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Saiba como brincar o carnaval de forma sustentável

Glitter é um microplástico de difícil reciclagem

Fabío­la Sin­im­bú — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 01/03/2025 — 10:24
Brasília
Brasília, DF 13/02/2024 O bloco Calango Careta empolgou os foliões na enquadra da 710 Sul Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Repro­dução: © Fabio Rodrigues-Pozze­bom/ Agên­cia Brasil

Com mudança climáti­ca e todos os impactos do dese­qui­líbrio no plan­e­ta, é difí­cil não pen­sar em mudança de hábitos ou tradições. No car­naval, não é difer­ente, a folia gan­ha as ruas nos próx­i­mos dias, mas efeitos pode­ri­am ser pos­i­tivos, afir­ma a design­er de impacto e sus­tentabil­i­dade, Luciana Lancerot­ti.

“Não se tem um dado de quan­tos foliões ter­e­mos neste car­naval. A esti­ma­ti­va é de que mais de 50 mil­hões de pes­soas par­ticipem, seja em blo­quin­hos, seja em car­naval de des­file, seja em fes­tas, não impor­ta. Se a gente pen­sar que 50 mil­hões de pes­soas vão brin­car em dois, três dias, esta­mos falan­do de um vol­ume enorme de pes­soas que pode­ri­am agir em prol de bene­fí­cio para nós mes­mos”, diz.

De acor­do com a espe­cial­ista, para que essa mudança ocor­ra é necessário pen­sar de for­ma cir­cu­lar, ou seja, pen­sar que tudo que con­sum­i­mos pre­cisa voltar para o ciclo de uso de for­ma pos­i­ti­va, sem causar danos. Um exem­p­lo, é a escol­ha da maquiagem no car­naval. Segun­do Luciana, o pro­du­to pode ser biode­gradáv­el, feito de sementes ou out­ras sub­stân­cias nat­u­rais que, após o ban­har, escor­rem pelo ralo e não vão poluir a água e o solo.

“A gente já sabe que um dos maiores prob­le­mas que a gente tem é a poluição com plás­ti­co. Exis­tem dados cien­tí­fi­cos da quan­ti­dade de microplás­ti­cos que está no nos­so cor­po de for­ma prej­u­di­cial. E eu con­vi­do as pes­soas a pesquis­ar sobre isso, para que tomem­os con­sciên­cia. O glit­ter, por exem­p­lo, nada mais é que um microplás­ti­co”, expli­ca.

»Mais de 41% dos resí­du­os urbanos tiver­am des­ti­nação inad­e­qua­da em 2023

Luciana ressaltou que a escol­ha de levar uma gar­rafin­ha ou um copo para a folia pode evi­tar impacto neg­a­ti­vo na hora de se hidratar. Assim, segun­do ela, menos gar­rafas pet e latas de alumínio deix­am de ser jogadas nas ruas. “O que a gente tem pen­sa­do com con­sciên­cia e ten­ta­do faz­er, é evi­tar pro­duzir mais um lixo.”

Luciana lem­bra importân­cia de o folião levar uma bol­sa ou saco­la para recol­her o resí­duo e garan­tir que o mate­r­i­al vá para o lugar cer­to. “Isso acon­tece no cotid­i­ano da gente”, disse. Ela acon­sel­hou ain­da a pes­soa evi­tar adquirir vários pro­du­tos polu­entes.  “Quem sabe eu com­pro só uma gar­rafa de água e uso as bicas de água para man­ter a min­ha hidratação? Depois eu levo para casa e faço descarte,” com­ple­tou.

Exemplo

Em Brasília, por exem­p­lo, o grupo per­for­máti­co Patu­batê faz a fes­ta de mil­hares de pes­soas há 25 anos, ten­do o cuida­do de não faz­er do car­naval um prob­le­ma para o plan­e­ta. Com blo­quin­ho, shows, ofic­i­nas de músi­ca e con­strução de instru­men­tos, a folia é garan­ti­da com a ideia de não ger­ar resí­du­os.

“A gente toca em tam­bores feitos de tonéis, latas, bar­ras, pan­elas. Então, tudo que emite um som, a gente reci­cla para faz­er músi­ca”, expli­ca o músi­co e fun­dador do grupo, Fred Mag­a­l­hães.

Quan­do surgiu a ideia do grupo, Fred lem­bra que a primeira pre­ocu­pação foi a sus­tentabil­i­dade econômi­ca para levar a músi­ca ao maior número de pes­soas. “Mui­ta gente gosta­va muito de ver a gente tocar e tam­bém que­ria tocar. E com uma pan­ela, um balde, uma coisa que eu ten­ha em casa fica mais fácil”, diz.

Quan­to mais a fes­ta gan­ha­va as ruas, maior foi a pre­ocu­pação dos inte­grantes com os resí­du­os que a folia ger­a­va, lem­bra Fred. “A gente pen­sou: temos que reci­clar os resí­du­os sóli­dos, as coisas que a gente joga fora, porque o nos­so lixo não vai para a Lua, nem vai para a Marte. Então a gente tem que dar um out­ro des­ti­no, porque, senão, daqui a pouco a gente está nadan­do em lixo”, afir­mou.

Logo, as ofic­i­nas tam­bém pas­saram a ensi­nar como usar gar­rafas pet, lat­in­has e out­ros resí­du­os na con­fecção dos instru­men­tos. E, a cada show ou des­file de blo­co, o tra­bal­ho pas­sou a ser tam­bém de con­sci­en­ti­zar os foliões a recol­herem seus resí­du­os para trans­for­má-los em algo cria­ti­vo e musi­cal.

“Já fomos para 20 país­es e em mais de 400 cidades do Brasil. Sem­pre levan­do essas ofic­i­nas e essa con­sciên­cia de que a gente tem que reaproveitar nos­so mate­r­i­al. E, hoje em dia, nós temos uma out­ra coisa que é, além de reci­clar o mate­r­i­al, pen­sar­mos tam­bém em reci­clar as relações com o próx­i­mo”, salien­tou.

Segun­do Fred, a ideia tam­bém é levar as pes­soas a uma reflexão sobre a importân­cia de man­ter relações humanas que se sus­ten­tem ao lon­go do tem­po. “Porque não adi­anta só jog­ar o lixo fora da for­ma cor­re­ta se, ao mes­mo tem­po, eu ten­ho ati­tudes no meio da rua de agredir as pes­soas, de não dar bom dia a quem tra­bal­ha comi­go, ao viz­in­ho do meu pré­dio, às pes­soas que estão sem­pre comi­go”, frisou.

Com as ini­cia­ti­vas, o grupo Patu­batê espera difundir cada vez mais um car­naval ver­dadeira­mente sus­ten­táv­el, basea­do em ati­tudes que sejam duradouras nos três aspec­tos da sus­tentabil­i­dade: econômi­co, ambi­en­tal e social. “Obvi­a­mente que a gente não tem total con­t­role porque no car­naval é mui­ta gente, mas sem­pre esta­mos falan­do e na hora da ofic­i­na tam­bém. Falam­os muito sobre isso com as cri­anças, a gente demon­stra isso através de brin­cadeiras e dinâmi­cas”, com­ple­tou.

Neste car­naval de 2025, a folia do grupo Patu­batê, em Brasília, começa neste sába­do (1º) das 13h às 16h, em frente ao Minas Brasília Tênis Clube. “A gente vai faz­er ofic­i­na, corte­jo, blo­quin­ho e blo­co do Patu­batê”, infor­mou Fred

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