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Supertelescópio cobrirá área equivalente ao tamanho de 40 luas cheias

Repro­du­ção: © Vera C.Rubin Observatory/Divulgação

Mais de 100 pesquisadores brasileiros participam do projeto


Publicado em 08/06/2024 — 10:17 Por Alana Gandra — Repórter da Agência Brasil — Rio de Janeiro

Mais de 100 pes­qui­sa­do­res bra­si­lei­ros par­ti­ci­pam do pro­je­to inter­na­ci­o­nal Legacy Sur­vey of Spa­ce and Time (LSST), que con­sis­te na cons­tru­ção de um super­te­les­có­pio em Cer­ro-Pachón, no Chi­le, que deve­rá entrar em ope­ra­ção em 2026. O LSST pre­ten­de pro­du­zir o mai­or e mais com­ple­to mapa do uni­ver­so, com 37 bilhões de estre­las e galá­xi­as, ao lon­go de dez anos.

A par­ti­ci­pa­ção do Bra­sil no pro­je­to teve iní­cio em 2015 e se dá por meio de acor­do do qual o Labo­ra­tó­rio Inte­rins­ti­tu­ci­o­nal de e‑Astronomia (LIneA) é sig­na­tá­rio. Essa par­ti­ci­pa­ção é coor­de­na­da pelo Bra­zi­li­an Par­ti­ci­pa­ti­on Group (BPG-LSST). O LIneA é um labo­ra­tó­rio mul­tiu­suá­rio apoi­a­do pelo Obser­va­tó­rio Naci­o­nal (ON), Labo­ra­tó­rio Naci­o­nal de Com­pu­ta­ção Cien­tí­fi­ca (LNCC) e Rede Naci­o­nal de Ensi­no e Pes­qui­sa (RNP), cri­a­do com a fina­li­da­de de dar supor­te à par­ti­ci­pa­ção bra­si­lei­ra em levan­ta­men­tos astronô­mi­cos que gerem gran­des volu­mes de dados.

O LSST é fru­to de cola­bo­ra­ção inter­na­ci­o­nal, da qual par­ti­ci­pam 28 paí­ses. Os mais de 100 par­ti­ci­pan­tes bra­si­lei­ros são de 26 uni­ver­si­da­des de 12 esta­dos. A pes­qui­sa iné­di­ta abran­ge vári­as áre­as da astro­no­mia e traz desa­fi­os, ana­li­san­do uma quan­ti­da­de de dados sem pre­ce­den­tes. Na cha­ma­da recen­te fei­ta pelo LSST, entra­ram três pes­qui­sa­do­res seni­o­res do Bra­sil, um dos quais é Dani­el de Oli­vei­ra, pro­fes­sor do Ins­ti­tu­to de Com­pu­ta­ção da Uni­ver­si­da­de Fede­ral Flu­mi­nen­se (UFF).

Gerência de dados

“Minha tare­fa é apoi­ar os astrô­no­mos na par­te de gerên­cia de dados, por­que eles têm um volu­me de dados mui­to gran­de”. O supor­te que será pres­ta­do por Dani­el de Oli­vei­ra ser­vi­rá para que os astrô­no­mos extrai­am infor­ma­ção útil des­ses dados em tem­po hábil para poder fazer con­sul­tas e pro­ces­sar as infor­ma­ções. “Minha tare­fa é auxi­li­ar na par­te com­pu­ta­ci­o­nal a resol­ver os pro­ble­mas deles de astro­no­mia. É ace­le­rar as aná­li­ses que eles pre­ci­sam fazer, para eles terem resul­ta­dos o mais rápi­do pos­sí­vel”, refor­çou Oli­vei­ra à Agên­cia Bra­sil.

