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RJ: Mapa Social do Corona mostra como pandemia afetou ensino público

Repro­dução: © Divulgação/MCTIC

Impactos foram concentrados em favelas e áreas da periferia


Pub­li­ca­do em 29/03/2023 — 08:47 Por Alana Gan­dra — Repórter da Agên­cia Brasil — Rio de Janeiro

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O ensi­no remo­to, ado­ta­do durante a pan­demia de covid-19, cau­sou impactos no ensi­no públi­co munic­i­pal do Rio de Janeiro, espe­cial­mente no ensi­no fun­da­men­tal, em áreas da per­ife­ria. É o que mostra o 15º Mapa Social do Coro­na, últi­ma edição da pub­li­cação, elab­o­ra­da pelo Obser­vatório de Fave­las.

O coor­de­nador do eixo de Políti­cas Urbanas do Obser­vatório de Fave­las, Aru­an Bra­ga, disse à Agên­cia Brasil que o bole­tim reforçou o fato de a edu­cação ser uma das áreas onde os impactos da pan­demia foram con­cen­tra­dos nas fave­las e nas per­ife­rias. “A par­tir da edu­cação, enten­den­do os impactos medi­dos pelo Mapa Social do Coro­na, a gente iden­ti­fi­cou como em algu­mas fave­las do Rio o impacto da pan­demia teve influên­cia muito sig­ni­fica­ti­va no Índice de Desen­volvi­men­to da Edu­cação Bási­ca (Ideb) do gov­er­no fed­er­al, por exem­p­lo”, afir­mou Bra­ga.

Foram sele­cionadas para o estu­do a Cidade de Deus, na zona oeste; a Rocin­ha, na zona sul; e o Com­plexo da Maré, na zona norte. O lev­an­ta­men­to baseou-se em dados do Ideb de 2019 e 2021. O primeiro ano foi escol­hi­do por ser o últi­mo antes da chega­da da pan­demia ao Brasil, enquan­to 2021 é cita­do por ter sido o de maior número de casos e mortes pela doença.

Desempenho

O estu­do com­parou o desem­pen­ho dos alunos da Maré com os da Tiju­ca. Em 2019, os estu­dantes tiver­am média pare­ci­da, com os mareens­es atingin­do 5,4 e os tiju­canos, 5,7. Em 2021, emb­o­ra a média ain­da fos­se próx­i­ma, a difer­ença teve leve aumen­to, com os alunos da Maré ten­do 5,1 de média e os da Tiju­ca, 5,5.

A situ­ação de dis­pari­dade tam­bém ocor­reu na Rocin­ha, se com­para­da a Copaca­bana, e na Cidade de Deus em relação à Bar­ra da Tiju­ca. No primeiro caso, a difer­ença em 2019 era de 0,8, sendo que a Rocin­ha tin­ha média de 5,6 e Copaca­bana, 6,4. Dois anos depois, o inter­va­lo aumen­tou para 1,3, com a Rocin­ha apre­sen­tan­do média de 5,2, (que­da de 0,4), e Copaca­bana evoluin­do para 6,5.

Out­ro exem­p­lo, na zona oeste, con­fir­ma como alunos de áreas per­iféri­c­as enfrentaram prob­le­mas na edu­cação durante o auge da pan­demia. A Bar­ra da Tiju­ca caiu de 6,7 (2019) para 6,5 (2021), enquan­to estu­dantes da Cidade de Deus tiver­am que­da de rendi­men­to de 5,4 para 4,6.

O mapa con­fir­ma que os bair­ros com ren­da per capi­ta (por indi­ví­duo) maior man­tiver­am o mes­mo índice dos anos ante­ri­ores mas, na Rocin­ha e na Cidade de Deus, a taxa caiu, e a Maré con­seguiu man­ter val­ores sim­i­lares.

Sociedade civil

De acor­do com relatos de moradores da Maré, a sociedade civ­il teve papel fun­da­men­tal nesse perío­do da pan­demia, trazen­do ino­vações para a edu­cação inclu­sive, pen­san­do novas for­mas de aces­so à inter­net, de disponi­bil­i­dade de equipa­men­tos, for­mas alter­na­ti­vas de trans­mi­tir o con­teú­do além da sala de aula, que foi o grande desafio ao lon­go da pan­demia, indi­cou Aru­an Bra­ga. “Emb­o­ra a gente ten­ha con­fir­mação de que a edu­cação é mais um dos ele­men­tos que con­fir­mam o apro­fun­da­men­to das desigual­dades soci­ais durante a pan­demia, tam­bém tive­mos exper­iên­cias nas fave­las, nas per­ife­rias, que enfrentaram o aumen­to dessas desigual­dades e con­seguiram suces­so. O caso da Maré é um exem­p­lo muito impor­tante”.

Entre os relatos de pes­soas que viver­am essa real­i­dade, Bra­ga desta­cou os que incluíram des­de o paga­men­to de uma taxa dire­ciona­da ao aces­so à inter­net, a dis­tribuição de equipa­men­tos como tablets para os alunos da rede munic­i­pal moradores da Maré, e aulas de reforço e com­ple­men­to esco­lar, além da própria cessão de mate­r­i­al impres­so que orga­ni­za­ções civis fiz­er­am na área. “Foram estraté­gias que con­seguiram ter suces­so ali”.

O coor­de­nador reforçou o papel do ter­ritório pop­u­lar, da sociedade civ­il e dos moradores para enfrentar a situ­ação de desigual­dade. Em alguns casos, con­seguiram ter suces­so e mostram cam­in­hos impor­tantes no sen­ti­do de como a edu­cação pode ser qual­i­fi­ca­da com a par­tic­i­pação dos moradores, afir­mou.

Novidade

O estu­do desta­ca que o ensi­no remo­to foi con­sid­er­a­do uma novi­dade e um desafio para a maio­r­ia da comu­nidade esco­lar, uma vez que a edu­cação bási­ca é ofer­e­ci­da, majori­tari­a­mente, na modal­i­dade pres­en­cial. A neces­si­dade de ráp­i­da ade­quação esco­lar diante do cenário pandêmi­co não garan­tiu boa adap­tação por parte dos alunos moradores de regiões per­iféri­c­as, dev­i­do à difi­cul­dade ou fal­ta de aces­so à inter­net, a apar­el­hos eletrôni­cos ou mate­r­i­al de apoio não ade­qua­do.

O Mapa Social do Coro­na é uma real­iza­ção do Obser­vatório de Fave­las, com o apoio da Fun­dação Oswal­do Cruz (Fiocruz). O pro­je­to foi con­tem­pla­do na Chama­da Públi­ca para Apoio a Ações Emer­gen­ci­ais de Enfrenta­men­to à Covid-19 nas Fave­las do Rio de Janeiro.

Edição: Graça Adju­to

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