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Regra que garante segurança de brinquedos no Brasil completa 30 anos

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

Desafio para os próximos anos é que normas se tornem mais abrangentes


Publi­ca­do em 26/06/2022 — 08:33 Por Ala­na Gan­dra — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Rio de Janei­ro

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O Bra­sil foi um dos pri­mei­ros paí­ses do mun­do a regu­la­men­tar a segu­ran­ça de brin­que­dos. Há 30 anos, quan­do o mer­ca­do bra­si­lei­ro expe­ri­men­ta­va o boom dos pro­du­tos impor­ta­dos, o volu­me de ocor­rên­cia de aci­den­tes envol­ven­do cri­an­ças e brin­que­dos des­per­tou a neces­si­da­de de cri­a­ção de parâ­me­tros que des­sem mai­or segu­ran­ça aos pro­du­tos infan­tis.

Foi assim que, em 1992, o Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Metro­lo­gia, Qua­li­da­de e Tec­no­lo­gia (Inme­tro) publi­cou a Por­ta­ria nº 47, que esta­be­le­ceu os requi­si­tos téc­ni­cos que deve­ri­am ser segui­dos por fabri­can­tes naci­o­nais e impor­ta­do­res.

O obje­ti­vo era regu­lar o mer­ca­do bra­si­lei­ro, miti­gar os ris­cos à saú­de e à segu­ran­ça das cri­an­ças e, em con­sequên­cia, dimi­nuir as ocor­rên­ci­as de aci­den­tes de con­su­mo envol­ven­do brin­que­dos, além de for­ta­le­cer a indús­tria naci­o­nal e garan­tir uma con­cor­rên­cia jus­ta.

À épo­ca, os pro­du­tos vinham de todas as par­tes do mun­do, prin­ci­pal­men­te da Chi­na, e entra­vam no Bra­sil a pre­ços mui­to bai­xos e sem o menor con­tro­le em rela­ção aos impac­tos na saú­de e na segu­ran­ça dos con­su­mi­do­res.

Hoje, 30 anos depois, o regu­la­men­to tem um novo desa­fio: tor­nar-se ain­da mais abran­gen­te, englo­ban­do requi­si­tos gerais para arti­gos infan­tis e não ape­nas para brin­que­dos.

“O nos­so gran­de desa­fio é fazer uma regu­la­men­ta­ção que não seja enges­sa­da. Aliás, esse é o dire­ci­o­na­men­to no mode­lo regu­la­tó­rio do Inme­tro. Alguns seto­res, como o de brin­que­dos, são mui­to ágeis no desen­vol­vi­men­to de novas tec­no­lo­gi­as. Cer­tos pro­du­tos entram no mer­ca­do bra­si­lei­ro e não con­se­guem ser con­tem­pla­dos com a cer­ti­fi­ca­ção por­que estão fora do regu­la­men­to por terem usa­do pro­ces­so ou tec­no­lo­gia dife­ren­te”, des­ta­cou o che­fe da Divi­são de Veri­fi­ca­ção e Estu­dos Téc­ni­cos (Divet) do Inme­tro, Hér­cu­les Sou­za.

Ana­lis­ta res­pon­sá­vel pelo regu­la­men­to de brin­que­dos do Inme­tro, Luci­a­ne Lobo, lem­brou que a últi­ma atu­a­li­za­ção, fei­ta em 2021, dei­xou cla­ro que, se o pro­du­to tem a fun­ção de brin­ca­dei­ra e se des­ti­na a cri­an­ças de até 14 anos, deve ser cer­ti­fi­ca­do com­pul­so­ri­a­men­te.

“Cer­tos brin­que­dos esca­pam da regu­la­men­ta­ção por­que os fabri­can­tes decla­ram serem pro­du­tos tera­pêu­ti­cos, como os recen­tes pop its e hand spin­ner (brin­que­dos anti­es­tres­se), que são comer­ci­a­li­za­dos em vári­os ambi­en­tes sem a devi­da cer­ti­fi­ca­ção”, aler­tou.

Segurança

Hoje, três déca­das depois da pri­mei­ra nor­ma, 90% dos fabri­can­tes bra­si­lei­ros aten­dem total­men­te à regu­la­men­ta­ção do Inme­tro, os outros 10% aten­dem a regu­la­men­tos ante­ri­o­res. Mais de 300 milhões de brin­que­dos exi­bi­am o selo do Inme­tro, no ano pas­sa­do, segun­do dados da Asso­ci­a­ção Bra­si­lei­ra dos Fabri­can­tes de Brin­que­dos (Abrinq).

Para Hér­cu­les Sou­za, os dados da Abrinq mos­tram que a regu­la­men­ta­ção alcan­çou o obje­ti­vo de gerar pro­du­tos mais segu­ros para o con­su­mi­dor.

A ana­lis­ta Luci­a­ne Lobo com­ple­men­tou que, mes­mo as micro e peque­nas empre­sas que, segun­do ela, sem­pre foram pre­o­cu­pa­ção do Inme­tro, estão con­se­guin­do aten­der às exi­gên­ci­as. “Isso mos­tra que o setor enten­deu a pro­pos­ta e incor­po­rou isso a seus pro­ces­sos inter­nos”, des­ta­cou.