Rio de Janeiro (RJ) 06/06/2024 - Professor da UFF Daniel de Oliveira participa do projeto LSST.Foto: Daniel de Oliveira/Arquivo Pessoal
Repro­du­ção: Pro­fes­sor da UFF Dani­el de Oli­vei­ra par­ti­ci­pa do pro­je­to LSST– Dani­el de Oliveira/Arquivo Pes­so­al

Dani­el de Oli­vei­ra rea­li­za­rá o tra­ba­lho com seus alu­nos, no Ins­ti­tu­to de Com­pu­ta­ção da UFF. “Obvi­a­men­te, temos reu­niões com o pes­so­al do exte­ri­or, mas é tudo remo­to e a gen­te pode exe­cu­tar pro­gra­mas nas máqui­nas de outras uni­ver­si­da­des. Mas a pes­qui­sa é fei­ta aqui no Bra­sil. No meu caso, são alu­nos da UFF”. Oli­vei­ra tra­ba­lha jun­to com os pes­qui­sa­do­res do LIneA, que dão supor­te na par­te de astro­no­mia.

O pes­qui­sa­dor afir­mou que o LSST é o teles­có­pio mais poten­te já cons­truí­do, que vai cap­tu­rar infor­ma­ções do uni­ver­so que antes não podi­am ser cap­tu­ra­das por limi­ta­ções de equi­pa­men­to. “Isso gera um volu­me gran­de de dados. Minha par­ti­ci­pa­ção é exa­ta­men­te para isso: para a gen­te poder pro­ces­sar esse volu­me de dados em tem­po hábil, sem ter que espe­rar meses para algu­ma con­clu­são”. Ele vai desen­vol­ver algo­rit­mos e tec­no­lo­gi­as nas áre­as de ban­co de dados, inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al e visu­a­li­za­ção.

Segun­do Oli­vei­ra, o volu­me de dados cap­tu­ra­do por noi­te é de apro­xi­ma­da­men­te 15 teraby­tes (TB) e cor­res­pon­de a 3,2 bilhões de pixels (meno­res pon­tos que for­mam uma ima­gem digi­tal). “Esti­ma-se que, após a cole­ta de dados, o levan­ta­men­to terá infor­ma­ções sobre áre­as do uni­ver­so nun­ca antes explo­ra­das e iden­ti­fi­can­do obje­tos que não podi­am ser detec­ta­dos antes do LSST entrar em ope­ra­ção”.

Idac-Brasil

Como a quan­ti­da­de de dados é mui­to gran­de, há três cen­tros prin­ci­pais vin­cu­la­dos ao LSST, loca­li­za­dos na Cali­fór­nia, Esta­dos Uni­dos; na Fran­ça; e na Escó­cia. Um cen­tro de dados deno­mi­na­do Inde­pen­dent Data Access Cen­ter (Idac-Bra­sil), implan­ta­do pelo LIneA, vai hos­pe­dar par­te das infor­ma­ções do LSST. Ao todo, serão ape­nas dez cen­tros regi­o­nais simi­la­res espa­lha­dos pelo mun­do que terão par­te dos dados. “Nós fomos sele­ci­o­na­dos e temos a res­pon­sa­bi­li­da­de de pres­tar esse ser­vi­ço, essa ope­ra­ção, para o LSST”, dis­se à Agên­cia Bra­sil o dire­tor do LIneA e coor­de­na­dor do Ins­ti­tu­to Naci­o­nal de Tec­no­lo­gia (INCT) do e‑Universo, Luiz Nico­la­ci da Cos­ta.

Rio de Janeiro (RJ) 06/06/2024 -Câmera focal do projeto LSST Foto: Vera C.Rubin Observatory/Divulgação
Repro­du­ção: Câme­ra focal do pro­je­to LSST — Vera C. Rubin Observatory/Divulgação

