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Queimadura causa 14 mil internações no SUS de crianças e adolescentes

Repro­dução: © Suma­ia Villela/Agência Brasil

A média é 20 hospitalizações diárias, mostra pesquisa da SBP


Publicado em 26/06/2024 — 08:09 Por Alana Gandra — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

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Pesquisa da Sociedade Brasileira de Pedi­a­tria (SBP) rev­ela que nos últi­mos dois anos, foram reg­istradas em torno de 14 mil hos­pi­tal­iza­ções no Sis­tema Úni­co de Saúde (SUS) de cri­anças e ado­les­centes dev­i­do a aci­dentes com queimaduras. Em 2022, foram 6.924 casos e, em 2023, 6.981. Em média, o SUS reg­is­tra cer­ca de 20 hos­pi­tal­iza­ções diárias por queimaduras na faixa etária de zero a 19 anos. O lev­an­ta­men­to abrangeu somente os casos graves, com indi­cação de acom­pan­hamen­to hos­pi­ta­lar.

A sondagem apon­ta que cri­anças de 1 a 4 anos de idade são as maiores víti­mas, total­izan­do 6,4 mil inter­nações, em 2022 e 2023. Em segui­da, apare­cem as faixas de cin­co a nove anos (2.735 casos); de 15 a 19 anos (1.893); de dez a 14 anos (1.825); e os menores de um ano (1.051).

De acor­do com a SBP, o rank­ing de inter­nações por queimaduras nos esta­dos é lid­er­a­do pelo Paraná, com 1.730 reg­istros, segui­do por São Paulo (1.709), Bahia (1.572), Rio de Janeiro (1.126) e Minas Gerais (1.006). Por regiões, hou­ve aumen­to de hos­pi­tal­iza­ções no Norte, que evoluíram de 570, em 2022, para 575, em 2023; no Nordeste (de 1.899 para 2.038), no Sud­este (de 2.093 para 2.124) e no Sul (de 1.573 para 1.607). Somente na Região Cen­tro-Oeste reg­istrou que­da nas inter­nações no perío­do pesquisa­do, de 789 para 637.

Em relação a óbitos por queimaduras, o Sis­tema de Infor­mações sobre Mor­tal­i­dade (SIM) do Min­istério da Saúde apon­ta que no perío­do mais recente disponív­el, cor­re­spon­dente aos anos de 2022 e 2021, cer­ca de 700 cri­anças e ado­les­centes foram víti­mas desse tipo de aci­dente.

Descuido

As queimaduras cos­tu­mam acon­te­cer em cri­anças peque­nas, na maio­r­ia dos casos, como con­se­quên­cia do des­cui­do dos adul­tos, desta­cou o pres­i­dente da SBP, Clóvis Fran­cis­co Con­stan­ti­no. Segun­do ele, a vig­ilân­cia con­stante dos pais e respon­sáveis é indis­pen­sáv­el diante de várias situ­ações no dia a dia que podem rep­re­sen­tar risco. Mas, “se hou­ver pre­venção, é com­ple­ta­mente pos­sív­el evi­tar ess­es aci­dentes”, man­i­festou.

Emb­o­ra o peri­go das queimaduras em cri­anças e ado­les­centes ocor­ra durante todo o ano, a pres­i­dente do Depar­ta­men­to Cien­tí­fi­co de Pre­venção e Enfrenta­men­to às Causas Exter­nas na Infân­cia e Ado­lescên­cia da SBP, Luci Pfeif­fer, desta­cou que a atenção deve ser redo­bra­da durante os fes­te­jos juni­nos que se esten­dem de jun­ho até agos­to, em muitos municí­pios.

Ela ressaltou, entre­tan­to, em entre­vista à Agên­cia Brasil, que “o cuida­do com a cri­ança deve ser sem­pre. A gente fala que até o quar­to ano de vida, 80% das queimaduras acon­te­cem den­tro da coz­in­ha. Por isso, os cuida­dos da cri­ança peque­na são pas­sivos, ou seja, mes­mo que eu não este­ja cuidan­do, a cri­ança não vai chegar ao risco”.

Segun­do a médi­ca, uma pre­caução é colo­car um portão na coz­in­ha. Cri­anças não podem entrar na coz­in­ha quan­do estão sendo preparadas comi­das no fogão ou no forno. “A queimadu­ra no forno de pal­ma de mão é hor­ro­rosa, porque dá seque­las para toda a vida, porque a cri­ança não tem desen­volvi­men­to motor para tirar a mão, primeiro porque ela gru­da e, depois, ain­da não tem ativi­dade moto­ra para ficar de pé e sair cor­ren­do. Ela fica ali, queiman­do a mão”, desta­cou.

Fogos e fogueiras

Luci Pfeif­fer aler­tou que durante os fes­te­jos juni­nos, sob a des­cul­pa das comem­o­rações, ocorre uma despro­teção ain­da maior com cri­anças e ado­les­centes. Lem­brou que em várias cidades ain­da são ven­di­dos fogos de artifí­cio em ruas e estradas para pes­soas de qual­quer idade. “O dano do fogo de artifí­cio não é só a queimadu­ra que pode acon­te­cer, mas é algo ter­rív­el quan­do foguetes, tam­bém chama­dos rojões em algu­mas local­i­dades, são ace­sos e podem estourar para trás, provo­can­do a per­da da mão. Não é só a queimadu­ra. A explosão leva à per­da da mão da cri­ança e de adul­tos tam­bém. Isso acon­tece muito nes­sa época do ano”.

A pedi­atra deixou claro que fogos de artifí­cio não são brin­que­dos e não devem ser manuse­a­d­os por cri­anças e ado­les­centes. E quem for manuse­ar deve acen­der os fogos à dis­tân­cia e com todas as medi­das de pro­teção. “Por isso, o nos­so aler­ta: uma queimadu­ra é uma dor para a vida inteira, porque é a dor do momen­to, depois a dor da cica­triz e, muitas vezes, a inca­paci­dade que ela provo­ca”.

Out­ra coisa é a fogueira. As músi­cas falam em pular a fogueira. Luci adver­tiu, porém, que fogo queima a roupa, queima a pele, deixa cica­trizes. Fogueiras têm de ser cer­cadas, para que nen­hu­ma criatu­ra chegue per­to. Desta­cou que na atu­al­i­dade, com o uso de celu­lares, pode ocor­rer que alguém ven­ha cor­ren­do, tropece e caia na fogueira. “São danos irreparáveis”. Sub­lin­hou tam­bém que nes­sa época fes­ti­va de São João, soltar balões é uma ativi­dade proibi­da no Brasil, pelos incên­dios que pode provo­car e pelas queimaduras que podem causar em quem manu­seia ess­es artefatos.

As prin­ci­pais ori­en­tações da SBP para evi­tar aci­dentes com queimaduras podem ser con­feri­das no site da SBP.

Edição: Aécio Ama­do

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