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Relembre o passo a passo da tentativa de golpe no 8/1

Repro­du­ção: © Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

Acampamento no Setor Militar serviu de base para terroristas


Publi­ca­do em 08/01/2024 — 07:09 Por Gil­ber­to Cos­ta — Bra­sí­lia

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Ato golpista

O Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Mete­o­ro­lo­gia (Inmet) pre­via um dia típi­co para o Dis­tri­to Fede­ral naque­le domin­go, 8 de janei­ro de 2023: cli­ma nebu­lo­so, com pos­si­bi­li­da­de de pan­ca­das de chu­va e aler­ta ama­re­lo quan­to aos ris­cos de ala­ga­men­to no perí­me­tro urba­no.

Não havia nenhum indi­ca­ti­vo cli­má­ti­co de que Bra­sí­lia teri­am um dia anor­mal para aque­la data. Cal­cu­la­va-se que as tem­pe­ra­tu­ras iri­am osci­lar entre a míni­ma de 18 °C e máxi­ma de 27 °C. Sabia-se que as chan­ces de pre­ci­pi­ta­ção eram mai­o­res para o final da tar­de e iní­cio da noi­te.

A Agên­cia Bra­si­lei­ra de Inte­li­gên­cia, o Coman­do Mili­tar do Pla­nal­to e a Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca tinham conhe­ci­men­to de que havia outra inqui­e­ta­ção na atmos­fe­ra da capi­tal fede­ral. Esses órgãos acom­pa­nha­vam que o núme­ro de pes­so­as no acam­pa­men­to bol­so­na­ris­ta dian­te do Quar­tel Gene­ral do Exér­ci­to em Bra­sí­lia havia se mul­ti­pli­ca­do por qua­se 20 vezes, com a che­ga­da de cen­te­nas de ôni­bus nos dois dias ante­ri­o­res tra­zen­do mili­tan­tes de dife­ren­tes par­tes do país.

De acor­do com o rela­tó­rio da Comis­são Par­la­men­tar Mis­ta de Inqué­ri­to (CPMI) dos Atos do Dia 8 de janei­ro de 2023, 5.500 pes­so­as esta­vam no acam­pa­men­to no sába­do, dia 7 de janei­ro — quan­ti­da­de mui­to supe­ri­or aos 300 mani­fes­tan­tes que ocu­pa­vam o local dois dias antes, 5 de janei­ro.

O acam­pa­men­to fica­va no Setor Mili­tar Urba­no (SMU) em uma área proi­bi­da para ocu­pa­ções por lei (Decre­to-Lei nº 3.437/1941, ain­da em vigên­cia). Aque­le ter­ri­tó­rio (de 1.320 metros) em tor­no de for­ti­fi­ca­ções é con­si­de­ra­do área de “ser­vi­dão mili­tar”.

O SMU está a uma dis­tân­cia de nove quilô­me­tros em linha reta, pelo Eixo Monu­men­tal, do Con­gres­so Naci­o­nal, do Palá­cio do Pla­nal­to, e do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral. Dali, os bol­so­na­ris­tas par­ti­ram por vol­ta das 13h. Duas horas depois, ini­ci­a­vam um iné­di­to aten­ta­do ter­ro­ris­ta no Bra­sil con­tra os Três Pode­res e de des­trui­ção par­ci­al de suas sedes na capi­tal do país.

Todos os pas­sos foram iden­ti­fi­ca­dos e cons­tam no rela­tó­rio da CPMI do 8 de janei­ro. Con­fi­ra um retros­pec­ti­va dos prin­ci­pais momen­tos:

8h20 – Aler­tas da Abin infor­mam que até esse horá­rio havi­am che­ga­do 101 ôni­bus a Bra­sí­lia para “os atos pre­vis­tos na Espla­na­da.”

10h – Novo aler­ta da Abin, a gru­po do What­sApp for­ma­do pela PMDF e o GSI/PR entre outros, con­ti­nua a che­ga­da de mani­fes­tan­tes ao QG do Exér­ci­to e “que per­ma­ne­cem con­vo­ca­ções e inci­ta­ções para des­lo­ca­men­to até a Espla­na­da dos Minis­té­ri­os, ocu­pa­ções de pré­di­os públi­cos e ações vio­len­tas.”

Manifestantes se reúnem em frente ao QG do Exército em Brasília
Repro­du­ção: Val­ter Campanato/Agência Bra­sil

13h – Mar­cha com milha­res de pes­so­as dei­xa o acam­pa­men­to do Setor Mili­tar Urba­no.

13h23 — Fer­nan­do de Sou­sa Oli­vei­ra, subs­ti­tu­to de Ander­son Tor­res na Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca do DF envia áudio ao gover­na­dor do Dis­tri­to Fede­ral, Iba­neis Rocha, tranquilizando‑o sobre a mani­fes­ta­ção.

14h30 – Infor­me da Abin regis­tra que a mar­cha alcan­ça a pri­mei­ra bar­rei­ra poli­ci­al na Via N1, na altu­ra da Cate­dral.