A par­ti­ci­pa­ção bra­si­lei­ra sig­ni­fi­ca­rá mai­or inser­ção do país na comu­ni­da­de astronô­mi­ca inter­na­ci­o­nal e na for­ma­ção de novos recur­sos huma­nos de alto nível para atu­ar em pro­je­tos futu­ros nes­ta e em outras áre­as do conhe­ci­men­to, infor­mou a UFF, por meio de sua asses­so­ria de impren­sa. O Idac-Bra­sil já está fun­ci­o­nan­do mas, ago­ra, avan­ça para novo pata­mar dada a quan­ti­da­de de dados. “Esta­mos com­pran­do novos equi­pa­men­tos, pre­pa­ran­do uma cama­da de soft­ware (pro­gra­mas de com­pu­ta­dor) de supor­te, esta­mos fazen­do trei­na­men­to de pes­so­al, vári­as ati­vi­da­des. Por­que a ope­ra­ção real­men­te para o LSST só come­ça em 2026. As obser­va­ções ini­ci­am-se no ano que vem e o pri­mei­ro lote de dados vai ser dis­po­ni­bi­li­za­do em 2026. Nós esta­mos no perío­do de comis­si­o­na­men­to para essa par­te do cen­tro, que já está em fun­ci­o­na­men­to há algum tem­po.”

Nico­la­ci acre­di­ta que o LSST, que vem sen­do desen­vol­vi­do des­de o ano 2000, repre­sen­ta uma mudan­ça na for­ma de fazer ciên­cia, tan­to na obten­ção de dados quan­to na manei­ra de tra­ba­lhar cola­bo­ra­ti­va­men­te. “Ele é um pro­je­to mui­to ino­va­dor. É um teles­có­pio de 8 metros, cons­truí­do no Chi­le, dife­ren­te do que se vê nor­mal­men­te. Ele tem só uma gigan­tes­ca câme­ra e vai fazer o levan­ta­men­to do céu do Hemis­fé­rio Sul por dez anos.” Nico­la­ci expli­cou que não have­rá pro­je­to seme­lhan­te vol­ta­do para o Hemis­fé­rio Nor­te. Isso se jus­ti­fi­ca por­que “o cen­tro da nos­sa galá­xia está loca­li­za­do aqui, no Hemis­fé­rio Sul”. Isso vai pro­por­ci­o­nar uma quan­ti­da­de de dados enor­me.

Quarenta luas

O teles­có­pio vai fun­ci­o­nar de duas for­mas. A cada três dias, ele se vol­ta para o mes­mo lugar do céu. “Na ver­da­de, cada pon­to do céu vai ser obser­va­do mais de mil vezes duran­te o perío­do de dez anos. Então, você vai fazer um fil­me do uni­ver­so dinâ­mi­co com as ima­gens que vão ser adqui­ri­das”, res­sal­tou  Tam­bém será fei­ta a soma das ima­gens cole­ta­das, cri­an­do-se uma ima­gem pro­fun­da de todo o Hemis­fé­rio Sul. “Uma quan­ti­da­de de dados que a astro­no­mia nun­ca teve. Um dilú­vio, na ver­da­de.” Nico­la­ci afir­mou que a câme­ra do LSST apon­ta­da para o céu tem uma visão que cor­res­pon­de a 40 luas chei­as. “Pela pri­mei­ra vez na astro­no­mia, a gen­te vai ter esse domí­nio tem­po­ral, por­que as obser­va­ções são fei­tas em menos de um minu­to. Você vai cap­tu­rar explo­sões, obje­tos em movi­men­to. É real­men­te sem pre­ce­den­tes.”

Luiz Nico­la­ci da Cos­ta des­ta­cou que a par­ti­ci­pa­ção do Bra­sil para rea­li­zar os ser­vi­ços deman­da­dos para o LSST pelos pró­xi­mos dez anos vai pre­ci­sar de apoio do Minis­té­rio da Ciên­cia, Tec­no­lo­gia e Ino­va­ção (MCTI). A par­ti­ci­pa­ção bra­si­lei­ra pode che­gar a 175 pes­qui­sa­do­res, 80% de jovens alu­nos e, o que é mais sig­ni­fi­ca­ti­vo, segun­do o coor­de­na­dor do LIneA, total­men­te de gra­ça. “O úni­co cus­to que nós vamos ter é a ope­ra­ção de um cen­tro de dados no Bra­sil. É dinhei­ro local. Não se vai pagar nada”. Na ava­li­a­ção de Nico­la­ci, essa é uma opor­tu­ni­da­de fan­tás­ti­ca para a ciên­cia bra­si­lei­ra.

Edi­ção: Juli­a­na Andra­de

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