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Retrospectiva: 2023, ano de consolidação do futebol feminino

Repro­du­ção: © Reuters/Carl Recine/Direitos Reser­va­dos

Conquista da primeira Copa do Mundo pela Espanha foi o grande destaque


Publi­ca­do em 30/12/2023 — 09:00 Por Marí­lia Arri­go­ni — Repór­ter da EBC — Rio de Janei­ro

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A séti­ma edi­ção Copa do Mun­do de fute­bol femi­ni­no, dis­pu­ta­da na Aus­trá­lia e na Nova Zelân­dia, dei­xou evi­den­te a con­so­li­da­ção e o desen­vol­vi­men­to da moda­li­da­de em mui­tos paí­ses. O prin­ci­pal refle­xo dis­so foi a con­quis­ta do títu­lo iné­di­to pela Espa­nha. As tetra­cam­peãs dos Esta­dos Uni­dos, eli­mi­na­das nas oita­vas de final, fica­ram de fora do top três pela pri­mei­ra vez na his­tó­ria.

Ain­da que a sele­ção espa­nho­la exis­ta des­de 1980, esta foi a ter­cei­ra par­ti­ci­pa­ção do país em mun­di­ais (obte­ve a clas­si­fi­ca­ção ape­nas em 2015 e em 2019). Foi na Copa da Fran­ça que as espa­nho­las foram além das oita­vas de final. A vira­da do fute­bol de mulhe­res na Espa­nha come­çou em 2010, com inves­ti­men­to na base e na estru­tu­ra do espor­te. Jor­ge Vil­da, o téc­ni­co cam­peão, ini­ci­ou o tra­ba­lho na sele­ção prin­ci­pal em 2015, ten­do antes pas­sa­do pelas cate­go­ri­as de base da La Roja. Cam­peão sim, mas não unâ­ni­me entre as joga­do­ras. Em 2022, 15 atle­tas, entre elas as pre­mi­a­das Ale­xia Putel­las e Aita­na Bon­ma­tí, pedi­ram por meio de car­ta a demis­são de Vil­da. Assé­dio moral e recla­ma­ções sobre os méto­dos de tra­ba­lho teri­am moti­va­do o movi­men­to das joga­do­ras. Ele per­ma­ne­ceu no car­go, mas a divi­são no ves­tiá­rio con­ti­nu­ou.

Ao ven­cer o Mun­di­al de 2023, a Espa­nha expôs, além de téc­ni­ca e talen­to, o quan­to ain­da há de avan­ços neces­sá­ri­os fora de cam­po. O bei­jo na boca não con­sen­ti­do do então pre­si­den­te da Fede­ra­ção Espa­nho­la de Fute­bol, Luís Rubi­a­les, na ata­can­te Jen­ni Her­mo­so desen­ca­de­ou mais um movi­men­to das joga­do­ras e da soci­e­da­de, uma vez que gerou deba­te públi­co e posi­ci­o­na­men­to de auto­ri­da­des.

Rubi­a­les ten­tou se man­ter no car­go, mas não aguen­tou a pres­são e renun­ci­ou ao car­go. O diri­gen­te foi bani­do do fute­bol por três anos após deci­são do Comi­tê Dis­ci­pli­nar da Fifa. Apoi­a­dor de Rubi­a­les, Jor­ge Vil­da foi demi­ti­do da sele­ção espa­nho­la e ago­ra coman­da a sele­ção femi­ni­na do Mar­ro­cos.

A meio-cam­po Aita­na Bon­ma­tí con­fir­mou seu bri­lho den­tro de cam­po ao ser pre­mi­a­da como a melhor da Copa e pos­te­ri­or­men­te ganhar da Bola de Ouro. Tam­bém da Espa­nha, Sal­ma Paral­lu­e­lo foi con­si­de­ra­da a melhor joga­do­ra jovem. A Copa de 2023 tam­bém mos­trou ao mun­do os talen­tos da ingle­sa Mary Earps, pre­mi­a­da como melhor golei­ra, e da japo­ne­sa Hina­ta Miya­zawa, arti­lhei­ra da com­pe­ti­ção. Da Amé­ri­ca do Sul, a jovem colom­bi­a­na de 18 anos Lin­da Cai­ce­do ganhou os holo­fo­tes pelo gol mais boni­to do Mun­di­al em cima da Ale­ma­nha. Aliás, Cai­ce­do, Bon­ma­tí e Jen­ni Her­mo­so são as fina­lis­tas do Fifa The Best de 2023, que será reve­la­do no dia 15 de janei­ro.

