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Tornado no Paraná aumenta pressão por decisões concretas na COP30

Especialistas destacam importância dos investimentos em adaptação

Rafael Car­doso — Envi­a­do Espe­cial
Pub­li­ca­do em 08/11/2025 — 17:36
Belém
Paraná 08/11/2025 - Ciclone extratropical causa destruição no Paraná; 60 mil casas estão sem energia. Foto: Ari Dias/AEN
Repro­dução: © Ari Dias/AEN

No mes­mo dia em que ter­mi­nou a Cúpu­la de Líderes da 30ª Con­fer­ên­cia das Nações Unidas sobre Mudança do Cli­ma (COP30), um tor­na­do atingiu cidades do Paraná, provo­cou seis mortes e deixou 750 feri­dos. Espe­cial­is­tas ouvi­dos pela Agên­cia Brasil dis­ser­am que o fenô­meno é mais uma pro­va da neces­si­dade de ações conc­re­tas e inves­ti­men­tos para lidar com os extremos climáti­cos.

Segun­do Car­los Rit­tl, dire­tor glob­al de políti­cas públi­cas para flo­restas e mudanças climáti­cas da Wildlife Con­ser­va­tion Soci­ety (orga­ni­za­ção não gov­er­na­men­tal inter­na­cional), even­tos recentes pres­sion­am por com­pro­mis­sos mais efe­tivos na COP30.

“Tive­mos o furacão que assolou a Jamaica. Um tufão que pas­sou pelas Fil­ip­inas, provo­can­do mais de 180 mortes. E, depois, o mes­mo com o Viet­nã. Esta­mos viven­do na era de extremos. E isso impõe uma respon­s­abil­i­dade muito grande ao Brasil na presidên­cia da COP30, assim como dos demais nego­ci­adores, a darem respostas”, disse Car­los.

“Por um lado, é recon­hecer que a ação está mais lenta do que o necessário no corte de emis­sões de gas­es de efeito est­u­fa. E a prin­ci­pal refer­ên­cia con­tin­ua sendo o Acor­do de Paris, para lim­i­tar o aque­c­i­men­to glob­al a 1,5ºC em relação aos níveis pré-indus­tri­ais. Pre­cisamos evi­tar que a inter­fer­ên­cia humana no sis­tema climáti­co ultra­passe lim­ites perigosos”, com­ple­men­tou.

Uma das críti­cas comuns entre as orga­ni­za­ções ambi­en­tais é a de que o tema “adap­tação” recebe menos atenção e inves­ti­men­tos do que a “mit­i­gação”. Reduzir as emis­sões de gas­es do efeito est­u­fa é fun­da­men­tal, mas as cidades pre­cisam de inves­ti­men­tos urgentes para aumentarem a capaci­dade de lidar com os even­tos extremos cada vez mais comuns.

“Eu estou em Belém, prestes a ini­ciar o even­to ger­al da COP30 e é pre­ciso colo­car na mesa dos políti­cos de que esse mapea­men­to já foi feito pelos cien­tis­tas. Todas as pro­jeções apon­tam para a neces­si­dade de preparar as cidades. E para faz­er essa preparação, é obri­gatório ter recur­so finan­ceiro”, disse Ever­al­do Bar­reiros, pro­fes­sor de mete­o­rolo­gia da Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Pará (UFPA).

Bar­reiras expli­ca que a COP em Belém vai dis­cu­tir esse finan­cia­men­to para que os país­es mais vul­neráveis aos even­tos extremos de mudanças climáti­cas pos­sam estar prepara­dos e saibam lidar com ess­es impactos. “Eles são inevitáveis. Pre­cisamos preparar as cidades para diminuir ess­es pre­juí­zos e, prin­ci­pal­mente, pro­te­ger a vida”, com­ple­men­tou.

O dire­tor da Wildlife Con­ser­va­tion Soci­ety reforça que os inves­ti­men­tos exter­nos devem estar alin­hados com a apli­cação dos próprios municí­pios em medi­das de adap­tação climáti­ca. Cada região vive os impactos de maneira difer­ente e pre­cisa esta­b­ele­cer metodolo­gias próprias aos desafios e vul­ner­a­bil­i­dades locais.

“Nes­sa COP, temos como uma das pau­tas trip­licar os recur­sos disponíveis para apoiar país­es em desen­volvi­men­to nas suas ações de adap­tação e reduzir as suas vul­ner­a­bil­i­dades aos impactos das mudanças climáti­cas”, disse Car­los Rit­tl.

O espe­cial­ista ressalta, entre­tan­to, que cada municí­pio deve pen­sar em esta­b­ele­cer as próprias estraté­gias de adap­tação. “Tive­mos as chu­vas sev­eras que atin­gi­ram o Rio Grande do Sul. Ness­es dois últi­mos anos, aqui na Amazô­nia, tive­mos seca muito sev­era, o que agravou a situ­ação dos incên­dios. São exem­p­los que mostram ser necessária essa ação local.”

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