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Superfície de água no Brasil fica abaixo da média histórica em 2023

Repro­dução: © REUTERS/Bruno Kel­ly

Levantamento é do MapBiomas Água, divulgado nesta quarta-feira


Publicado em 26/06/2024 — 08:18 Por Camila Boehm — Repórter da Agência Brasil — São Paulo

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A super­fí­cie de água em todo o Brasil ficou abaixo da média históri­ca em 2023, segun­do lev­an­ta­men­to do Map­Bio­mas Água divul­ga­do nes­ta quar­ta-feira (26). A água cobriu 18,3 mil­hões de hectares, ou seja, 2% do ter­ritório nacional no ano pas­sa­do. O número rep­re­sen­ta que­da de 1,5% em relação à média históri­ca, cujo cál­cu­lo foi ini­ci­a­do em 1985.

Hou­ve per­da de água em todos os meses de 2023 em relação a 2022, incluin­do os meses da estação chu­vosa. Em 2022, a super­fí­cie de água ficou em 18,8 mil­hões de hectares. Os dados estão em nova coleção de dados do Map­Bio­mas, cobrindo o perío­do de 1985 a 2023. Segun­do a enti­dade, os bio­mas estão sofren­do com a per­da da super­fí­cie de água des­de 2000, com a déca­da de 2010 sendo a mais críti­ca.

Em 2023, cor­pos hídri­cos nat­u­rais respon­di­am por 77% da super­fí­cie de água no país, nos quais hou­ve que­da de 30,8% ou 6,3 mil­hões de hectares em relação a 1985. Os out­ros 23% são cor­pos antrópi­cos, ou seja, água armazena­da em reser­vatórios, hidrelétri­c­as, aqui­cul­tura e min­er­ação, que total­izam 4,1 mil­hões de hectares. Desse total, os grandes reser­vatórios, que são mon­i­tora­dos pela Agên­cia Nacional de Águas (ANA), somam 3,3 mil­hões de hectares, que reg­is­traram cresci­men­to de 26% em 2023 em relação a 1985.

“Enquan­to o Cer­ra­do e a Caatin­ga estão exper­i­men­tan­do aumen­to na super­fí­cie da água dev­i­do à cri­ação de hidrelétri­c­as e reser­vatórios, out­ros, como a Amazô­nia e o Pan­tanal, enfrentam grave redução hídri­ca, levan­do a sig­ni­fica­tivos impactos ecológi­cos, soci­ais e econômi­cos. Essas tendên­cias, agravadas pelas mudanças climáti­cas, ressaltam a neces­si­dade urgente de estraté­gias de adap­tação de gestão hídri­ca”, avaliou, em nota, Juliano Schirm­beck, coor­de­nador téc­ni­co do Map­Bio­mas Água.

Amazônia

Mais da metade da super­fí­cie de água do país estão na Amazô­nia, sendo 62% do total nacional. Em 2023, o bio­ma apre­sen­tou super­fí­cie de água de quase 12 mil­hões de hectares ou 2,8% da super­fí­cie do bio­ma. Esse total rep­re­sen­ta redução de 3,3 mil­hões de hectares em relação a 2022.

A enti­dade ressalta que, em 2023, a Amazô­nia sofreu seca sev­era: de jul­ho a dezem­bro, abaixo da média históri­ca do Map­Bio­mas Água, sendo que o perío­do de out­ubro a dezem­bro reg­istrou as menores super­fí­cies de água da série. O episó­dio lev­ou ao iso­la­men­to de pop­u­lações e à mor­tan­dade de peix­es, botos e tucux­is, apon­tou o Map­Bio­mas.

Pantanal

A super­fí­cie de água em 2023 no Pan­tanal chegou a 382 mil hectares, 61% abaixo da média históri­ca. A enti­dade desta­ca que hou­ve redução da área ala­ga­da e do tem­po de per­manên­cia da água. No ano pas­sa­do, ape­nas 2,6% do bio­ma estavam cober­tos de água. O Pan­tanal responde por 2% da super­fí­cie de água do total nacional.

