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Ricardo Lewandowski deixa o Supremo Tribunal Federal após 17 anos

Repro­du­ção: © Fer­nan­do Frazão/Agência Bra­sil

Ele completa 75 anos em maio, quando sairia compulsoriamente


Publi­ca­do em 11/04/2023 — 07:18 Por Feli­pe Pon­tes — Repór­ter da Agên­cia Bra­sil — Bra­sí­lia

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O minis­tro Ricar­do Lewan­dows­ki, do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF), dei­xa hoje (11) o car­go, após ter ante­ci­pa­do em um mês sua apo­sen­ta­do­ria. Ele com­ple­ta 75 anos em 11 de maio, data em que seria apo­sen­ta­do com­pul­so­ri­a­men­te.

Lewan­dows­ki dei­xa o gabi­ne­te com um acer­vo de 780 pro­ces­sos, que devem ser her­da­dos por seu suces­sor. A par­tir des­ta ter­ça-fei­ra (11), cabe ao pre­si­den­te Luiz Iná­cio Lula da Sil­va indi­car um novo nome para a cadei­ra do minis­tro. Quan­do anun­ci­ou sua apo­sen­ta­do­ria, o minis­tro dis­se não ter fei­to indi­ca­ções a Lula.

Não há pra­zo para a nova indi­ca­ção. Lula embar­ca nes­ta ter­ça para a Chi­na, de onde retor­na no pró­xi­mo domin­go (16). Em café da manhã com jor­na­lis­tas no iní­cio do mês, o pre­si­den­te dis­se “não ter pres­sa” para fazer a indi­ca­ção. “A esco­lha do subs­ti­tu­to dele [Lewan­dows­ki] será fei­ta por mim no momen­to que eu achar que tenha que fazer”, afir­mou.

Até o momen­to, o úni­co nome cita­do publi­ca­men­te por Lula foi o do advo­ga­do Cris­ti­a­no Zanin, que o defen­deu nos pro­ces­sos da Ope­ra­ção Lava Jato. Nas últi­mas sema­nas, inten­si­fi­ca­ram-se as pres­sões e cam­pa­nhas por outros cota­dos, em espe­ci­al uma mulher, pre­fe­ren­ci­al­men­te negra. Lula, con­tu­do, tem rejei­ta­do assu­mir qual­quer com­pro­mis­so sobre o per­fil do indi­ca­do.

Antes de assu­mir, o indi­ca­do pelo pre­si­den­te deve­rá ser saba­ti­na­do na Comis­são de Cons­ti­tui­ção e Jus­ti­ça (CCJ) do Sena­do e depois ser apro­va­do no ple­ná­rio da Casa, por mai­o­ria abso­lu­ta (41 votos).

Carreira

Com a saí­da do Supre­mo, Lewan­dows­ki deve­rá vol­tar a advo­gar e focar na car­rei­ra aca­dê­mi­ca, segun­do con­tou a jor­na­lis­tas. Ele é for­ma­do pela Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (USP), mes­ma ins­ti­tui­ção pela qual se tor­nou mes­tre e dou­tor e na qual leci­o­na des­de 1978.

Sua pas­sa­gem pelo Supre­mo, onde che­gou em 2006 por indi­ca­ção do pró­prio Lula, ficou mar­ca­da pelo cha­ma­do garan­tis­mo, cor­ren­te que ten­de a dar mai­or peso aos direi­tos e garan­ti­as dos réus em pro­ces­sos.

Ele votou, por exem­plo, duran­te o jul­ga­men­to do men­sa­lão, do qual foi revi­sor, pela absol­vi­ção dos ex-minis­tros de Esta­do José Dir­ceu e José Genoí­no, no que foi ven­ci­do. Na oca­sião, cha­mou a denún­cia con­tra os dois de “vagas”, pois esta­ri­am base­a­das sobre­tu­do em decla­ra­ções.

O jul­ga­men­to do men­sa­lão ren­deu dis­cus­sões aca­lo­ra­das em ple­ná­rio, com o rela­tor da ação penal e pre­si­den­te do Supre­mo à épo­ca, Joa­quim Bar­bo­sa, che­gan­do a acu­sar Lewan­dows­ki de fazer “chi­ca­na” por que­rer adi­ar uma das ses­sões ple­ná­ri­as. O minis­tro exi­giu retra­ta­ção ime­di­a­ta do cole­ga, e a con­fu­são levou à sus­pen­são da aná­li­se do caso.

