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RS: cidade de Muçum teme saída de indústria, diz prefeito

Repro­dução: © Bruno Peres/Agência Brasil

Para Mateus Trojan, situação é angustiante


Publicado em 24/06/2024 — 07:18 Por Lucas Pordeus León — Enviado especial — Porto Alegre

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Cer­ca de 50 dias após a enchente que cobriu 80% do cen­tro urbano do municí­pio de Muçum (RS), a cidade teme perder sua maior indús­tria, do setor de couro. Os moradores con­tin­u­am abal­a­dos pela tragé­dia, temem novas enchentes e alguns já decidi­ram emi­grar do local. Para o prefeito Mateus Tro­jan (MDB), a situ­ação é angus­tiante.

“A nos­sa maior empre­sa, que chega a ter 500 fun­cionários, está com oper­ação ape­nas pro­visória com 80 a 100 fun­cionários, uma redução bas­tante brus­ca. É uma dúvi­da da cidade se eles vão con­tin­uar operan­do ou não por con­ta do taman­ho do pre­juí­zo e da difi­cul­dade de recon­strução no mes­mo lugar. É uma angús­tia que a gente viven­cia hoje”, desta­cou.

A peque­na cidade de 5 mil habi­tantes, assim como out­ros municí­pios do Vale do Taquari afe­ta­dos pela enchente de maio, vive uma onda de migração. Os moradores ten­tavam se recu­per­ar da grande enchente de setem­bro de 2023, quan­do foram abati­dos pela nova catástrofe climáti­ca de maio. Segun­do Tro­jan, as inun­dações ante­ri­ores a setem­bro não causavam grandes pre­juí­zos.

Muçum (RS), 22/06/2024 - Interior de casa tomado de lama após enchente que atingiu toda a região. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Repro­dução: Muçum (RS) — Inte­ri­or de casa toma­do pela lama após enchente que atingiu a região Foto Bruno Peres/Agência Brasil

“Era uma cidade con­sid­er­a­da segu­ra e sem maiores prob­le­mas. Ago­ra pas­sa a ser de risco prati­ca­mente em toda a sua área urbana”, disse o prefeito, acres­cen­tan­do que a evasão pre­ocu­pa. “Ou a gente dá uma respos­ta ráp­i­da ou vai ter vai ter uma diminuição muito grande da pop­u­lação e dos empreendi­men­tos da cidade”, com­ple­tou.

A prefeitu­ra tin­ha recon­struí­do o muro da sede dez dias antes da enchente de maio, que voltou a der­rubar a estru­tu­ra. Na enchente de 2023, 250 casas foram total­mente destruí­das. Na de maio de 2024, foram mais 40. A prefeitu­ra esti­ma que 30% da área urbana pre­cis­arão ser realo­ca­dos. Esti­ma ain­da uma redução de 10% da recei­ta de impos­tos neste ano.

Pesadelo

O con­sul­tor de ven­das Tia­go Dal­molin, de 43 anos, vive em uma casa ao lado do Rio Taquari, e ain­da esta­va limpan­do a residên­cia, quase 50 dias após a enchente. Ele decid­iu aban­donar a cidade.

Muçum (RS), 22/06/2024 - Tiago Dalmolin e seus filhos na varanda da sua casa, após enchente que atingiu toda a região. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Repro­dução: Muçum (RS) — Tia­go Dal­molin e seus fil­hos na varan­da de casa, após enchente que atingiu toda a região — Foto Bruno Peres/Agência Brasil

“Nasci e cresci aqui e optei por morar aqui por ser uma cidade tran­quila, boa pra cri­ar fil­hos. Só que se trans­for­mou num pesade­lo. Aí não tem mais como ficar. Eu estou fazen­do um trata­men­to psi­cológi­co no meu fil­ho mais vel­ho [de nove anos]”, contou.Na enchente de 2023, ele ficou com a mul­her e os dois fil­hos por oito horas no tel­ha­do esperan­do res­gate. Na de maio deste ano, con­seguiu deixar a casa antes de a água tomar toda a residên­cia, chegan­do a 1,5 metro do primeiro andar.

Esperança

A aposen­ta­da Elaine Decon­to, de 71 anos, acom­pan­ha­va a cun­ha­da que foi vis­i­tar o túmu­lo dos pais no cemitério da cidade, às mar­gens do rio, e que foi par­cial­mente destruí­do pelas cor­rentezas. Assim como sua cun­ha­da, out­ros moradores estavam vis­i­tan­do nesse final de sem­ana os túmu­los destruí­dos.

O pré­dio que Elaine vive ficou com água até o primeiro andar. Ape­sar da tris­teza do momen­to, acred­i­ta na recon­strução.

Muçum (RS), 22/06/2024 - Edifício destruído após enchente que atingiu toda a região. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Repro­dução: Muçum (RS) — Edifí­cio destruí­do após enchente que atingiu a região — Foto Bruno Peres/Agência Brasil

“É muito triste, muito doloroso. A gente acor­da de noite e não acred­i­ta que a nos­sa cidadez­in­ha de 5 mil habi­tantes está desse jeito. Era uma cidadez­in­ha lin­da, sabe? Toda calça­da, com flo­res, jardins, árvores. E ago­ra não tem mais nada. A gente vê mui­ta gente dizen­do que gostaria de sair, mas eu acred­i­to na recon­strução. Eu acred­i­to na força do povo daqui”, comen­tou.

A morado­ra Luciana Gomes, de 51 anos, desem­pre­ga­da, quan­do ques­tion­a­da se pre­tendia deixar a cidade, respon­deu que não teria para onde ir. “As pes­soas dizem que querem deixar o municí­pio, mas vamos para onde? Que lugar há para ir?”, ques­tio­nou.

Reconstrução

O prefeito Mateus Tro­jan, de ape­nas 29 anos, rela­tou difi­cul­dades em recon­stru­ir a cidade, prin­ci­pal­mente por causa da buro­c­ra­cia estatal. “São muitos órgãos do gov­er­no que acabam nos fazen­do perder, em cada trâmite, alguns dias. Com isso, se per­dem sem­anas por questões que são uni­ca­mente buro­cráti­cas, não é nem de disponi­bil­i­dade finan­ceira”, disse.

Tro­jan citou ain­da a demo­ra na lib­er­ação dos crédi­tos para o setor empre­sar­i­al e as difi­cul­dades para recon­strução das mora­dias. “Aparente­mente, [o pro­gra­ma para novas mora­dias] parece pos­i­ti­vo, mas vamos ter que avaliar na práti­ca se as pes­soas vão con­seguir ter aces­so ou se as restrições vão invi­a­bi­lizar para muitas famílias”, com­ple­tou.

01/06/2024 - Fotos de Muçum - Vale do Taquari - Rio Grande do Sul. Foto: @andreconceicaoz_ / @colli.agenciacriativa
Repro­dução: Muçum (RS) — Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, atingi­do pelas enchentes — Foto @andreconceicaoz_ / @colli.agenciacriativa

Tan­to o gov­er­no do esta­do, quan­do o fed­er­al têm lança­do nos últi­mos dias diver­sos pro­gra­mas de auxílio para as famílias, empre­sas, municí­pios e, no caso da União, para o próprio esta­do gaú­cho. De acor­do com o gov­er­no fed­er­al, mais de R$ 85 bil­hões da União foram dire­ciona­dos para recon­strução do Rio Grande do Sul, entre emprés­ti­mos, auxílios, sus­pen­são de dívi­das e out­ras ações.

Edição: Graça Adju­to

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