O ano de 2023 foi 50% mais seco que o de 2018, quan­do ocor­reu a últi­ma grande cheia no bio­ma. Segun­do o Map­Bio­mas, em 2018, a água no Pan­tanal já esta­va abaixo da média da série históri­ca, que com­para os dados des­de 1985. A enti­dade ressalta que, em 2024, não hou­ve o pico de cheia e que o ano reg­is­tra um pico de seca, que deve se esten­der até setem­bro.

Cerrado

Em 2023, o Cer­ra­do teve a maior super­fí­cie de água des­de 1985, chegan­do a 1,6 mil­hão de hectares ou 9% do total nacional. O número é 11% aci­ma da média históri­ca no bio­ma. A enti­dade expli­ca que o gan­ho de super­fí­cie de água se deu em áreas antrópi­cas, que aumen­taram em 363 mil hectares, uma vari­ação pos­i­ti­va de 56,4%. Os cor­pos de água nat­u­rais, por sua vez, perder­am 696 mil hectares, o que rep­re­sen­ta que­da de 53,4%.

No ano pas­sa­do, os cor­pos de água nat­u­rais ocu­pavam 608 mil hectares do Cer­ra­do ou 37,5% da cober­tu­ra de água do bio­ma. Os 62,5% restantes ficaram divi­di­dos prin­ci­pal­mente entre hidrelétri­c­as (828 mil hectares; 51,1%) e reser­vatórios (181 mil hectares; 11,2%).

“A par­tir de 2003, a área de super­fí­cie de água des­ti­na­da à ger­ação de ener­gia e ao abastec­i­men­to dos cen­tros urbanos super­ou a área de água nat­ur­al no Cer­ra­do. No entan­to, ess­es reser­vatórios são abaste­ci­dos pelos cor­pos de água nat­u­rais que têm sido reduzi­dos nas últi­mas décadas”, disse, em nota, Joaquim Pereira, do Map­Bio­mas.

Caatinga e Pampa

Após lon­go perío­do de esti­agem, que se esten­deu por sete anos, resul­tan­do em uma das maiores secas do Nordeste des­de 2018, o Map­Bio­mas mostra que é pos­sív­el obser­var uma tendên­cia de acrésci­mo na super­fí­cie de água na Caatin­ga e a con­sol­i­dação de um ciclo mais chu­voso no bio­ma. O ano pas­sa­do reg­istrou uma super­fí­cie de água de quase 975 mil hectares, 6% aci­ma da média históri­ca e 5% do total nacional.

A parcela de 10% da super­fí­cie de água do Brasil em 2023 esta­va no Pam­pa: mais de 1,7 mil­hão de hectares ou 9,2% do ter­ritório do bio­ma. A super­fí­cie de água, no ano pas­sa­do, ficou 1,3% abaixo em relação a 2022. De acor­do com o Map­Bio­mas, em 2023 o Pam­pa teve o primeiro quadrimestre mais seco da série históri­ca. As cheias no Rio Grande do Sul, entre setem­bro e novem­bro, recu­per­aram a super­fí­cie de água no Pam­pa, mas ain­da assim ela se man­teve 2% abaixo da média históri­ca.

Mata Atlântica

A super­fí­cie de água na Mata Atlân­ti­ca em 2023 ficou 3% aci­ma da média históri­ca, superan­do os 2,2 mil­hões de hectares ou 12% e segun­do lugar do total nacional, con­forme dados do lev­an­ta­men­to. A água responde por 2% da super­fí­cie do bio­ma.

No ano pas­sa­do, a enti­dade ressalta que a Mata Atlân­ti­ca reg­istrou ele­va­dos níveis de pre­cip­i­tação em alguns municí­pios, levan­do a inun­dações em áreas agrí­co­las e desliza­men­tos. Esse é o bio­ma com maior super­fí­cie de água antrópi­ca, onde a área de super­fí­cie de água em hidrelétri­c­as e em reser­vatórios é maior do que a área de super­fí­cie de água nat­ur­al.

Edição: Graça Adju­to

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