Lewan­dows­ki foi o pri­mei­ro minis­tro do Supre­mo a apon­tar des­vi­os na atu­a­ção da Lava Jato e depois viria a ser rela­tor da ape­li­da­da “Vaza Jato”, caso que reve­lou tro­cas de men­sa­gens entre o juiz Ser­gio Moro e pro­cu­ra­do­res res­pon­sá­veis pela Lava Jato. As con­ver­sas depois leva­ram à anu­la­ção da con­de­na­ção de Lula no caso, como tam­bém à sus­pen­são das ações rela­ti­vas a diver­sos outros réus.

O minis­tro sus­pen­deu pes­so­al­men­te diver­sos pro­ces­sos da ope­ra­ção, o mais recen­te em mea­dos de mar­ço, quan­do man­dou parar uma ação base­a­da em infor­ma­ções repas­sa­das pela Ode­bre­cht, pro­vas que depois foram con­si­de­ra­das impres­tá­veis pelo Supre­mo. Entre os bene­fi­ci­a­dos esta­vam o ex-minis­tro e ex-sena­dor Edson Lobão, o advo­ga­do Rodri­go Tacla Duran, que tra­ba­lhou para a emprei­tei­ra, e o vice-almi­ran­te Othon Luiz Pinhei­ro da Sil­va, ex-pre­si­den­te da Ele­tro­nu­clar.

Decisões importantes

Outras deci­sões do Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral (STF) fica­ram asso­ci­a­das ao nome de Lewan­dows­ki, por ter sido o rela­tor dos temas na Cor­te. Ele foi o res­pon­sá­vel, por exem­plo, por habe­as cor­pus cole­ti­vo para con­ce­der pri­são domi­ci­li­ar a milha­res de pre­sas grá­vi­das ou mães de meno­res de até 12 anos. A deci­são foi depois con­fir­ma­da pela Segun­da Tur­ma do Supre­mo.

Ele tam­bém foi rela­tor da ação em que o Supre­mo jul­gou, por una­ni­mi­da­de, serem cons­ti­tu­ci­o­nais as cotas para can­di­da­tos negros em uni­ver­si­da­des públi­cas. Devi­do a essa deci­são, o minis­tro da Edu­ca­ção, Cami­lo San­ta­na, mar­cou uma home­na­gem para Lewan­dows­ki nes­ta manhã, na sede do minis­té­rio.

Mais recen­te­men­te, duran­te a pan­de­mia de covid-19, Lewan­dows­ki foi rela­tor de uma ação no Supre­mo em que deter­mi­nou ao gover­no ace­le­rar e apre­sen­tar um pla­no de vaci­na­ção da popu­la­ção con­tra a doen­ça, com cro­no­gra­mas de aqui­si­ção e dis­tri­bui­ção dos imu­ni­zan­tes. A limi­nar seria depois con­fir­ma­da por una­ni­mi­da­de em ple­ná­rio.

Presidências

O minis­tro pre­si­diu o Supre­mo Tri­bu­nal Fede­ral entre 2014 e 2016, ano em que pre­si­diu tam­bém o impe­a­ch­ment da pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff, entre maio e agos­to, no Sena­do, con­for­me pre­vi­são cons­ti­tu­ci­o­nal.

Uma de suas deci­sões na oca­sião foi a de per­mi­tir uma vota­ção fati­a­da, com os par­la­men­ta­res deci­din­do pri­mei­ro sobre o afas­ta­men­to da man­da­tá­ria e somen­te depois as san­ções que seri­am impos­tas. Com isso, ela aca­bou não se tor­nan­do ine­le­gí­vel após dei­xar o car­go.

Ele foi tam­bém pre­si­den­te do Tri­bu­nal Supe­ri­or Elei­to­ral (TSE) entre 2010 e 2012. No car­go, este­ve à fren­te da apli­ca­ção da Lei da Ficha Lim­pa, que havia sido apro­va­da em 2010. Como pre­si­den­te do Con­se­lho Naci­o­nal de Jus­ti­ça (CNJ), assi­nou a ado­ção em todo o país das audi­ên­ci­as de cus­tó­dia – em que qual­quer pre­so deve ser apre­sen­ta­do à Jus­ti­ça em 24 horas.

Edi­ção: Gra­ça Adju­to

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