Para a espe­ci­a­lis­ta da Aldei­as Infan­tis SOS Eri­ka Tonel­li, o papel do Inme­tro e do regu­la­men­to são fun­da­men­tais “para que pos­sa­mos con­ti­nu­ar avan­çan­do no país em ter­mos de qua­li­da­de dos brin­que­dos, ago­ra com o gran­de desa­fio dos comer­ci­a­li­za­dos ile­gal­men­te”.

A ex-dire­to­ra naci­o­nal da ONG Cri­an­ça Segu­ra Ales­san­dra Fran­çoia dis­se que, por ser um dos pri­mei­ros paí­ses do mun­do a regu­la­men­tar a segu­ran­ça de brin­que­dos, o Bra­sil está na fren­te nes­se que­si­to.

“Não há dúvi­das de que esta­mos na fren­te em rela­ção à qua­li­da­de de brin­que­dos e aos bene­fí­ci­os alcan­ça­dos com a imple­men­ta­ção da nor­ma e regu­la­men­ta­ção. O gran­de desa­fio para os pró­xi­mos 30 anos é man­tê-la, melho­rá-la, fis­ca­li­zá-la por meio dos gover­nos e gera­ções de cri­an­ças”, indi­cou.

Atualização

Movimento de vendas de brinquedos para o Dia das Crianças, comércio varejista nas ruas do Polo Saara, centro do Rio de Janeiro.
Repro­du­ção: O Bra­sil foi um dos pri­mei­ros paí­ses do mun­do a regu­la­men­tar a segu­ran­ça de brin­que­dos. — Fer­nan­do Frazão/Arquivo Agên­cia Bra­sil

Ao lon­go des­ses 30 anos, o regu­la­men­to de brin­que­dos pas­sou por vári­as atu­a­li­za­ções, incor­po­ran­do ensai­os e requi­si­tos que supor­tam o avan­ço tec­no­ló­gi­co, ali­nha­do às melho­res prá­ti­cas inter­na­ci­o­nais. O obje­ti­vo cen­tral, entre­tan­to, per­ma­ne­ce: aper­fei­ço­ar a qua­li­da­de dos pro­du­tos e garan­tir mais segu­ran­ça às cri­an­ças de 0 a 14 anos, mais sus­ce­tí­veis a aci­den­tes, segun­do o Inme­tro.

Na ava­li­a­ção do pre­si­den­te da Abrinq, Syné­sio Batis­ta, a regu­la­men­ta­ção de brin­que­dos no Bra­sil foi um mar­co his­tó­ri­co e trou­xe mui­ta matu­ri­da­de para o setor.

“Foi impres­cin­dí­vel para pro­te­ger o con­su­mi­dor, que não tinha infor­ma­ções sobre pro­ble­mas de saú­de e con­ta­mi­na­ção que pode­ri­am ser desen­ca­de­a­dos por pro­du­tos sem segu­ran­ça ofe­re­ci­dos às cri­an­ças, e tam­bém para per­mi­tir o desen­vol­vi­men­to da fabri­ca­ção naci­o­nal”.

Nes­se perío­do, foram inse­ri­dos no regu­la­men­to outros aspec­tos de segu­ran­ça, como a revi­são da clas­si­fi­ca­ção de fai­xa etá­ria; deter­mi­na­ção que os pro­du­tos des­ti­na­dos a cri­an­ças meno­res de 3 anos con­fec­ci­o­na­dos para serem leva­dos à boca (cho­ca­lhos, mor­de­do­res e brin­que­dos de den­ti­ção) uti­li­zem mate­ri­al que resis­ta ao ato de mas­ti­gar, sugar e à que­bra em peda­ços ou frag­men­tos de tama­nho peque­no; inclu­são de ensai­os para for­ma­mi­da, sol­ven­te uti­li­za­do em apli­ca­ções indus­tri­ais como a pro­du­ção de tape­tes de EVA (ace­ta­to de vini­la) des­ti­na­dos ao uso infan­til; ado­ção de novos méto­dos de tes­tes para ensai­os toxi­co­ló­gi­cos, redu­zin­do ou subs­ti­tuin­do a apli­ca­ção dos ensai­os in vivo com o uso de ani­mais, entre outros.

Desenvolvimento

Segun­do a Abrinq, o setor de brin­que­dos con­ta­bi­li­za, atu­al­men­te, 405 fabri­can­tes naci­o­nais, dos quais cer­ca de 86% são micro e peque­nas empre­sas que, em 2021, empre­ga­vam 36,5 mil tra­ba­lha­do­res. Dados divul­ga­dos pela enti­da­de na Fei­ra Inter­na­ci­o­nal de Brin­que­dos, em abril des­te ano, reve­lam que a indús­tria bra­si­lei­ra fatu­rou R$ 7,8 bilhões em 2021, aumen­to de 4% em com­pa­ra­ção ao ano ante­ri­or, quan­do a recei­ta foi de R$ 7,5 bilhões. Para 2022, a expec­ta­ti­va é que a recei­ta do setor cres­ça em tor­no de 6%, apro­xi­man­do-se de R$ 8,3 bilhões.

Edi­ção: Líli­an Beral­do

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