14h43 – Gru­po che­ga à linha de con­ten­ção for­ma­da por duas linhas de gra­dil loca­li­za­da na Ave­ni­da das Ban­dei­ras.

14h45 – À fren­te do Con­gres­so Naci­o­nal estão ape­nas 20 PMs do 1º Bata­lhão de Poli­ci­a­men­to de Cho­que.

15h – Gol­pis­tas já con­se­gui­ram subir a ram­pa do Con­gres­so para inva­dir e des­truir pré­dio.

15h10 – Outros gru­pos inva­dem o esta­ci­o­na­men­to e a par­te de trás do Palá­cio do Pla­nal­to.

15h15 — 12 PMs do 2º Pelo­tão de Poli­ci­a­men­to de Cho­que che­ga­ram ao Con­gres­so, mas não repri­mem os inva­so­res e “che­ga­ram a sina­li­zar para que os pre­sen­tes pros­se­guis­sem com a inva­são”, des­cre­ve rela­tó­rio da CPMI.

15h16 – PM se reti­ra da via S1 na altu­ra do Con­gres­so, e libe­ram aces­so aos insur­gen­tes para alcan­ça­rem o pré­dio do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral.

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Repro­du­ção: Mani­fes­tan­tes inva­dem Con­gres­so, STF e Palá­cio do Pla­nal­to. — Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

15h20 – Vân­da­los der­ru­bam as gra­des de iso­la­men­to do Palá­cio do Pla­nal­to, sobem ram­pa, que­bram os vidros da facha­da e entram no pré­dio.

15h26 – Mani­fes­tan­tes che­gam à Pra­ça dos Três Pode­res em pon­to pró­xi­mo ao STF.

15h37 – Ini­cia a inva­são do edi­fí­cio-sede do STF

08.01.2023-Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Repro­du­ção: Mani­fes­tan­tes inva­dem Con­gres­so, STF e Palá­cio do Pla­nal­to., por Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

15h45 – Gol­pis­tas che­gam ao 3º andar do Pla­nal­to, onde fica o gabi­ne­te do pre­si­den­te da Repú­bli­ca.

15h53 – PMs aban­do­nam o pré­dio do Con­gres­so Naci­o­nal. Alguns deles são ata­ca­dos pelos ter­ro­ris­tas.

16h25 – Ini­cia a expul­são inva­so­res dos pré­di­os públi­cos.

16h40 — Che­ga ao Palá­cio do Pla­nal­to o Bata­lhão da Guar­da Pre­si­den­ci­al (BGP)

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto.
Repro­du­ção: Mani­fes­tan­tes inva­dem Con­gres­so, STF e Palá­cio do Pla­nal­to. — Mar­ce­lo Camargo/Agência Bra­sil

17h — O Bata­lhão de Cho­que da PMDF, reque­ri­da duas horas antes, che­gou ao Con­gres­so Naci­o­nal.

17h08 – O gover­na­dor do DF, Iba­neis Rocha, demi­te o secre­tá­rio de Segu­ran­ça Públi­ca, Ander­son Tor­res, em féri­as ante­ci­pa­da nos Esta­dos Uni­dos.

17h15 – Entram no palá­cio pre­si­den­ci­al a Com­pa­nhia da Base de Admi­nis­tra­ção e Apoio do Coman­do Mili­tar do Pla­nal­to e um pelo­tão do 1º Regi­men­to de Cava­la­ria de Guar­das.

17h30 – Boa par­te dos pré­di­os inva­di­dos estão deso­cu­pa­dos, mas mul­ti­dão ain­da se con­cen­tra em par­te exter­na do Con­gres­so Naci­o­nal.

17h50 – De Ara­ra­qua­ra (SP), o pre­si­den­te Lula decre­ta inter­ven­ção fede­ral na Secre­ta­ria de Segu­ran­ça Públi­ca do DF.

18h20 – Extre­mis­tas colo­cam fogo no gra­ma­do do Con­gres­so Naci­o­nal.

19h – Em vídeo na inter­net, o gover­na­dor Iba­neis Rocha pede des­cul­pas à popu­la­ção.

20h – O inter­ven­tor na Secre­ta­ria de Segu­ran­ça do DF, Ricar­do Capel­li, con­vo­ca todo efe­ti­vo de segu­ran­ça para a Espla­na­da para efe­tu­ar o mai­or núme­ro pos­sí­vel de pri­sões e expul­sar os insur­gen­tes da área. Capel­li nego­cia com mili­ta­res as pri­sões no acam­pa­men­to do SMU, que ocor­re­ri­am nas pri­mei­ras horas do dia 09/01.

21h17 – Dos Esta­dos Uni­dos, cer­ca de 6 horas após o iní­cio das inva­sões e depre­da­ções, o ex-pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro publi­ca nota em rede soci­al con­de­nan­do os ata­ques e se exi­min­do de qual­quer res­pon­sa­bi­li­da­de.

22h – O pre­si­den­te Lula vis­to­ria o Palá­cio do Pla­nal­to e o STF em com­pa­nhia dos minis­tros Rosa Weber, Rober­to Bar­ro­so e Dias Tof­fo­li.

Edi­ção: Juli­a­na Cézar Nunes

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