das par­la­mentares, terá con­tinuidade.

Um dos dra­matur­gos que mais con­tribuiu para a cri­ação de um teatro gen­uina­mente brasileiro e lati­no-amer­i­cano, Augus­to Boal foi tam­bém fun­dador do Teatro do Oprim­i­do, que alia essa arte à ação social, cujas téc­ni­cas se espal­haram pelo mun­do nas três últi­mas décadas do sécu­lo 20. Sua peça Laio se Matou, escri­ta em 1952 para o Teatro Exper­i­men­tal do Negro, transpõe a história gre­ga de Édipo, de Sófo­cles, a um ter­reiro de can­domblé, no Rio de Janeiro. A peça de Boal será lança­da nes­ta sem­ana.

A pesquisado­ra do Lep, ide­al­izado­ra e coor­de­nado­ra do pro­je­to, Alessan­dra Van­nuc­ci, ressaltou, em entre­vista à Agên­cia Brasil, que já foram lançadas duas peças inédi­tas em for­ma­to de audioteatro, que não foram ence­nadas ain­da. As peças foram sele­cionadas a par­tir de con­vo­cação nacional fei­ta pela Sbat para que seus autores par­tic­i­passem do pro­je­to, que visa revi­talizar a enti­dade, incluin­do diver­sas ger­ações de autores e novas lin­gua­gens.

Os tex­tos são escritos para o teatro, mas traduzi­dos ago­ra em for­ma­to sonoro, grava­do, como audio­book. “É out­ra lin­guagem, mas com códi­go já fre­quen­ta­do pela dra­matur­gia brasileira, que teve riquís­si­ma pro­dução em for­ma­to de radioteatro nas décadas de 40 e 50. O espec­ta­dor é con­vi­da­do à exper­iên­cia de ouvinte”, expli­cou Alessan­dra Van­nuc­ci.

As peças foram adap­tadas para o for­ma­to de audioteatro pelo dra­matur­go e pesquisador Tatá Oliveira e dirigi­das pelo ator, dire­tor e pesquisador Bruce Gom­levsky, que par­tic­i­pam tam­bém como atores, ao lado de um elen­co for­ma­do por alunos da Esco­la de Comu­ni­cação (ECO) da UFRJ. Todas as funções cria­ti­vas (pro­dução, inter­pre­tação, cri­ação grá­fi­ca, edição) foram real­izadas pela equipe de estu­dantes bol­sis­tas do Lep, sele­ciona­dos entre alunos cotis­tas.

Novas experiências

É a primeira vez que Julia Spadac­ci­ni e Daniela Pereira de Car­val­ho têm tex­tos mon­ta­dos em pod­castDoce Oceano é a primeira peça do Con­tém-peças a entrar na platafor­ma Spoti­fy. Em segui­da, foi lança­do Com­por­ta­men­to e, esta sem­ana, será a vez da obra Laio se matou, de Augus­to Boal. As audiopeças podem ser ouvi­das no stream­ing e tam­bém estão disponíveis no site da Sbat.

Alessan­dra Van­nuc­ci infor­mou que o pro­du­to Con­tém peças vai ter con­tinuidade. O segun­do ciclo será aber­to provavel­mente no próx­i­mo mês, com o lança­men­to em pod­cast da peça inédi­ta Desa­pare­ci­da, de auto­ria da própria pesquisado­ra da UFRJ e dra­matur­ga, ital­iana que tra­bal­ha no Brasil há 20 anos. “A Sbat me pediu para faz­er essa leitu­ra da peça. E vai envolver mui­ta gente, atores de São Paulo tam­bém, além dos alunos da UFRJ”. A peça abrange depoi­men­tos de mul­heres pre­sas durante a ditadu­ra mil­i­tar no Brasil.

Sbat em Cena

O pro­je­to Sbat em Cena foi pos­si­bil­i­ta­do por meio de emen­das par­la­mentares des­ti­nadas pelos dep­uta­dos fed­erais Chico D’Angelo (PDT-RJ), Jandi­ra Feghali (PCdoB-RJ) e Benedi­ta da Sil­va (PT-RJ). O pro­je­to é divi­di­do em duas partes. A primeira visa a ressig­nifi­cação da enti­dade, incluin­do ações que são tradição da Sociedade — a reed­ição da Revista Sbat e leituras em pod­casts, caso do Con­tém Peças. Gill­ray Coutin­ho desta­cou que a Sbat tem a tradição de pro­mover o teatro brasileiro e não só dis­cussões sobre o setor, mas tam­bém sobre as próprias peças, rodas de leitu­ra, cur­sos, ofic­i­nas. “A gente pre­cisa pro­mover os nos­sos autores, o teatro brasileiro, que tem car­ac­terís­ti­cas muito espe­ci­ais”, afir­mou.

A segun­da parte bus­ca a revi­tal­iza­ção da Sbat, com a atu­al­iza­ção tec­nológ­i­ca de atendi­men­to, mod­ern­iza­ção e for­t­alec­i­men­to da insti­tu­ição. Entre as ações estão a restau­ração e a preser­vação do acer­vo, a real­iza­ção de um con­gres­so pres­en­cial no próx­i­mo mês de jun­ho na Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Esta­do do Rio de Janeiro (Unirio), o desen­volvi­men­to de fer­ra­men­tas de recol­hi­men­to e a dis­tribuição de dire­itos autorais.

O pro­je­to con­tem­pla tam­bém ativi­dades de reestru­tu­ração e mel­ho­ria nos sis­temas admin­is­tra­ti­vo, finan­ceiro e de comu­ni­cação, com o obje­ti­vo de apri­morar o con­ta­to da Sbat com os asso­ci­a­dos, além de aprox­imá-la de novos públi­cos.

Edição: Graça Adju­to

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