Seleção brasileira

O Bra­sil teve atu­a­ção mui­to abai­xo do espe­ra­do no Mun­di­al da Aus­trá­lia e da Nova Zelân­dia. Sob coman­do da téc­ni­ca sue­ca Pia Sundha­ge, a sele­ção foi eli­mi­na­da na fase de gru­pos após ser der­ro­ta­da por uma sur­pre­en­den­te Jamai­ca. Nas nove edi­ções de Copa do Mun­do de fute­bol femi­ni­no o Bra­sil só havia tido par­ti­ci­pa­ção tão ruim nos tor­nei­os de 1991 e de 1995.

Sundha­ge, que havia sido con­tra­ta­da para lide­rar a sele­ção até os Jogos de Paris, foi demi­ti­da e teve o tra­ba­lho bas­tan­te ques­ti­o­na­do, embo­ra tenha exer­ci­do papel impor­tan­te no incen­ti­vo do desen­vol­vi­men­to das cate­go­ri­as de base do Bra­sil.

Des­de setem­bro, o téc­ni­co mul­ti­cam­peão pelo Corinthi­ans Arthur Eli­as está à fren­te sele­ção femi­ni­na. Dos cin­co amis­to­sos do Bra­sil dis­pu­ta­dos com a assi­na­tu­ra de Eli­as, o Bra­sil ven­ceu três (4 a 0 sobre a Nica­rá­gua, 4 a 3 sobre o Japão e 1 a 0 sobre o Cana­dá). Além dis­so, a equi­pe cana­ri­nho per­deu de 2 a 0 para o Japão e 2 a 0 para o Cana­dá.

No Bra­sil, o fute­bol femi­ni­no em 2023 foi domi­na­do pelo Corinthi­ans. As Bra­bas do Timão foram cam­peãs da Copa do Bra­sil, do Cam­pe­o­na­to Bra­si­lei­ro, da Liber­ta­do­res e do Pau­lis­tão. Com a saí­da de Arthur Eli­as, as corinthi­a­nas estão com novo téc­ni­co, Lucas Pic­ci­na­to, que saiu do Inter­na­ci­o­nal com o títu­lo do Gau­chão e após cum­prir cam­pa­nha de des­ta­que na Liber­ta­do­res.

A base vem forte

O calen­dá­rio de 2023 do fute­bol femi­ni­no bra­si­lei­ro foi fecha­do com a rea­li­za­ção da pri­mei­ra edi­ção da Copi­nha Femi­ni­na. Rea­li­za­da em São Pau­lo pela Fede­ra­ção Pau­lis­ta de Fute­bol (FPF), o tor­neio con­tou com 16 equi­pes sub-20 de dife­ren­tes esta­dos. O Fla­men­go fez his­tó­ria ao ser o cam­peão da pri­mei­ra edi­ção. O títu­lo saiu do clás­si­co con­tra o Bota­fo­go no está­dio do Canin­dé.

Para 2024, a Fede­ra­ção Pau­lis­ta pla­ne­ja ampli­ar o tor­neio. “No momen­to esta­mos com oito esta­dos, mas o obje­ti­vo para o ano que vem é aumen­tar o núme­ro de equi­pes, mas prin­ci­pal­men­te aumen­tar o núme­ro de esta­dos. Nós que­re­mos que o Bra­sil intei­ro pos­sa par­ti­ci­par. Por­que essa vai ser uma com­pe­ti­ção de fomen­to do fute­bol femi­ni­no”, dis­se a dire­to­ra de fute­bol femi­ni­no da FPF, Ana Lore­na Mar­che, em par­ti­ci­pa­ção no Copa Delas, vide­o­cast da TV Bra­sil.

Edi­ção: Fábio Lis­boa

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