...
segunda-feira ,8 dezembro 2025
Home / Educação / Tema da redação do Enem ajuda a debater etarismo, dizem professores

Tema da redação do Enem ajuda a debater etarismo, dizem professores

Para especialistas, exame trouxe um tema relevante e atual

Luiz Clau­dio Fer­reira — Repórter da Agên­cia Brasil
Pub­li­ca­do em 09/11/2025 — 16:00
Brasília
14/06/2023 Brasília (DF) - Lar dos velhinhos - Dia 15/06/2023, Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. Foto Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Repro­dução: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O tema da redação do Exame Nacional do Ensi­no Médio (Enem), “Per­spec­ti­vas acer­ca do envel­hec­i­men­to na sociedade brasileira”, aju­da a pro­mover debates atu­ais como vio­lações de dire­itos e etaris­mo, que é o pre­con­ceito con­tra uma pes­soa por causa de sua idade. 

A avali­ação é de pro­fes­sores ouvi­dos pela Agên­cia Brasil neste domin­go (9).

Para a pro­fes­so­ra de redação Bár­bara Soares, que atua em Brasília, o exame trouxe, mais uma vez, um tema rel­e­vante e atu­al, ten­do em vista o envel­hec­i­men­to da pop­u­lação e a neces­si­dade de com­bate ao etaris­mo. 

Além dis­so, relações pos­síveis com vio­lações de dire­itos, como a descober­ta sobre os desvios de recur­sos das aposen­ta­do­rias de brasileiros e a neces­si­dade de novas políti­cas públi­cas pode­ri­am ser abor­dadas na pro­va.

“Há uma grande pre­ocu­pação de como pro­te­ger essas pes­soas. O Enem colo­ca uma lupa sobre um prob­le­ma que está rela­ciona­do a gru­pos mais vul­neráveis e de que pre­mis­sas con­sti­tu­cionais estão sendo vio­ladas”, afir­mou a docente.

Recorrência

A pro­fes­so­ra recor­dou que, há dois anos, o Enem tra­tou sobre a invis­i­bi­liza­ção do tra­bal­ho de cuida­do de mul­heres.

“Nós pre­cisamos de uma políti­ca nacional de cuida­do. Nós pre­cisamos pen­sar sobre isso de uma maneira mais estru­tu­rante mes­mo. Eu acho que é exata­mente isso que eles querem dos alunos”.

O pro­fes­sor Thi­a­go Bra­ga, que dá aulas no Rio de Janeiro, tam­bém con­tex­tu­al­iza que, em 2070, quase 40% da pop­u­lação brasileira será de idosos.

“É uma dis­cussão fei­ta inter­dis­ci­pli­n­ar­mente na esco­la. Todos eles sabem, por exem­p­lo, que a pirâmide etária brasileira está pas­san­do por uma trans­for­mação impor­tante nesse momen­to”, pon­dera.

Por isso, o pro­fes­sor entende que os tex­tos moti­vadores podem ter uma importân­cia fun­da­men­tal para o dire­ciona­men­to temáti­co. “Lem­bran­do que a gente tem um estatu­to da pes­soa idosa no Brasil, que é de 2003. Pode ser uma boa refer­ên­cia para que os alunos usem [nas redações).”

Veja imagens da entrada de alunos no Enem

Repertórios

A pro­fes­so­ra de redação Rayana Roale, que tam­bém tra­bal­ha no Rio de Janeiro, con­sid­era o tema de com­plex­i­dade medi­ana, e lem­bra que o assun­to tam­bém foi abor­da­do na Pro­va Nacional Docente (PND). Ela expli­ca que a questão da idade per­pas­sa todas as camadas da sociedade.

“Acred­i­to que não vai ser um tema muito difí­cil de abor­dar porque existe muito repertório e infor­mações dis­sem­i­nadas sobre isso”.

Os pro­fes­sores avaliam que uma out­ra tôni­ca que pode­ria ser trazi­da é de como a “sociedade pro­du­ti­va” tende a deixar as pes­soas mais vel­has de lado.

Pro­fes­so­ra de redação, Michele Marceli­no, de São Paulo, con­sid­era que o exame acer­tou “em cheio” ao traz­er para o debate a questão. “O tema per­mite dis­cu­tir o etaris­mo, os dire­itos das pes­soas idosas e os prob­le­mas que elas enfrentam na sociedade con­tem­porânea, como aban­dono e pre­con­ceito”.

Ela acres­cen­ta que a moti­vação vai ao encon­tro das mudanças soci­ais sig­ni­fica­ti­vas no país. “Traz­er esse tema à luz não ape­nas é per­ti­nente, mas tam­bém acessív­el aos estu­dantes, que não devem ter difi­cul­dade em desen­volver uma reflexão con­sis­tente”.

Debate importante

A pres­i­dente da União Nacional dos Estu­dantes (UNE), Bian­ca Borges, defend­eu que o tema provo­ca debate sobre os desafios para o aces­so ao tra­bal­ho dig­no, para aces­so à pre­v­idên­cia social e à saúde públi­ca de qual­i­dade. 

“Todos ess­es desafios deman­dam o desen­volvi­men­to de políti­cas públi­cas. Esse aspec­to é muito impor­tante e tam­bém  traz debate social e cul­tur­al que diz respeito à nos­sa com­preen­são sobre as pes­soas mais vel­has”.

Ela acres­cen­ta que, graças à democ­ra­ti­za­ção do aces­so ao ensi­no supe­ri­or, o per­fil dos alunos mudou muito. “A gente tem a feli­ci­dade de ver pes­soas com mais de 60, 70, às vezes 80 anos real­izan­do o son­ho de estar den­tro da sala de aula ao lado dos mais jovens. Isso é muito impor­tante”.

Convívio e respeito

No iní­cio deste mês, a Agên­cia Brasil pub­li­cou a história de três médi­cos espe­cial­is­tas que, com mais de 80 anos, con­tin­u­am na ati­va, ven­cen­do pre­con­ceitos. Na mes­ma série espe­cial, a reportagem ouviu espe­cial­is­tas que apon­taram o con­vívio entre ger­ações como recei­ta de suces­so con­tra o etaris­mo.

Em jun­ho do ano pas­sa­do, para mar­car o mês do orgul­ho LGBTQIA+, a Agên­cia Brasil deba­teu a neces­si­dade de políti­cas públi­cas, saúde espe­cial­iza­da e respeito à diver­si­dade no envel­hec­i­men­to dessa pop­u­lação.

LOGO AG BRASIL

Você pode Gostar de:

CNU ocorre sem problemas e 80% dos candidatos comparecem à prova

Resultado preliminar sai em 23 de janeiro Lucas Pordeus León — Repórter da Agên­cia Brasil …

3b2c09210a068c0947d7d917357ae19d